Terça-feira, 19 de Abril de 2016.
Para um grupo de
seis senadores a solução para a crise política no Brasil é a realização de
eleições diretas para presidente e vice-presidente da República no dia 2 de
outubro deste ano. Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) deve ser
apresentada em até dois dias pelo grupo formado por João Capiberibe (PSB-AP),
Walter Pinheiro (Sem partido–BA), Randolfe Rodrigues (Rede–AP), Lídice da Mata
(PSB–BA), Paulo Paim (PT-RS) e Cristóvam Buarque (PPS-DF). Eles prometem
trabalhar intensamente para ganhar a adesão dos demais parlamentares.
—
Asseguro a vocês que a ideia é iniciar o processo para uma saída negociada da
crise. A crise pelo confronto não se resolve, essa é a conclusão a que nós
chegamos, de que é preciso uma saída pactuada — ressaltou Capiberibe.
Duração do mandato
De
acordo com a proposta, a duração do mandato desse próximo presidente seria
definida posteriormente em discussão no Senado e na Câmara dos Deputados. A
decisão seria sobre um mandato tampão ou um novo mandato, e ainda as condições
necessárias para esse governo.
— A
viabilidade vai ser de a gente votar isso na rua, envolver a sociedade, vários
setores, inclusive de posicionamento dos dois lados. Que o eleitor seja chamado
para dizer quem é ele quer que dirija os destinos da nação, buscando solução
para o povo brasileiro – explicou Pinheiro.
Impeachment
Os
senadores também deixaram claro que a PEC não interfere no andamento do
processo de impeachment da presidente da República, Dilma Rousseff. Eles contam
com o calendário arrastado até a deliberação final sobre o impedimento da
presidente e avaliam que o prazo até 2 de outubro é relativamente longo e
suficiente para a realização de novas eleições.
Também
no entendimento do grupo, qualquer decisão tomada pelo Senado sobre o
impeachment de Dilma não resolverá a crise. Pelo contrário, vai torná-la “mais
grave e aprofundar a divisão na sociedade”.
—
Esse é um bloco que na realidade não tem conforto numa proposta nem na outra
[Dilma ou Temer]. O que nós estamos propondo é exatamente a busca de diálogo
com os dois lados para pactuar uma saída para a crise — completou Walter
Pinheiro.
Responsabilidade
Para
o grupo, o governo de Dilma Rousseff tem total responsabilidade pela crise. Mas
os senadores também não veem legitimidade em Michel Temer e Eduardo Cunha para
assumir os cargos de presidente e, na prática, de vice.
— O
que vem das ruas claramente é a rejeição da chapa que venceu as eleições
presidenciais em 2014 [Dilma e Temer]. A melhor solução para esta crise, que é
uma crise excepcional, é uma solução excepcional: é devolver à soberania
popular a escolha dos novos mandatários da nação — afirmou Randolfe.
O
grupo também diz esperar que Dilma e Michel Temer apoiem a PEC para provar que
“não há uma sangria desatada correndo pelo poder”.
Brasil 247

