Quinta-feira, 02 de março de 2017
O empresário Marcelo Odebrecht
confirmou nesta quarta-feira à Justiça Eleitoral o pagamento do publicitário
João Santana, responsável pela campanha de Dilma Rousseff à presidência em
2014, com recursos de caixa dois acertados com o então ministro da Fazenda,
Guido Mantega, informou à Reuters uma fonte que teve acesso à trechos das
declarações dadas nesta quarta-feira.
Ao final de seu depoimento, Marcelo Odebrecht afirmou que não
tinha como dizer “com certeza” se Dilma e Temer sabiam das negociações e de
“qualquer ilicitude nas doações”.
As declarações foram prestadas em Curitiba à Corregedoria-Geral
da Justiça Eleitoral no processo em que o PSDB pede a cassação da chapa
Dilma-Temer na eleição presidencial de 2014.
O ex-presidente da Odebrecht, que firmou acordo de delação
premiada com a Lava Jato, afirmou, segundo trechos do depoimento repassados à
Reuters, que o governo petista, ainda na gestão do ex-presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, teria negociado com a empresa duas “contrapartidas” por uma
medida provisória negociada por Mantega ainda em 2009 e que beneficiaria a
empresa.
Os recursos não teriam sido usados na campanha de 2010 e teriam
ficado como um crédito para uso posterior no valor de R$ 50 milhões.
Em 2013, Mantega teria negociado um apoio “espontâneo” à campanha
de 2014 e que os valores totais, somados todos os créditos, seriam de R$ 300
milhões, para serem usados em caixa dois. Marcelo Odebrecht negou que os
recursos fossem propina para que a empreiteira conseguisse negócios ou obras
com o governo.
Ainda no depoimento, Mantega pediu a Odebrecht que pagasse uma
dívida com João Santana, sem especificar se eram dívidas de campanha, o que foi
feito. O empresário alega não lembrar o valor exato, mas afirmou que se tratava
de algo entre R$ 20 milhões e R$ 40 milhões em pagamentos “não oficiais”, ou
seja, caixa dois.
Odebrecht
confirma jantar com Temer
No mesmo depoimento, Marcelo Odebrecht –que está preso em
Curitiba, condenado por corrupção ativa e lavagem de dinheiro na operação Lava
Jato– confirmou um jantar com Temer, no Palácio do Jaburu, onde foi tratado de
contribuições para a campanha do então vice-presidente, mas garantiu que o tema
foi tratado “de forma genérica” e não houve um pedido de doação direto feito
por Temer.
O jantar e o pedido de doações foram relatados pelo ex-diretor
de Relações Institucionais da Odebrecht Claudio Melo Filho em delação premiada
dentro da operação Lava Jato.
Na semana passada, em nota oficial, Temer afirmou que como
presidente do PMDB, “pediu auxílio formal e oficial à Construtora Norberto
Odebrecht” e não autorizou que “nada fosse feito sem amparo nas regras da lei
eleitoral”.
A nota foi motivada por entrevistas do advogado José Yunes,
amigo pessoal de Temer, que confirmou ter recebido um pacote do doleiro Lucio
Funaro em seu escritório a pedido do agora ministro da Casa Civil, Eliseu
Padilha.
A história da entrega foi revelada pelo ex-diretor da Odebrecht,
que alegou ter mandado entregar 1 milhão no escritório de Yunes. O advogado
nega que soubesse se tratar de dinheiro.
UOL

