Segunda-feira, 09 de março-(03) de 2026
Físico Élcio Abdlla
reforçou que telescópio BINGO, localizado na cidade do Aguiar, no Sertão da
Paraíba, funciona apenas com apoio tecnológico chinês.
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| Coordenador nega base militar chinesa em telescópio no Sertão da PB após relatório dos EUA - Foto: Divulgação/Secom-PB |
"Não tem nada a ver com aplicação
militar e os chineses estão nisso numa aplicação puramente científica. Os meus
colegas chineses, não fazem nenhuma afirmação do ponto de vista militar",
disse Élcio.
Sobre a participação chinesa no projeto, Élcio Abdalla
disse que apenas três pesquisadores de unversidades do país asiático fazem
parte da cúpula de comando e que o governo chinês entra apenas como apoio
tecnológico e dos pesquisadores e que "se houver alguma influência, é uma
influência brasileira".
“Os chineses fazem parte do projeto porque
são cientistas. São três pesquisadores: um deles é um que atua em duas
universidades chinesas. Há também um outro que trabalha basicamente na região
ao norte de Xangai. Ele coordena dois grupos em universidades diferentes e é
meu amigo pessoal e parceiro de pesquisas há muitos anos ,cerca de três
décadas. Há 30 anos fazemos ciência juntos e orientamos estudantes em conjunto.
Os outros dois participaram como estudantes: um hoje é professor no Observatório
de Xangai, ou seja, é astrônomo, e o terceiro é um físico que também foi aluno
do professor”, explicou.
Outro ponto em que a China faz parte no
projeto é o dos equipamentos que compõem a estrutura. Élcio Abdalla contou que
o telescópio foi projetado com foco na montagem em território brasileiro.
Várias peças vieram do país da Ásia.
Entre as partes enviadas da China estão os
espelhos primário e secundário e as torres das cornetas, que são componentes
centrais do radiotelescópio. As estruturas viajaram em contêineres e foram
testadas e certificadas antes do embarque.
Tecnologia
pode servir para segurança e mapeamento
O coordenador disse também que uma das
tecnologias do radiotelescópio pode ser usada para outros fins, inclusive de
mapeamento de florestas brasileiras e segurança.
Essa tecnologia em questão é chamada de
Phased array, que é um conjunto de antenas para, no caso, serem apontadas para
o céu e conseguir dados sobre a energia escura e a matéria escura. Mas essas
antenas podem ser usadas no mapeamento e outras finalidades.
"Tecnicamente isso pode ser usado para
outras coisas e de fato nós queremos usar como radares, por exemplo, não para
vender para ninguém. Os chineses sabem fazer isso, eles sabem fazer essas
coisas. Eles não precisam de nós. Para que nós queremos radares? Bom, para
cuidar dos céus da Amazônia. Isso é um projeto brasileiro para auxiliar a fazer
a guarda de locais brasileiros. Nós podemos guardar toda a Amazônia e toda a
atividade ilegal, uma centena desses pequenos radares, se nós conseguirmos
reproduzi-los de modo apropriado", disse.
Essa tecnologia ainda, segundo Élcio
Abdalla, pode ser colocada em aviões para auxiliar nesse mapeamento ou até
mesmo em embarcações. Mas ele reforça, que nada dessas possíveis aplicações são
de espionagem ou uso militar.
"No nosso caso são pequenos objetos
que podem ir em pequenas embarcações para o interior da Amazônia. Essa é
aplicação mais simples que podemos ter. Colocados em aviões, podemos fazer uma
análise muito detalhada das florestas brasileiras, então isso é uma proteção
das nossas florestas", explicou
Ao Jornal da Paraíba, Élcio
Abdalla também contou sobre os novos prazos para que o telescópio comece a
funcionar. Ele explicou que inicialmente a previsão era começar em 2021, mas
isso não foi possível por conta da pandemia. Depois, o prazo foi para 2024 e,
posteriormente, com previsão de começar a operação ainda em 2026. O
funcionamento pleno será em 2027, conforme o coordenador.
Relatório
do congresso americano
O relatório, intitulado “Pulling Latin
America Into China's Orbit” (“Atraindo a América Latina para a Órbita da
China”, em tradução livre), cita instalações no Brasil, Argentina, Bolívia e
Chile que são vistas pelo comitê como suspeitas de terem uso duplo para a
inteligência militar.
O documento foi elaborado pelo Comitê
Especial sobre o Partido Comunista Chinês, do Congresso dos Estados Unidos,
presidido pelo deputado John R. Moolenaar, representante do estado de Michigan
e membro do Partido Republicano.
A Estação Terrestre de Tucano, na Bahia,
foi apontada pelo relatório como uma base militar chinesa não-oficial para
lançamentos especiais. Intitulada como 'Tucano Ground Station', a base é feita
pela Ayla ao lado da empresa aeroespacial chinesa Beijing Tianlian Space
Technology Co. Ltd. Seu desenvolvimento foi para analisar dados de satélites em
observação da Terra para monitoramento dentro do Brasil.
O corpo principal do radiotelescópio Bingo
foi enviado da China para o Brasil no dia 10 de junho de 2025. A estrutura saiu
do Porto de Tianjin, na China, e desembarcou no Porto de Suape, em Pernambuco,
após quase dois meses de transporte. Entre as partes enviadas estão os espelhos
primário e secundário e as torres das cornetas, que são componentes centrais do
radiotelescópio. As estruturas viajarão em contêineres e foram testadas e
certificadas antes do embarque.
O engenheiro sênior Wu Yang, do 54º
Instituto de Pesquisa da China Electronics Technology Group Corporation (CETC),
explicou que o telescópio foi projetado com foco na montagem em território
brasileiro.
“O telescópio adota uma estrutura dual com
deslocamento, sendo que cada seção possui uma forma única. A instalação no
Brasil será feita pelo lado brasileiro, o que exige um processo de montagem
simplificado”, afirmou Wu Yang.
O Governo da Paraíba estima um investimento
direito de R$ 20 milhões no projeto.
Por: Jornal da Paraíba