Quinta-feira, 19 de fevereiro-(02) de 2025
Matéria da BAND.COM
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| Imagem: Tânia Rego / Agência Brasil |
A escolha
do nome de um filho é uma das primeiras e mais duradouras responsabilidades dos
pais, mas, no Brasil, a criatividade muitas vezes ultrapassa as fronteiras do
convencional. Dados do Censo 2022, compilados na base “Nomes do Brasil” do
IBGE, revelam registros inusitados que vão de itens gastronômicos a termos do
cotidiano urbano. Se alguém gritar por “Picanha”, “Farofa”, “Pizza”, “Bife” ou
“Macarrão”, encontrará cidadãos devidamente registrados com esses nomes.
A
geografia da originalidade brasileira é vasta. Enquanto no Norte do país
encontram-se 65 pessoas registradas como “Primeiro”, em Minas Gerais
concentram-se os 165 brasileiros chamados “Último”. Em Campo Grande, no Mato
Grosso do Sul, vive um exemplo vivo de tradição familiar incomum: o senhor
Trânsito. Em sua quarta geração com o mesmo nome, ele relata com bom humor que,
embora frequentemente seja apelidado de “Detran” ou “Estrada”, não tem qualquer
intenção de mudar o registro.
O papel dos cartórios e o limite da subjetividade
Desde
2022, o processo para quem se sente constrangido com o próprio nome tornou-se
mais simples. Brasileiros maiores de 18 anos podem solicitar a alteração
diretamente nos cartórios de registro civil, sem a necessidade de acionar a
Justiça. A mudança na lei visa dar autonomia a pessoas como Francinalda, que
relata dificuldades diárias pela complexidade de seu nome e o desejo de ter
sido batizada como Gabriela.
A figura
do oficial de cartório tornou-se central para evitar que novas situações de
constrangimento ocorram. Embora não exista uma lista oficial de nomes proibidos
no Brasil, a legislação confere ao registrador o poder de recusar nomes que
possam expor a criança ao ridículo ou causar prejuízos sociais futuros.
Trata-se de uma análise subjetiva, baseada no bom senso, para garantir que a
criatividade dos pais não se transforme em um fardo para o filho.
Entre o erro de registro e a originalidade
A base de
dados do IBGE também aponta curiosidades estatísticas que beiram o poético ou o
confuso. No Brasil, existem apenas 61 pessoas registradas oficialmente como
“Amor”, enquanto a “Paixão” é mais comum, com 429 registros. Há ainda casos em
que o nome é, literalmente, “Nome” — registro compartilhado por pelo menos 43
pessoas.
O IBGE
ressalta que, embora a base de dados reflita o que foi coletado no Censo, não
se pode descartar a ocorrência de erros de digitação no momento do registro ou
da coleta. No entanto, a maioria desses nomes peculiares faz parte da
identidade de um país que, na busca por ser único, muitas vezes leva a
originalidade ao extremo.
Por: BAND.COM

