Quarta-feira, 18 de fevereiro-(02) de 2025
Pesquisadores apontam que a
microrganismo pode causar danos caso venha a escapar do gelo
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| (Reprodução/Paul V.I/Academia Romena) |
Cientistas da Academia Romena
identificaram uma superbactéria que ficou congelada por cerca de 5 mil anos na
Caverna de Scarișoara, na Romênia.
Uma amostra foi submetida a testes com
10 antibióticos de uso comum, incluindo medicamentos usados no tratamento de
tuberculose, colite e infecções do trato urinário.
Os resultados impressionam:
apesar de existir há cinco milênios, a cepa é resistente a
todos antibióticos testados. Os pesquisadores alertam que a
bactéria pode causar danos preocupantes caso venha a escapar do gelo, uma
possibilidade que aumenta com as mudanças climáticas.
“A
cepa bacteriana Psychrobacter SC65A.3 isolada da Caverna de Gelo de Scarisoara,
apesar de sua origem antiga, apresenta resistência a múltiplos antibióticos
modernos e carrega mais de 100 genes relacionados à resistência”, afirma
Cristina Purcarea, autora do estudo.
“Se o
derretimento do gelo liberar esses micróbios, esses genes poderão se espalhar
para as bactérias modernas, agravando o desafio global da resistência a
antibióticos”, acrescenta.
Adaptação a
ambientes frios
Durante
o estudo, a equipe buscou tentar entender de que maneira as bactérias
conseguiram se adaptar a ambientes extremamente frios.
Para
isso, foi perfurado um núcleo de gelo com 25 metros de profundidade,
equivalente a cerca de 13 mil anos de formação, em uma área da Caverna de Gelo
de Scarișoara.
Para
evitar contaminação, os fragmentos de gelo foram colocados em sacos estéreis e
mantidos congelados. Já no laboratório, os pesquisadores isolaram diversas
cepas bacterianas e realizaram o sequenciamento de seus genomas, a fim de
identificar quais genes possibilitam a sobrevivência da cepa em condições de
gelo.
Segundo
os pesquisadores, a cepa mais interessante recuperada é a Psychrobacter
SC65A.3, uma cepa do gênero Psychrobacter. Pesquisas
anteriores já haviam demonstrado que outras cepas desse gênero também causam
infecções em humanos e animais.
Teste de
resistência
Para
testar a resistência da Psychrobacter SC65A.3, os
pesquisadores a colocaram em contato com 28 antibióticos de 10 classes que são
usados por humanos em tratamentos contra infecções do trato urinário, infecções
pulmonares, de pele, sanguíneas ou do sistema reprodutivo.
A
partir daí, se constatou que a bactéria era resistente a todos os medicamentos,
incluindo trimetoprima, clindamicina e metronidazol.
“Os
10 antibióticos aos quais encontramos resistência são amplamente utilizados em
terapias orais e injetáveis para tratar uma série de infecções bacterianas
graves na prática clínica”, afirmou Purcarea.
Um
segundo teste envolveu o sequenciamento do genoma da bactéria. Nessa etapa,
foram encontrados 11 genes capazes de matar ou impedir o crescimento de outras
bactérias. Também foram descobertos quase 600 genes com funções desconhecidas.
Segundo
os especialistas, isso sugere que a superbactéria utiliza uma “fonte ainda
inexplorada para a descoberta de novos mecanismos biológicos”.
Embora
a maior parte das pandemias tenha sido provocada por vírus,
cientistas já alertaram que a próxima pode ser desencadeada por uma bactéria
resistente a antibióticos.
“Essas
bactérias ancestrais são essenciais para a ciência e a medicina. O cuidado no
manuseio e as medidas de segurança em laboratório são fundamentais para mitigar
o risco de disseminação descontrolada”, aponta Purcarea.
Por: R7

