Quarta-feira, 04 de fevereiro-(02) de 2025
Matéria do Portal NewsPB
![]() |
| Diretora Jocelma Cabral |
A
publicação no Diário Oficial do Estado desta semana trouxe à tona um episódio
grave e perturbador que envolve a educação pública, a autonomia administrativa
e, sobretudo, o respeito aos princípios constitucionais. A diretora da Escola
Estadual Manoel Avelino de Paiva, localizada no distrito do Cajá, em Caldas
Brandão, Jocelma Cabral, foi exonerada do cargo mesmo tendo sido aprovada em
primeiro lugar em processo seletivo público para a função.
O
fato, por si só, já causa estranheza. Mas o contexto político que envolve a
exoneração torna a situação ainda mais alarmante.
Jocelma
Cabral é reconhecida na comunidade escolar por sua atuação técnica e pelo
mérito comprovado no processo seletivo. No entanto, também é aliada política do
prefeito de Caldas Brandão, Fábio Rolim, que recentemente fez críticas públicas
ao Governo do Estado durante participação em um podcast. Coincidência ou não,
após essas declarações. Pesa também o fato de o pedido de nomeação da gestora
ter sido intervido politicamente pelo deputado estadual Felipe Leitão, hoje na
oposição ao governo João Azevêdo.
O
desfecho veio agora, com a exoneração formalizada no Diário Oficial.
O
episódio levanta um questionamento grave: até que ponto critérios técnicos
estão sendo respeitados quando interesses políticos entram em cena? A
Constituição Federal é clara ao estabelecer os princípios da legalidade,
impessoalidade e moralidade na administração pública. Quando uma gestora aprovada
em seleção é afastada em meio a disputas políticas, esses princípios ficam
seriamente comprometidos.
A
escola pública não pode ser tratada como moeda de troca, nem a gestão
educacional pode ser usada como instrumento de retaliação política. A exoneração
de uma diretora selecionada por mérito, em um contexto de divergência política,
soa como perseguição — e assim está sendo percebida pela comunidade.
Mais
do que um ataque individual, o que se vê é um precedente perigoso: o recado de
que a competência pode ser descartada quando não há alinhamento político. Quem
perde com isso não é apenas a gestora exonerada, mas alunos, professores e toda
a população que acredita em uma educação pública justa, técnica e livre de
interferências partidárias,
Diante
dos fatos, cresce a cobrança por esclarecimentos do Governo do Estado. A
educação não pode ser palco de vinganças políticas. O respeito ao mérito e à
imparcialidade administrativa não é favor — é obrigação constitucional.
Por: NewsPB





























