Sábado, 04 de abril-(04) de 2026
Atualmente país importa cerca de 30% do consumo
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Foto: Andre Ribeiro/Agência Petrobras |
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou
nesta quarta-feira (1º) que a empresa estuda a possibilidade de fazer
o país ser autossuficiente na produção de óleo diesel dentro de cinco anos.
O combustível enfrenta uma escalada recente de preço
global por causa da guerra no Irã. Atualmente o Brasil precisa importar
cerca de 30% do óleo diesel consumido no país, um derivado do petróleo
utilizado por caminhões, ônibus e tratores.
Chambriard explicou que o plano de negócios da companhia
tinha como objetivo o “ideal” de chegar a 80% da demanda, com expansão de cerca
de 300 mil barris de diesel por dia em cinco anos.
“Estamos revendo esse plano e nos perguntando se podemos
chegar a 100% em cinco anos”, afirmou ela, durante um evento sobre energia
promovido pela rede de TV CNN Brasil, em São Paulo. “Muito provavelmente,
porque a Petrobras adora desafios, quem sabe a gente chega com a possibilidade
de ter um novo plano de negócios capaz de entregar a autossuficiência do Brasil
em diesel”, completou.
O plano de negócios da companhia começará a ser discutido
em maio, segundo adiantou a presidente da estatal. A divulgação costuma ser em
novembro.
Refinarias
De acordo com Magda Chambriard, a expansão da
produção de diesel pela Petrobras pode ser alcançada com uma série de ações já
em curso.
Uma delas é a expansão da Refinaria Abreu e Lima
(Rnest), em Ipojuca, região metropolitana do Recife. Magda explicou que a
refinaria foi projetada para entregar 230 mil barris de diesel por dia, mas com
ampliações e renovações chegará a 300 mil barris diários.
Outro ponto de ação é o aumento de produção de Refinaria
Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, que, associada ao Complexo de
Energias Boaventura (antigo Comperj), terá a capacidade atual de 240 mil barris
por dia alçada para cerca de 350 mil.
A presidente da Petrobras informou que a busca por mais
produção está sendo feita em todas as refinarias da empresa. Ela citou que, nas
quatro localizadas em São Paulo, estão sendo feitas adaptações nas plantas para
reduzir a produção de óleo combustível (usado em fornos, caldeiras e motores de
turbinas de termelétricas) e priorizar a entrega de diesel.
“Diesel é o combustível mote do desenvolvimento nacional.
A gente aumentando [a produção de] diesel, a gasolina vem junto, os dois
principais produtos Petrobras”, afirmou.
Preço do diesel
Do início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, até a
semana terminada em 22 de março (dado mais recente), o preço do óleo diesel S10
(menos poluente) subiu cerca de 23% no país, de acordo com o painel de
acompanhamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e
Biocombustíveis (ANP), órgão regulador do setor.
No último dia 14, a Petrobras colocou em prática
um reajuste de R$ 0,38.
O governo tomou medidas para frear a alta, como a
zeragem das alíquotas dos dois tributos federais que incidem sobre o
combustível (PIS e Cofins), além de subvenção (espécie de reembolso) para
produtores e importadores do óleo.
Há ainda negociações para que, junto dos estados, o Poder
Público aplique subsídio de R$ 1,20 por litro do combustível.
Nesta quarta-feira, outro combustível vendido pela
Petrobras, o querosene de aviação (QAV), sofreu reajuste de 55%. O QAV
responde por cerca de 30% do custo das companhias aéreas.
Guerra e petróleo
O conflito no Oriente Médio acontece em uma
região que concentra países produtores de petróleo e rotas estratégicas, como o
Estreito de Ormuz ─ por onde passam 20% da produção mundial ─, o que levou
distorções à cadeia de petróleo e escalada de preços no mercado global.
Nesta quarta-feira, o preço do barril tipo Brent
(referência internacional de preço) está sendo negociado pouco acima de US$ 101
(cerca de R$ 520). Antes da guerra, o óleo era cotado perto de US$ 70.
Fonte: Agência Brasil