Sábado, 16 de Abril de 2016.
A calmaria na Esplanada dos Ministérios, na manhã de hoje (15),
contrastou com os discursos acalorados que eram proferidos na Câmara dos
Deputados contra e a favor do impeachment da
presidenta Dilma Rousseff. A Polícia Militar mantém o trânsito bloqueado desde
a zero hora e os servidores que chegaram para o trabalho precisaram recorrer
aos estacionamentos dos anexos, atrás dos edifícios sedes dos ministérios.
Enquanto a polícia faz a guarda no local previsto para receber as
manifestações, os grupos a favor e contra o impeachment se
concentram nos acampamentos do estacionamento do Estádio Mané Garrincha,
manifestantes contra, e no Parque da Cidade, manifestantes a favor.
A votação na Câmara deve ocorrer na noite de domingo (17) e a Esplanada
só deve ser liberada para carros após a dispersão dos manifestantes que vieram
a Brasília acompanhar a discussão e votação do processo de impeachment.
A
favor do impeachment
O escultor Maciel Joaquim, 34 anos, veio do Rio Grande do Sul há uma
semana e está acampado no Parque da Cidade. Ele espera mais pessoas a favor do impeachment, que vão chegar em caravana até
domingo, segundo afirmou. “Estar aqui é libertador. Muitas das pessoas que
estão aqui são pessoas que já não conseguem mais dormir à noite, tamanha a
gravidade do aparelhamento do estado e do jeito que a esquerda nos infiltrou”,
disse.
Ele está otimista
para participar das manifestações no fim de semana. “Lutamos muito para trazer
igualdade, para acabar com essa doutrina de esquerda e voltarmos a ser um povo
só”, disse.
Selma Vilela é
autônoma, viajou 19 horas de Minas Gerais até Brasília, e espera uma virada
para o país com o impeachment da presidenta Dilma. “Eu espero um país melhor,
espero a queda do governo e espero que nós consigamos mudar este país e acabar
com a corrupção e com esse desemprego que nos assola”, disse Selma, que ficou
desempregada há cerca de um ano. “Tenho certeza que foi por causa dessa crise.
Não só eu, como milhões de brasileiros”.
Contra
o impeachment
O acampamento no
estacionamento do Estádio Mané Garrincha conta hoje com mais de três mil
pessoas, segundo Rafaela Alves, da coordenação do Movimento Pequenos
Agricultores e uma das coordenadoras do acampamento da Frente Brasil Popular,
grupo que defende a permanência da presidenta Dilma Rousseff no governo. Ela
explica que, até domingo, 50 mil pessoas devem estar no acampamento e a
expectativa é mobilizar 200 mil pessoas nas ruas do Distrito Federal.
“Nosso grande
objetivo é articular os trabalhadores na luta contra o golpe e pela
democracia”, disse Alves, que veio do Ceará para ajudar na coordenação do
acampamento.
Para a coordenadora, o muro instalado no meio do gramado da Esplanada dos
Ministérios apenas materializou a divisão de classes, “porque ela sempre
existiu”. “A luta do povo trabalhador não é de hoje, a luta por democracia não
é de hoje, nós não esquecemos o golpe de 1964, sabemos exatamente o que
significou a ditadura militar que matou e torturou em nome de um projeto de
sociedade diferente. O projeto que nós defendemos é um projeto de vida, de
soberania, de dignidade, de justiça, de divisão do poder e da renda, que não
deve estar concentrada na mãos de poucos”, disse Rafaela.
O motorista de ônibus
Harley Davidson, de 36 anos, veio de Natal para Brasília para defender a
permanência de Dilma na presidência. “Viemos com o objetivo de lutar pela
democracia. Entendemos que a presidenta Dilma foi eleita pelo voto da maioria,
que deve ser respeitado, e acreditamos que vamos conseguir defender o mandato
dela até 2018”, disse.
Agência Brasil

