Sexta-feira, 20 de fevereiro-(02) de 2025
Matéria da BAND.COM
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| Foto: Reprodução/TV Brasil |
Um estudo
internacional sobre mortes por câncer no mundo estima que 43,2% dos óbitos
provocados pela doença no Brasil poderiam ser evitados com medidas de
prevenção, diagnóstico precoce e melhor acesso ao tratamento.
A pesquisa estima que, dos casos de câncer diagnosticados no país em 2022, cerca de
253,2 mil devem resultar em morte até cinco anos após a detecção. Dessas, 109,4
mil poderiam ser evitadas.
O estudo Mortes evitáveis por meio da prevenção primária,
detecção precoce e tratamento curativo do câncer no mundo faz parte da
edição de março da revista científica The Lancet, uma das publicações médicas
mais conceituadas internacionalmente. O artigo está disponível na internet.
O
trabalho é assinado por 12 autores, oito deles vinculados à Agência
Internacional para Pesquisa em Câncer (Iarc, na sigla em inglês), ligada à
Organização Mundial da Saúde (OMS) e sediada em Lyon, na França.
Os pesquisadores dividem as quase 110 mil mortes por câncer
evitáveis no Brasil em dois grupos: 65,2 mil são preveníveis, ou seja, a doença
poderia nem ter ocorrido, e as outras 44,2 mil são classificadas como evitáveis
por diagnóstico precoce e acesso adequado a tratamento.
Mundo
O
levantamento apresenta um olhar global sobre mortes por câncer. O estudo
apurou informações sobre 35 tipos de câncer em 185 países.
Em termos mundiais, o percentual de óbitos evitáveis é de
47,6%. Isso representa que, dos 9,4 milhões de mortes causadas
pela doença, quase 4,5 milhões poderiam não ter acontecido.
O grupo
de pesquisa detalha que, do total de mortes, uma em cada três (33,2%) é
prevenível, e 14,4% poderiam não acontecer caso houvesse diagnóstico precoce e
acesso a tratamento.
Ao estimar quantas mortes poderiam ser evitadas por medidas de
prevenção, os pesquisadores apontam cinco fatores de risco:
• tabaco;
• consumo
de álcool;
• excesso
de peso;
• exposição
à radiação ultravioleta; e
• infecções (causadas por vírus como o do HPV e o da hepatite e pela
bactéria Helicobacter pylori).
Disparidades
Ao
comparar países, regiões geográficas e nível de desenvolvimento, o estudo
identifica disparidades ao redor do mundo.
Os países
do norte da Europa apresentam percentual de mortes evitáveis bem próximo de
30%. O mais bem posicionado é a Suécia (28,1%), seguido por Noruega (29,9%) e
Finlândia (32%). Isso significa que, de cada dez mortes, apenas três poderiam
ser evitadas.
Já no
outro extremo, as dez
maiores proporções de mortes evitáveis estão em países africanos. A
pior situação é em Serra Leoa (72,8%). Em seguida, figuram Gâmbia (70%) e
Malaui (69,6%).
Nesses
países, sete em cada dez mortes poderiam ser evitadas com mais prevenção,
melhor diagnóstico e acesso a tratamento.
Menores índices de mortes evitáveis:
• Austrália
e Nova Zelândia: 35,5%;
• Norte
da Europa: 37,4%;
• América
do Norte: 38,2%.
Maiores
proporções:
• África
Oriental: 62%;
• África
Ocidental: 62%;
• África
Central: 60,7%.
A América do Sul tem 43,8% de mortes por câncer evitáveis,
indicador bem parecido com o do Brasil.
IDH
As
desigualdades também aparecem quando os países são agrupados por Índice de
Desenvolvimento Humano (IDH), um indicador da Organização das Nações Unidas
(ONU) que leva em consideração os níveis de saúde, educação e renda.
Nos
países de baixo IDH, que significa pior qualidade de vida, seis em cada dez
(60,8%) mortes por câncer poderiam ter sido evitadas. Em seguida, situam-se os
grupos de IDH alto (57,7%), médio (49,6%) e muito alto (40,5%). O Brasil é
considerado um país de IDH alto.
A pesquisa revela que no grupo de países com baixo e médio IDH,
o câncer de colo de útero é o primeiro na lista de mortes evitáveis. Já nos
grupos de IDH alto e muito alto, esse tipo de câncer sequer aparece entre os
cinco principais tipos da doença em número de mortes evitáveis.
Outra
forma de enxergar a disparidade entre os países é a diferença entre as taxas de
mortalidade por câncer do colo do útero. Em países com IDH muito alto, a
proporção é de 3,3 de vítimas da doença a cada 100 mil mulheres. Já nos de IDH
baixo, essa relação sobe para 16,3 por 100 mil.
Tipos de câncer
O estudo publicado na The Lancet estima que 59,1% das mortes
evitáveis são relacionadas aos cânceres de pulmão, fígado, estômago, colorretal
e colo do útero.
Quando se
observa apenas os casos de câncer que poderiam ser evitados por medidas preventivas,
o maior causador do óbito é o câncer de pulmão. Foram 1,1 milhão de mortes,
correspondendo a 34,6% de todas as mortes preveníveis por câncer.
Já o
câncer de mama nas mulheres foi o que teve mais mortes tratáveis, ou seja,
pessoas que poderiam sobreviver recebendo diagnóstico no tempo certo e acesso a
tratamento adequado. Foram 200 mil, o que representa 14,8% de todas as mortes
em casos tratáveis.
Combate
Os
pesquisadores apontam caminhos para diminuir o número de mortes evitáveis. Um deles é a realização de campanhas e ações que diminuam a
incidência do tabagismo e do consumo de álcool, além de aumento de preço desses
produtos, como forma de desestimular o consumo.
O estudo
direciona atenção também ao excesso de peso. “O crescente número de pessoas com
excesso de peso representa desafios consideráveis para a saúde global”, apontam
os autores.
Eles
sugerem iniciativas como intervenções “que regulam a publicidade, a rotulagem e
[majoração] de impostos sobre alimentos e bebidas não saudáveis”.
Os
pesquisadores enfatizam a importância da prevenção a infecções que são
associadas ao câncer, como o HPV, que é prevenível por vacinação.
Os
autores apontam ainda a necessidade de focar em metas relacionadas à detecção
do câncer de mama.
“Alcançar
as metas da OMS de que pelo menos 60% dos cânceres de mama sejam diagnosticados
nos estágios um ou dois [escala que vai até zero a cinco] e que mais de 80% dos
pacientes recebam diagnóstico dentro de 60 dias após a primeira consulta”.
“São
necessários esforços globais para adaptar a prevenção, o diagnóstico precoce e
o tratamento do câncer a fim de enfrentar as desigualdades nas mortes
evitáveis, especialmente em países com baixo e médio IDH”, conclui o estudo.
Aqui no
Brasil, o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (Inca) fazem
campanhas regulares de prevenção e diagnóstico precoce.
Por: BAND.COM