Segunda-feira, 18 de Abril de 2016.
Partidos da base aliada do Palácio do Planalto, que fecharam questão
contra o impeachment, tiveram dissidências e deputados votaram contra a
presidente Dilma.
Votação do prosseguimento
do impeachment na Câmara
A votação no plenário da Câmara dos Deputados, que começou pouco
depois das 16h, neste domingo (17), foi concluída às 23h48 com a oposição já
atingiu os 367 votos para encaminhar ao Senado Federal a autorização para a
abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). A base
do governo foi traída por legendas que o Palácio do Planalto tinha como certas
contra o processo. O último voto para alcançar os 342 do quórum mínimo foi do
deputado pernambucano Bruno Araújo (PSDB-PE).
Ao final da sessão, o
presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), encerrou os trabalhos e
disse que encaminha ao Senado o processo ainda nesta segunda (18) ao presidente
do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL). Na sessão da Câmara foram
registradas 7 abstenções e duas ausências. No total, 511 deputados federais se
fizeram presentes. A sessão teve início às 14h, com os discursos dos líderes
partidários.
Partidos como o PDT, que fechou questão contra o impeachment, teve vários
deputados federais votando favoráveis à abertura do processo. O PR, também da
base do governo, votou quase à unanimidade contra o Palácio do Planalto.
Dos três ministros que deixaram os cargos para votar em defesa do mandato de
Dilma, apenas Mauro Lopes (PMDB-MG), que era titular da Aviação Civil, votou a
favor do impeachment.
O vice-líder do PT, Paulo Pimenta (SP), deu os primeiros sinais de que o
impeachment da presidenta Dilma Rousseff seria aprovado pelo plenário da Câmara
dos Deputados às 21h, quando admitiu que os governistas pretendem acionar o
Supremo Tribunal Federal (STF) para evitar o impedimento da presidenta.
A oposição já tinha conquistado pouco mais de 200 dos 342 votos necessários
para a aprovação da matéria, Paulo Pimenta, no Salão Verde, que nem partido nem
movimentos sociais reconhecerão um governo federal que terá à frente Michel
Temer, “um político com menos de 1% das intenções de voto” dos brasileiros; e
na vice-presidência Eduardo Cunha, “um réu da Lava Jato corrupto que abriu o
processo de impeachment para se salvar da cadeia”, disse o vice-líder do PT, ao
referir-se ao presidente da Câmara dos Deputados.
Segundo ele, a votação deste domingo “foi apenas a primeira etapa” de um
processo golpista em curso. “Não há nenhuma chance de um governo Temer-Cunha
ter legitimidade. É um governo ilegal, ilegítimo, vai mergulhar o país numa
profunda crise institucional, e isso deixará profundas cicatrizes na sociedade
brasileira”, disse o deputado ao admitir que o partido já possui uma estratégia
para o caso de o impedimento ser aprovado na Câmara.
“O STF não analisou o mérito e todos nós sabemos que não existe crime de
responsabilidade. Todos nós sabemos que a presidenta Dilma não praticou nenhum
crime. Vamos ao Senado, vamos ao STF e vamos às ruas com a convicção de que
esse processo é um golpe patrocinado por uma pessoa que deveria estar na
cadeia. Todos sabemos que não há nenhum, crime de responsabilidade. Sem
passarem pelo voto popular, Temer e Cunha não terão condições moral nem
política para governar o país. Dilma é vítima de um processo golpista
criminoso. Um golpe pode ter 20, pode ter 50 votos, pode ter 350 votos,
continua sendo um golpe.”, argumentou.
Segundo ele, caso Temer assuma a Presidência, ele terá dificuldades inclusive
para obter reconhecimento internacional. “O mundo, a imprensa internacional
hoje publica com destaque, jornais da Inglaterra, dos Estados Unidos, da
França, do mundo inteiro, alguns falam em uma gangue. Uma gangue de criminosos
julgando uma mulher honesta”, disse o vice-líder. “Não haverá reconhecimento
internacional”, completou.
Portal Correio






