Sábado, 21 de fevereiro-(02) de 2026
Na sentença, juiz argumentou que o grupo Braiscompany tem os
donos presos e condenados há mais de 1 ano e sedes abandonadas.
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| Justiça da Paraíba decreta falência da Braiscompany após golpe de mais de R$ 1 bilhão Foto: Divulgação/Braiscompany. |
O juiz Cláudio Pinto, da Vara de Feitos Especiais
de Campina Grande, decretou a falência da Braiscompany e de três outras
empresas que fazem parte do grupo, que
estão envolvidas em golpes somados de mais de R$ 1 bilhão. As
informações foram obtidas a partir do documento da sentença que o Jornal da Paraíba teve acesso.
A sentença, assinada em 6 de fevereiro, se
baseia em alguns pontos, entre eles o fato de Antônio Neto Ais e Fabrícia
Cândido, casal dono da empresa, terem
sido condenados por crimes contra o sistema financeiro e estarem presos na
Argentina.
O juiz também pontuou que as sedes das
empresas estão fechadas e desativadas, além de haver mais de 5 mil ações
judiciais contra o grupo no país. A sentença ressaltou que abandono das
atividades do conglomerado sem deixar representante ou recursos para pagar
credores, caracterizando ato típico de falência.
A falência foi decretada para as seguintes
empresas:
• Braiscompany Soluções Digitais e
Treinamentos Ltda;
• Braistech Centro de Inovação e Tecnologia
Ltda;
• Brais Games Software Ltda;
• Brais Holding Participações Ltda.
A decisão determina a coleta de todos os
bens, livros e documentos das empresas, além da lacração dos estabelecimentos,
para preservar o patrimônio da massa falida. Também foi ordenada a suspensão
das ações e execuções contra as empresas, centralizando a cobrança no processo
falimentar (procedimento para organizar a liquidação do patrimônio da empresa e
distribuir o que for arrecadado entre os credores).
Os representantes legais devem apresentar
também a relação de credores da Braiscompay em até 10 dias. Após isso, erá
publicado edital com prazo de 15 dias para habilitação de créditos e 10 dias
para impugnações.
Com a decretação da falência, o juiz
determinou um prazo de 90 dias que pode permitir a revisão de atos praticados
pelas empresas que tenham prejudicado credores. Uma outra empresa foi nomeada
administradora judicial da massa falida da Braiscompany. Essa empresa deverá assumir
formalmente o encargo, apresentar proposta de honorários e conduzir a
arrecadação dos bens.
Junta Comercial, Receita Federal,
Ministério Público Federal e Fazendas Públicas vão ser comunicados formalmente
sobre a falência para que nos registros dos órgãos conste a informação.
O pedido de advogados que
entraram com a ação para a falência da Braiscompany foi realizado em 2024.
O advogado Bernardo Ferreira, que protocolou a ação, comentou que a decisão
"foi um passo importante no sentido de satisfazer os débitos da
empresa" e que "existem passos a serem passos dados no
processo", mas que "essa é a "única forma de "se alcançar
um dia algum ressarcimento aos credores da empresa".
Entenda
o caso
Antônio Inácio da Silva Neto, mais
conhecido como Antônio Ais, e a esposa, Fabrícia Farias, sócios da empresa de
criptoativos Braiscompany, foram presos no dia 29 de fevereiro, na cidade de
Escobar, na Argentina. Em dezembro, a Justiça da Argentina autorizou a
extradição de Antônio Neto e Fabrícia Farias.
Ainda não há data definida para o retorno
deles. O tribunal argentino também registrou que período de detenção de Antonio
Neto Ais deverá ser computado no processo brasileiro. Os dois devem ser
extraditados para o Brasil, para o cumprimento das penas, que, somadas, chegam
a 150 anos de reclusão.
O casal desviou cerca de R$ 1,11 bilhão e
fez mais de 20 mil clientes como vítimas na captação de investimentos para a
Braiscompany. A sede da empresa ficava estabelecida em Campina Grande.
A empresa, idealizada pelo casal, era
especializada em gestão de ativos digitais e soluções em tecnologia blockchain.
Os investidores convertiam seu dinheiro em ativos digitais, que eram “alugados”
para a companhia e ficavam sob a gestão dela pelo período de um ano. Os
rendimentos dos clientes representavam o pagamento pela locação dessas
criptomoedas.
A Braiscompany prometia um retorno
financeiro ao redor de 8% ao mês, uma taxa considerada irreal pelos padrões
usuais do mercado. Milhares de moradores de Campina Grande investiram suas
economias pessoais na empresa, motivados pelo boca a boca entre parentes,
amigos e conhecidos.
Por: Jornal da Paraíba

