Segunda-feira, 20 de julho-(07) de 2026
Matéria de Wellton Máximo/Agência Brasil.
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Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil |
O número de indícios de fraudes financeiras no Brasil
cresceu 10,26% nos seis primeiros meses de 2026, totalizando mais de 9 milhões
de ocorrências entre casos suspeitos e confirmados. No segundo semestre do ano
passado, houve 8,26 milhões de registros.
Segundo levantamento da Quod, datatech especializada em
inteligência de dados para o mercado de crédito, o avanço reflete
principalmente o fortalecimento dos mecanismos de detecção após a implementação
da Resolução 501 do Banco Central (BC), que ampliou o compartilhamento de
informações entre instituições financeiras para combater golpes.
Pelos critérios da Quod, os indícios representam tanto as
suspeitas como as consumações de golpes.
Sistema colaborativo
O estudo foi elaborado a partir dos dados do Registro Unificado de Fraudes
(Rufra), uma base colaborativa criada pela Quod para reunir informações sobre
indícios e ocorrências de fraudes compartilhadas por instituições financeiras e
empresas. O sistema centraliza dados de segurança para identificar padrões de
atuação de criminosos, acompanhar o histórico de vítimas e fraudadores e
permitir o bloqueio preventivo de operações suspeitas.
Além de apoiar as estratégias de prevenção a golpes, o
Rufra também atende às exigências da Resolução 501 do Banco Central, que tornou
mais robusta a troca de informações entre as instituições financeiras. Com
isso, tentativas de fraude que antes deixavam de ser registradas passaram a
integrar uma base única de inteligência, ampliando a capacidade de detecção do
sistema financeiro.
Principais números
Mais de 9 milhões de indícios de fraudes no primeiro semestre de 2026;
Alta de 10,26% em relação ao segundo semestre de 2025;
78% das fraudes ocorreram por meio de celulares;
94% envolveram contas correntes;
85% utilizaram o Pix para movimentação dos recursos;
40% dos casos tiveram origem em golpes de engenharia social;
3,1 milhões de pessoas foram vítimas de fraudes no período;
Cerca de 799 mil vítimas sofreram golpes duas vezes ou mais.
Novas regras
Segundo a Quod, o aumento dos registros não representa apenas uma expansão da
atividade criminosa, mas também um avanço na capacidade de monitoramento do
mercado.
“O aumento de 10% no volume de fraudes em relação ao
semestre anterior reflete, na verdade, o amadurecimento das defesas do mercado
financeiro. Com a consolidação da Resolução 501 do Banco Central, as
instituições passaram a compartilhar informações de forma muito mais ativa via
base Rufra, detectando e trazendo à tona tentativas de golpes que antes ficavam
subnotificadas no sistema”, afirma Danilo Coelho, diretor de Produtos e Dados
da Quod.
Celular e Pix
O ambiente digital continua concentrando a maior parte das fraudes financeiras
no país.
O celular foi utilizado em 78% dos casos registrados,
tornando-se o principal canal explorado pelos criminosos. As contas correntes
apareceram em 94% dos indícios, enquanto o Pix foi o meio de pagamento
utilizado em 85% das fraudes.
Golpes psicológicos
A engenharia social segue como a principal estratégia utilizada pelos
criminosos.
Essa modalidade, baseada na manipulação psicológica das
vítimas para obter informações ou convencê-las a realizar transferências,
respondeu por 40% dos registros, o equivalente a mais de 3,6 milhões de
ocorrências no semestre.
Perfil das vítimas
Os dados mostram que os jovens são os principais alvos das fraudes financeiras.
Pessoas entre 18 e 34 anos representam 49,06% das
vítimas. A faixa de 35 a 49 anos responde por 29,98% dos casos. Homens
correspondem a 51% dos registros e mulheres, a 48%. A maioria das vítimas (58%)
recebe até dois salários mínimos.
O levantamento também identificou elevado índice de
reincidência. Das 3,1 milhões de pessoas que sofreram golpes no semestre,
aproximadamente 799 mil, o equivalente a um quarto do total, foram vítimas duas
ou mais vezes.
Prevenção
A Quod recomenda que consumidores reforcem os cuidados nas operações
financeiras, principalmente pelo celular.
“Nunca tome decisões financeiras apressadas durante o
expediente de trabalho, período em que os fraudadores aproveitam a distração
das vítimas. Não clique em links recebidos por mensagens e não empreste sua
conta bancária para receber ou transferir valores de terceiros, pois isso o
torna cúmplice e vítima do esquema de contas laranja”, orienta Danilo Coelho.
A Quod é uma datatech especializada em inteligência de
dados para o mercado de crédito. A empresa desenvolve soluções baseadas em
inteligência artificial e análise de dados para apoiar instituições financeiras
e empresas em decisões de crédito, prevenção a fraudes e recuperação de ativos.
Por: * Wellton Máximo/Agência Brasil






























