Terça-feira, 30 de dezembro-(12) de 2025
Matéria do G1 e Globo News
Os
Correios detalharam nesta segunda-feira (29) o plano de reestruturação da
empresa, que prevê corte de R$ 2 bilhões em gastos com pessoal, venda de
imóveis e o fechamento de mil agências – atualmente os Correios têm cerca de 5
mil unidades.
A empresa vai implementar um
programa de demissão voluntária (PDV) e espera, em até 2 anos, reduzir em 15
mil o número total de funcionários, o que representaria um corte de 18% na
folha de pagamentos.
O PDV é um pacote de incentivos
oferecido por uma empresa para que seus funcionários peçam demissão por vontade
própria. Diferente de uma demissão comum, o PDV funciona como um acordo. Para a
empresa, é uma forma de reduzir custos ou reestruturar o quadro de funcionários
sem o impacto negativo de demissões em massa.
O detalhamento do plano de
reestruturação foi apresentado durante entrevista coletiva em Brasília pelo
presidente da estatal, Emmanoel Rondon, que afirmou que o modelo
econômico-financeiro dos Correios deixou de ser "viável".
O plano de reestruturação
elaborado tem o objetivo de reverter os 12 trimestres seguidos de prejuízos.
Entre as medidas preparadas, está
a tomada de empréstimo de R$ 12 bilhões junto a instituições financeiras
bancárias.
De acordo com Rondon, o Banco do
Brasil, a Caixa Econômica Federal e o Bradesco vão aportar R$ 3 bilhões cada.
Itaú e Santander vão emprestar outros R$ 1,5 bilhão, cada um.
Segundo os Correios, R$ 10
bilhões do crédito contratado entrarão no caixa da empresa até quarta-feira
(31). A empresa espera receber o restante em janeiro de 2026.
A proposta detalhada nesta
segunda visa recuperar a saúde financeira da empresa em 2026 para que possa
voltar a ter lucro a partir de 2027. Para isso, os Correios esperam:
• redução em R$ 2,1 bilhões nos
custos com pessoal
• vender R$ 1,5 bilhão em imóveis
não operacionais
• redução de mil pontos de venda
deficitários
• reformulação do plano de saúde
para reduzir o custo em R$ 500 milhões anuais.
Em setembro, a empresa anunciou o
resultado do primeiro semestre de 2025 e apresentou um prejuízo de R$ 4,3
bilhões. Em 2024, o prejuízo no mesmo período tinha sido de R$ 1,3 bilhão.
O presidente dos Correios afirmou
que "a rota precisa ser ajustada rapidamente" para evitar um possível
prejuízo de R$ 23 bilhões para o ano de 2026. "Não tem mudança substancial
em 2025 que vá afetar este ano. A expectativa é que ainda exista uma leve piora
para 2026", afirmou Rondon.
Empréstimo
de R$ 12 bilhões
Um dos principais pontos do plano
é a tomada de empréstimo de R$ 12 bilhões para quitar dívidas e aliviar o caixa
da empresa que vem sofrendo com falta de recursos.
A assinatura do contrato foi
publicada no sábado (27), no Diário Oficial da União (DOU), e envolve um
consórcio com os bancos Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa
Econômica Federal.
O acordo tem validade até 2040 e
conta com garantia da União, o que significa que o governo federal dá respaldo
à operação e reduz o risco para as instituições financeiras que concederam o
crédito. O contrato prevê um prazo de carência de 3 anos e pagamentos mensais a
partir de dezembro de 2029.
O empréstimo bilionário foi
autorizado pelo Tesouro Nacional na semana passada e faz parte do plano de
reestruturação dos Correios, após cinco bancos apresentarem proposta de
financiamento.
Com o aval do Tesouro, o governo
federal deve honrar as parcelas do pagamento caso os Correios fiquem
inadimplentes, ou seja, se a estatal não pagar. Trata-se de uma garantia
adicional para os bancos que concederam o crédito.
Durante a coletiva, o presidente
dos Correios não descartou o planejamento da empresa de tomar mais R$ 8 bilhões
emprestados de instituições financeiras.
A ideia inicial da estatal era a
tomada de um empréstimo de R$ 20 bilhões, que não foi autorizado pelo Tesouro
Nacional em função da alta taxa de juros que havia sido proposta.
"O plano de reestruturação
foi concebido com uma necessidade declarada de captação de recursos da ordem de
R$ 20 bilhões. Então, a gente fez uma primeira rodada com bancos, recebemos
oferta dos R$ 20 bilhões, mas uma taxa que a gente entendeu que estava mais
elevada do que a gente precisava", afirmou Rondon.
Por: G1/Vídeo: Globo News

