Sexta-feira, 13 de fevereiro-(02) de 2025
Pesquisa
da Universidade do Sul da Califórnia revela queda de 1,1% nos níveis de dióxido
de nitrogênio para cada 200 carros elétricos adicionados à frota na Califórnia
entre 2019 e 2023.
Os resultados da transição para carros elétricos já são perceptíveis na
qualidade do ar. Uma pesquisa conduzida pela Universidade do Sul da Califórnia (USC), nos
Estados Unidos, demonstrou que os níveis de dióxido de nitrogênio (NO2) caíram conforme novos carros elétricos e híbridos plug-in passaram a
integrar a frota veicular. Esse gás, além de poluente, é conhecido por causar doenças cardíacas e AVC (acidente vascular cerebral). O estudo foi publicado na
revista The
Lancet Planetary Health.
A Califórnia abriga a maior frota de carros elétricos do país, tornando-a o local
ideal para essa análise. Os pesquisadores utilizaram dados de alta resolução de
satélites, que monitoram como o NO2 absorve e reflete a luz solar. Entre 2019 e 2023, a
participação de elétricos e
híbridos plug-in na frota do estado aumentou de 2% para 5%. Em média, cada bairro passou a
somar 272 carros
eletrificados durante o período analisado.
Carros elétricos
e a redução da poluição por NO2
A equipe dividiu os dados por bairros e examinou 1.692 zonas individualmente, com base em
registros do Departamento de Trânsito local. Os resultados mostraram uma queda de 1,1% nos níveis atmosféricos de
dióxido de nitrogênio para cada 200
veículos eletrificados adicionados à frota. Essa é a
primeira pesquisa a estabelecer essa ligação de forma robusta, com dados
empíricos reais, diferentemente de estudos anteriores baseados apenas em
modelos teóricos.
Para garantir a precisão, os autores excluíram o ano de 2020, período em que a pandemia reduziu significativamente a circulação
de veículos. Eles também controlaram fatores como flutuações no preço da gasolina e a adoção do trabalho
remoto, que poderiam influenciar o comportamento dos motoristas. Como
contraprova, analisaram áreas onde houve aumento de carros a combustão, e nesses locais os níveis de NO2 subiram,
conforme esperado.
Os dados de satélite foram cruzados com medições de solo
realizadas entre 2012 e 2023,
reforçando a confiabilidade dos achados. O estudo considerou veículos de
emissão zero, incluindo carros
totalmente elétricos, híbridos
plug-in e modelos movidos a célula de combustível, excluindo
veículos pesados como caminhões de carga. Em alguns bairros, o número de novos
registros variou de 18 a 839.
Impactos na saúde
pública e potencial da eletrificação
O dióxido de
nitrogênio é um dos principais poluentes associados ao tráfego urbano,
ligado a problemas respiratórios como crises de asma e bronquite, além de doenças cardíacas e AVC. “Esse impacto imediato na poluição do ar é realmente importante
porque também gera efeitos imediatos na saúde”, afirmou Erika Garcia, professora assistente de saúde
pública da Keck School of Medicine da USC e autora sênior do estudo. A
exposição contínua à poluição do tráfego pode afetar a saúde tanto no curto
quanto no longo prazo.
“Ainda não
chegamos à eletrificação total, mas a transição já está produzindo mudanças
mensuráveis no ar que as pessoas respiram“, declarou Sandrah Eckel, professora associada da Keck
School of Medicine e autora principal. A equipe agora investiga a relação entre
a adoção de veículos de emissão zero e indicadores de saúde, como atendimentos
de emergência e internações por asma, para quantificar impactos diretos na
população.
Essa pesquisa reforça que a eletrificação da frota não só combate
as emissões de gases de efeito estufa, mas também melhora a qualidade do ar de
forma mensurável, com benefícios potenciais para a saúde pública. Os ganhos
observados representam apenas uma fração do potencial completo da transição
para carros elétricos,
especialmente em regiões urbanas densas como a Califórnia.