Domingo, 17 de Abril de 2015.
Há apenas
dois dias, o presidente da Câmara foi alvo de mais um denúncia. Em sua delação
premiada, o empresário Ricardo Pernambuco, dono da Carioca Engenharia,
confessou ter pago a ele uma propina de R$ 52 milhões, em 36 parcelas (leia
mais aqui).
Neste
domingo, será Cunha, um dos políticos mais corruptos da história do País, o
regente de um espetáculo grotesco. Depois de definir as regras a seu
bel-prazer, marcando uma votação de impeachment para uma tarde de domingo sem
futebol, ele poderá liderar o afastamento da presidente Dilma Rousseff, que
teve 54 milhões de votos e é reconhecida como honesta até por seus adversários.
Num mundo
normal, Cunha já teria sido afastado por seus pares, na Câmara, ou pelo Supremo
Tribunal Federal. Mas, como bem definiu a Organização dos Estados Americanos,
tudo está ao contrário no Brasil. São os corruptos que julgam a presidente
honesta, tese que foi estampada nos mais respeitados jornais do mundo, como New
York Times, El Pais, Guardian, Independent e Washington Post (leia mais aqui sobre a reportagem do NYT).
De onde
vem, portanto, a força de Cunha? De um lado, ele se aliou aos derrotados na
eleição presidencial de 2014, como o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que estarão
para sempre associados a um movimento golpista liderado por um corrupto. De
outro, ao que tudo indica, os esquemas Cunha não arrecadavam recursos apenas
para o deputado, mas sim para toda uma bancada mantida por ele.
Ontem, o
deputado Silvio Costa tocou na ferida, ao dizer que o parlamento brasileiro tem
medo da maior de todas as delações premiadas: a de Eduardo Cunha. É daí que vem
a sua força, que pode ser capaz de destruir a democracia brasileira.
Brasil 247

