Quinta-feira, 07 de Maio-(05) de 2026
Matéria da Agência Brasil
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| Mohamed_hassan/Pixabay |
Um levantamento realizado com cerca de 400 pacientes
atendidos em Unidades Básicas de Saúde (UBS) mostrou que 60% dos adultos com
asma apresentaram função pulmonar reduzida devido ao uso de tratamentos
defasados, como o uso de bombinhas de resgate. No caso das crianças, o índice
chegou a 33%.
Os dados foram revelados por uma pesquisa do Projeto
CuidAR, conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre (RS), em
parceria com o Ministério da Saúde.
A pesquisa demonstra que a maior parte das pessoas
atendidas na Atenção Primária à Saúde (APS) é medicada com tratamentos não
recomendados e, portanto, está sujeita a danos pulmonares significativos.
Os broncodilatadores de curta ação (SABA), conhecidos
como “bombinhas de resgate”, são usados como único medicamento para tratar
pessoas com asma por mais da metade dos pacientes consultados.
O principal problema das bombinhas, de acordo com as
diretrizes mundiais da Iniciativa Global para Asma (GINA, em inglês), é sua
ineficiência a longo prazo. Segundo a entidade, os SABA apenas mascaram a
inflamação, o que aumenta o risco de exacerbações graves e de mortalidade.
Estudo
De acordo com o estudo do Projeto CuidAR, os adultos que
apresentam função pulmonar reduzida não tiveram o dano revertido com a
aplicação de broncodilatadores durante a espirometria, teste que avalia a
capacidade pulmonar. O responsável técnico do estudo, pneumologista pediátrico
Paulo Pitrez, confirma esse cenário.
“Nosso estudo mostra que tanto crianças quanto adultos
começaram o teste de função pulmonar com o pulmão funcionando abaixo do
esperado antes de usar a bombinha. Após o remédio, um terço das crianças e a
maioria dos adultos não conseguiram normalizar a função pulmonar, o que sugere
que, em muitos casos, o dano ao pulmão já pode ser irreversível devido à falta
de tratamento adequado ao longo dos anos,” aponta Pitrez.
Atualmente, o tratamento recomendado para pessoas que têm
asma exige o uso de um broncodilatador de longa ação (LABA), combinado com
anti-inflamatórios de inalação. Contudo, Pitrez diz que grande parte das UBSs
segue utilizando métodos defasados que focam no alívio momentâneo da doença.
“É imperativo mudarmos esse paradigma, não só por meio da
implementação de estratégias preventivas e farmacológicas atualizadas no SUS,
mas também através da conscientização da população, que não deve ignorar a
gravidade da doença, principalmente em um cenário de longo prazo,” afirma o
médico.
O estudo também quantifica que a falta de tratamento
adequado afeta de forma negativa a vida da população com asma, que, no Brasil,
concentra aproximadamente 20 milhões de pessoas, segundo a Sociedade Brasileira
de Pneumologia e Tisiologia.
Ao longo dos últimos 12 meses, em média, 60% dos
pacientes analisados perderam dias de estudo ou trabalho devido à asma. O
absenteísmo atinge mais de 80% das crianças e adolescentes, e 50% dos adultos,
afetando o aprendizado e a produtividade.
Outro dado da pesquisa diz respeito à condição de saúde
da população com asma. Quase 70% dos participantes relataram três ou mais
crises recentes, quase metade precisou ir ao pronto-socorro e, entre esses, 10%
foram hospitalizados.
Segundo um estudo publicado no Jornal Brasileiro de
Pneumologia, a mortalidade pela doença também tem crescido, resultando em uma
média de seis mortes diárias no país.
Expansão do projeto
A pesquisa também propõe formas de reduzir as taxas de
hospitalização e a implementação de um novo tipo de exame nos hospitais do
Sistema Único de Saúde (SUS).
O estudo avalia a implementação de um dispositivo que
mede o pico de fluxo expiratório dos pacientes no serviço público de saúde. O
aparelho é chamado de Peak Flow e surge como uma alternativa
viável à espirometria tradicional.
Segundo os pesquisadores, o dispositivo é de fácil
manuseio e custa cerca de R$ 200, valor mais baixo que o do exame tradicional
completo, que chega a custar R$ 15 mil.
O Projeto CuidAR também procura reverter o quadro de
atendimento inadequado nas UBSs por meio da educação continuada de
profissionais da saúde.
Por: Agência Brasil