Sábado, 16 de Abril de 2016.
Senador considera que a
situação do país é muito grave, que PSDB está pronto para contribuir com novo
governo, mas vai cobrar a continuidade das investigações da Lava Jato.
Cássio Cunha Lima
Cássio
lembrou que o professor e doutrinador Paulo Brossard definia o processo de
impeachment como "longo, traumático, duro e difícil", mas que chega
agora na reta final. "A Câmara estará autorizando o processo de
impedimento da presidente Dilma. Na segunda, o comunicado chega ao Senado. Na
terça é lido em plenário e o Senado instala a Comissão que vai também julgar a
admissibilidade e, para isso, basta maioria simples. E já existe essa maioria
simples para a abertura do processo", previu.
O senador
voltou a defender que a presidente da República cometeu, crime de
responsabilidade. "Ao final ela será afastada do mandato. Não adianta
dizer se ela honesta ou desonesta. O crime de responsabilidade é muito
específico, que tem uma pena própria e se restringe à perda do mandato e à
inelegibilidade por oito anos. Quando se diz que não tem crime, porque a
presidente não o praticou, é mais uma mentira. As mesmas mentiras que foram
ditas na campanha", frisou.
Cássio
lembrou que o próprio governo recorre ao Supremo Tribunal Federal (STF), que
reafirma a legalidade do processo e rechaça a ideia de golpe. "Não tem
golpe coisa nenhuma, porque o que está sendo feito é o cumprimento da lei, num
rito e num processo que foram determinados pelo Supremo Tribunal Federal. É a mesma
discurseira e verborragia que eles costumam usar, já com efeitos para a
campanha de 2018", disse.
Admitindo
a hipótese do pedido de impeachment ser derrotado na Câmara Federal, o senador
tucano prevê que a economia, "que já está numa posição crítica, vai
derreter. O dólar vai bater a R$ 5, a bolsa vai ao fundo do poço e o
desemprego dispara". Segundo ele, o que o Brasil "mais precisa nesse
instante é uma mudança de expectativa".
Cássio
considera que a situação do país é muito grave. "Estamos vivendo num país
de endemias. O governo não age. Os governos, aliás, não fazem nada com o
descaso da saúde pública. Fui à Itaporanga (município que fica na região do
Vale do Piancó, na Paraíba, a 429 quilômetros de João Pessoa) recentemente e as
pessoas estão morrendo. Praticamente a população inteira está contaminada com
dengue, zika ou chikungunya.
O senador
também avaliou que, em caso do pedido de abertura do processo de impeachment
for aprovado no plenário da Câmara Federal, o PSDB estará pronto para ajudar o
novo governo, mas vai cobrar posições firmes de Michel Temer. "O PSDB não
está em busca de cargos e nem atrás de emprego. Não abrimos mão do
prosseguimento das investigações da Lava Jato, do fim desse toma-lá-dá-cá. E o
PSDB vai participar de qualquer formação de governo, desde que seus valores
sejam respeitados e valorizados", afirmou.
Trecho da
entrevista o senador Cássio Cunha Lima foi ao ar no programa 'Correio Debate',
da TV Correio, nesta sexta-feira
à tarde. À noite, na RCTV, no '27 Segundos
Especial', com uma hora e meia, sobre o impeachment, a entrevista também será
exibida. Em primeira mão, você confere aqui no Portal Correio, na íntegra, as
declarações do senador e líder da oposição.
Líder da oposição no Senado Federal, o senador
Cássio Cunha Lima (PSDB), em entrevista exclusiva ao Portal Correio e a RCTV (canal por
assinatura do Sistema Correio de Comunicação), afirmou em Brasília, nesta
sexta-feira (15), que num caso de uma eventual derrota do pedido de abertura do
processo de impeachment não for aprovado na Câmara Federal a economia do país
vai "derreter". Ele comparou a situação atual a de um ônibus
desgovernado, que segue em direção a um precipício. "É preciso de alguém
para agir, frear esse ônibus e coloca-lo de novo no rumo certo", comentou. Veja vídeo abaixo.
Por Hermes de Luna para o Portal Correio

