Segunda-feira, 23 de fevereiro-(02) de 2026
Matéria da Band.com
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| Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil |
Após ter
sido um dos principais vilões da inflação em 2025, o preço da energia elétrica
volta ao centro das preocupações para 2026. Com a possibilidade de um verão
mais seco e reservatórios abaixo da média histórica, especialistas alertam que
a conta de luz pode subir acima da inflação no próximo ano.
Projeções
de consultorias e bancos apontam reajustes entre 5,1% e 7,95% nas tarifas
residenciais, enquanto o mercado financeiro estima IPCA em torno de 3,95%,
segundo o boletim Focus do Banco Central do Brasil. Na prática, isso significa
que a energia elétrica pode pesar novamente no orçamento das famílias.
Levantamento
publicado pelo jornal O Globo aponta que, em cenário mais pressionado, a alta
pode chegar perto de 8%, considerando reajustes das distribuidoras, impostos,
encargos setoriais e eventuais cobranças extras por meio das bandeiras
tarifárias.
Verão seco e risco de bandeira vermelha
O
principal fator de risco para 2026 é o clima. A transição do fenômeno La Niña
para o El Niño pode alterar o regime de chuvas, especialmente nas regiões Norte
e Nordeste, reduzindo o volume de água nos reservatórios das hidrelétricas.
Quando o
nível dos reservatórios cai, o sistema elétrico precisa acionar usinas
termelétricas, que produzem energia a um custo mais elevado. Esse gasto
adicional é repassado ao consumidor por meio das bandeiras tarifárias — verde,
amarela e vermelha (patamares 1 e 2).
Atualmente,
vigora a bandeira verde, sem cobrança extra. No entanto, especialistas alertam
que, se o período seco for mais intenso, o país pode voltar a operar com
bandeira vermelha patamar 2, o que elevaria significativamente a conta de luz. Em
um cenário mais adverso, a alta anual poderia chegar a dois dígitos.
Dados
recentes do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) indicam que os
reservatórios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste estão acima de 50% de
armazenamento, nível considerado confortável para o início do ano. Ainda assim,
o órgão mantém monitoramento constante das condições hidrológicas,
especialmente na Região Sul e na bacia do Rio Paraná.
O que pode aliviar a conta de luz?
Entre os
fatores que podem conter a alta estão um regime de chuvas mais favorável, menor
demanda por energia e maior participação de fontes renováveis no sistema.
Além
disso, o governo pode utilizar recursos provenientes da renovação antecipada de
concessões do setor elétrico para reduzir a CDE e, consequentemente, as tarifas
ao consumidor.
Ainda
assim, o comportamento do clima será decisivo. Caso o verão de 2026 confirme um
cenário mais seco e obrigue o acionamento prolongado de térmicas, a conta de
luz pode voltar a figurar entre os principais focos de pressão sobre a inflação
e o orçamento das famílias brasileiras.
Por: Band.com

