Sábado, 16 de Maio-(05) de 2026
Dados do IBGE mostram que mais de 21 mil crianças e
adolescentes paraibanos já possuem diagnóstico de TEA; especialista da Afya
alerta para sinais precoces e desafios no acesso ao tratamento
O aumento no número de diagnósticos de Transtorno do
Espectro Autista (TEA) em crianças tem chamado a atenção de famílias, escolas e
profissionais de saúde em todo o país. Na Paraíba, os dados mais recentes do
Censo 2022, divulgados pelo IBGE, apontam que 46.560 pessoas possuem
diagnóstico de autismo no estado, o equivalente a 1,2% da população. Desse
total, 21.180 são crianças e adolescentes de até 14 anos.
A maior incidência foi registrada entre crianças de 5 a 9
anos, principalmente entre os meninos. Nessa faixa etária, 4,7% da população
masculina declarou ter diagnóstico de TEA.
Segundo o médico e coordenador do curso de pós-graduação de
neuropediatria da Afya Educação Médica, André Felício, o crescimento dos
diagnósticos está diretamente relacionado ao maior conhecimento sobre o
transtorno e à ampliação dos critérios diagnósticos.
“Hoje conseguimos identificar casos mais leves, que
anteriormente poderiam passar despercebidos. Além disso, escolas, famílias e
pediatras estão mais atentos aos sinais precoces”, explica o especialista.
Entre os principais sinais de alerta observados nos
primeiros anos de vida estão atraso ou dificuldade na fala, pouco contato
visual, ausência de resposta ao nome, dificuldade de interação social,
comportamentos repetitivos e interesse restrito por determinados objetos ou
temas. Algumas crianças também podem apresentar maior sensibilidade a sons,
texturas e mudanças de rotina.
Como o autismo se manifesta de formas diferentes em cada
criança, André Felício reforça a importância da observação contínua por parte
da família e da escola. Quanto mais cedo houver suspeita e encaminhamento para
avaliação, maiores são as possibilidades de intervenção adequada.
“O diagnóstico precoce permite iniciar intervenções
terapêuticas em uma fase de maior plasticidade cerebral, o que pode trazer
ganhos importantes no desenvolvimento da comunicação, interação social,
autonomia e aprendizado”, destaca o professor.
Apesar do avanço na identificação dos casos, muitas famílias
ainda enfrentam dificuldades para acessar atendimento especializado,
principalmente fora dos grandes centros urbanos. Entre os principais desafios
estão o alto custo do tratamento, longas filas de espera e a necessidade de
acompanhamento multiprofissional contínuo.
Um levantamento nacional divulgado em 2026 pela Agência
Brasil mostrou que o acesso ao diagnóstico e às terapias ainda é limitado no
país, especialmente na rede pública de saúde.
Na Paraíba, o Ministério da Saúde anunciou em 2025 um
investimento anual de R$ 2,2 milhões para fortalecer o atendimento a pessoas
com TEA no estado, incluindo a ampliação da Rede de Cuidados à Pessoa com
Deficiência em Campina Grande.
Outro ponto que tem gerado debate entre especialistas é o
impacto do uso excessivo de telas na infância. Embora o excesso de exposição
possa prejudicar o desenvolvimento da linguagem, da atenção, do sono e das
habilidades sociais, o neuropediatra reforça que telas não causam autismo.
“No entanto, em crianças que já possuem dificuldades de
comunicação ou interação, o excesso de exposição pode acabar intensificando
alguns sintomas ou atrasando ainda mais habilidades sociais e linguísticas”,
afirma André Felício.
A recomendação dos especialistas é priorizar atividades
presenciais, brincadeiras, convivência familiar e limitar o tempo de exposição
aos dispositivos eletrônicos, especialmente nos primeiros anos de vida.
Sobre a pós-graduação em Neuropediatria da Afya Educação
Médica
Coordenado pelo médico neuropediatra André Felício, o curso
de pós-graduação em Neuropediatria da Afya Educação Médica é voltado para
médicos que desejam aprofundar conhecimentos no diagnóstico e tratamento das
principais doenças neurológicas da infância e adolescência.
A especialização aborda temas como Transtorno do Espectro
Autista (TEA), TDAH, epilepsias, distúrbios do sono, doenças neuromusculares e
desenvolvimento neuropsicomotor, aliando teoria e prática clínica.
Por: Vivass Comunicação