Sábado, 26 de Março de 2016.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
comparou-se ao general Vo Nguyen Giap, comandante do Exército do Povo do
Vietnã, emblemático estrategistas militar que fez tombar em batalha tropas
francesas, norte-americanas e chinesas, ao declarar "guerra" aos investigadores
da Operação Lava Jato - que investiga supostos crimes de corrupção, lavagem de
dinheiro e organização criminosa envolvendo o petista e sua família.
"É o seguinte meu filho eu tô com a seguinte tese: é
guerra, é guerra e quem tiver artilharia mais forte ganha", declara Lula,
em conversa por telefone com o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), monitorada com
autorização da Justiça Federal, do Paraná. O parlamentar responde ser aliado
nessa batalha. "Presidente estamos nessa guerra também, não tenho nada a
perder."
Os dois falam da persecução criminal em andamento em Curitiba
e em Brasília contra o ex-presidente Lula e pessoas ligadas a ele, incluindo
seus filhos. Os grampos foram autorizados pelo juiz federal Sérgio Moro - dos
processos em primeira instância da Lava Jato - na fase que antecedeu a Operação
Aletheia. Deflagrada em 4 de março, o ex-presidente foi o principal alvo.
Levado coercitivamente para depor, reagiu publicamente com ataques aos
investigadores, a quem classificou de "um bando de loucos".
Lula faz referência ao estrategista de guerra vietnamita:
"Você pode me chamar até de general Giap. Nós já derrotamos os americanos,
os chineses, os franceses e estamos para derrotar a Globo agora". O
ex-presidente e sua defesa têm atacado meios de comunicação, em especial a Rede
Globo. Além perseguição política, no grampo da Lava Jato o ex-presidente conta
ao senador ter conhecido o lendário general Giap. "Foi lá no Vietnã,
estava bem velhinho já, levei a Dilma (Rousseff) para conversar com ele."
Giap ficou conhecido como Napoleão Vermelho, foi considerado
herói nacional em busto histórico situado abaixo, apenas, do ex-presidente Ho
Chi Minh - o pai da independência vietnamita. Os dois se conheceram no exílio
no sudeste da China. No Vietnã, recrutaram guerrilheiros para a insurgência
vietcongue. Giap trabalhou como jornalista, antes de entrar para o Partido
Comunista Indochinês. "Vamos levar essa luta", responde o senador
petista - também alvo de investigação da Lava Jato e com o nome citado por delatores.
Jornal do Commércio

