Domingo, 12 de julho-(07) de 2026
Matéria de Alana Gandra com Agência Brasil.
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Foto: Magnific/ilustrativa |
Janelas fechadas para se proteger do frio, viroses em
alta e o contato com cobertores e casacos guardados são alguns dos gatilhos que
podem complicar a vida das pessoas com asma no inverno, principalmente crianças
e adolescentes.
Para prevenir crises e o agravamento do quadro,
especialistas recomendam manter o tratamento em dia, para que a inflamação
permaneça controlada.
O coordenador da Comissão Científica de Asma da
Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Emilio
Pizzichini, disse que, no inverno, não é o frio que agrava a asma. Um dos
principais fatores que podem engatilhar crises é a maior circulação de vírus no
ambiente, que pode acarretar infecções nas vias respiratórias e atacar uma asma
que não esteja bem controlada.
“Se a asma não está bem tratada, bem controlada, o resfriado
ou a virose adicionam mais uma inflamação na via aérea da pessoa, nos
brônquios, e ela pode ter uma crise”, disse à Agência Brasil.
Pizzichini observou que o uso da medicação para o tratamento
adequado da asma deve ter atenção o ano inteiro, porque a maioria das asmas
precisa ser tratada continuamente. Vacinas contra viroses, como a Influenza
(gripe), a Covid e o vírus sincicial respiratório (VSR), também previnem
inflamações respiratórias mais graves, acrescenta ele.
“Quando a pessoa usa a vacina, diminui o risco de ter um
agravamento da inflamação da asma, ter uma crise e ser hospitalizada”.
Emilio Pizzichini descreveu que, no Brasil, existem cerca de
20 milhões de asmáticos que, normalmente, têm uma ou duas infecções
respiratórias por ano.
“A gente não tem um número de especialistas suficiente para
atender tudo isso. A infecção respiratória tem que ser tratada na atenção
primária, porque as crianças, às vezes, não fazem testes respiratórios para
saber se sintomas como o chiado são decorrentes da asma”.
Risco para crianças e adolescentes
Dados do Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde
(Datasus), levantados pela organização sem fins lucrativos Umane, mostram que
crianças e adolescentes de 0 a 14 anos responderam por 70,5% das internações
por asma em julho de 2024.
Naquele mês, houve 4.034 internações nessa faixa etária,
quase o dobro das 2.108 contabilizadas em janeiro.
O Datasus revela ainda que, durante o ano de 2024, o Brasil
registrou 52.087 internações por asma, sendo que crianças e adolescentes até 14
anos responderam por 73,7% do total.
A pneumologista Marcela Marques, do Atendimento
Multiassistencial de Saúde da Umane, explicou alguns cuidados que podem
minimizar as chances de uma crise de asma:
“A casa deve estar arejada, com o sol batendo, sem mofo ou
umidade, com cortinas limpas, sem brinquedos acumulados no quarto da criança,
nem bichos de pelúcia. Evitar cobertores e procurar usar mais edredom. E, em
vez de ficar varrendo a casa, os pais devem usar um pano úmido, só com água, ou
o aspirador”, recomendou.
Outro cuidado importante é evitar a proximidade de fumantes,
sejam de cigarro comum, cigarro eletrônico ou narguilé.
“O fumante passivo é um dos piores aspectos em relação às
crises de asma”.
A pneumologista lamentou que falta orientação dos serviços
de saúde para que as famílias iniciem logo o tratamento contra a asma, na
primeira internação, de modo a evitar que outras crises aconteçam. Quando o
paciente começa o tratamento com a medicação preventiva, novas internações se
tornam raras, afirma.
Ela argumenta ainda que, no momento em que a família passa a
ser orientada sobre quais são os gatilhos das crises, o que pode ocasioná-las,
e o que fazer quando o paciente inicia uma crise, é possível evitar idas
frequentes ao pronto-socorro.
“A família deve ser orientada sobre o plano de crise que
deve fazer e, se esse plano não der certo,, se for necessário, a procurar o
serviço médico”.
Aglomeração
O alergista e imunologista Pedro Giavina-Bianchi, do Departamento Científico de
Asma da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), acrescenta que,
no inverno, devido ao frio, as pessoas ficam mais tempo em lugares fechados,
mais aglomeradas, e isso propicia a transmissão dos vírus.
“Então, realmente, a gente tem um aumento da frequência, que
a gente chama de prevalência, de infecções virais, nessa época, e, por
consequência, acaba tendo mais crises de asma também”.
Ele recomendou que os asmáticos evitem, principalmente nesta
época do ano, o contato com pessoas que tenham quadros de resfriado ou gripe e
não deixem de tomar as vacinas.
“Não só a vacina de influenza, mas a vacina pneumocócica
também”.
O membro da Asbai sublinhou que o distanciamento social
funciona nessas ocasiões, como ocorreu durante a pandemia da Covid-19.
“A máscara previne a Covid e, também, a transmissão dos
outros vírus respiratórios, como rinovírus, influenza, entre outros”.
Por: * Alana Gandra/Agência Brasil