Sábado, 18 de Julho de 2015
Aluno vagabundo que não é punido a rigor nem na própria casa – “Quando
tenho aula, já entro na sala com medo. Todos da escola sabem como o garoto é
perigoso”. É assim que o professor Walter da Rocha e Silva de Rio Claro (SP)
descreve o aluno de 14 anos que o agrediu e quebrou
seu nariz com um bloco de concreto dentro da escola na
terça-feira (5). Professor de química há 4 anos, ele disse ao G1 nesta
quarta-feira (6) que vai abandonar a profissão por falta de segurança no
trabalho e má remuneração.
O professor de 36 anos deve passar por uma consulta ainda nesta
quarta-feira para avaliar se vai precisar de cirurgia. A agressão aconteceu
durante a manhã de terça-feira na da Escola Estadual João Baptista Negrão.
Silva relatou que o adolescente fazia bagunça na sala de aula e, após uma breve
discussão entre ambos, o jovem foi expulso do local e encaminhado à diretoria.
O adolescente, entretanto, retornou à sala para buscar o material.
A escola virou um depósito de alunos. É uma cadeia
que os estudantes ficam meio período. Deveria ser assim: o aluno vai porque
quer estudar. Se não quiser, não entra” Walter da Rocha e Silva, professor
do aluno vagabundo
“Assim que ele saiu, eu, a diretora e a coordenadora o acompanhamos até
a direção. Ele estava na porta da diretoria e, quando me aproximei, fui
acertado com o bloco no nariz”, afirmou Walter.
O bloco também acertou uma aluna que estava na secretaria. O menor fugiu
da escola antes da chegada da polícia, e o professor foi encaminhado ao
pronto-socorro da cidade, onde registrou um boletim de ocorrência. Ele teve
ferimentos no rosto e quebrou o nariz. Já a aluna não apresentou
ferimentos. Silva, que trabalha há dois anos na escola e dá aulas de terça
e quinta-feira, disse que já sabia do histórico do estudante. De acordo com
ele, outros professores já tinham avisado sobre o perigo que o garoto
apresentava, por ser violento e já ter tido problemas com a polícia
anteriormente.
Falta
de incentivo coloca na escola muito aluno vagabundo
Embora seja a primeira agressão sofrida, Silva disse conhecer casos de
agressão em outras unidades de ensino. Ele disse que isso se deve ao fato de
alunos serem empurrados para a escola desde cedo, mesmo sem vontade de estudar.
“A escola virou um depósito de alunos. É uma cadeia que os estudantes ficam
meio período. Deveria ser assim: o aluno vai porque quer estudar. Se não
quiser, não entra”, afirmou.
Com Rius.com

