Sexta-feira, 04 de setembro-(09) de 2026
Relatórios citam suspeitas de abuso de autoridade e
direcionamento de apurações; presidente da Corte determinou esclarecimentos no
prazo de cinco dias úteis.
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| Documentos questionam o acesso a provas e a participação em negociações de delação. Foto: Antonio Augusto/STF |
O ministro Alexandre de
Moraes solicitou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, uma
investigação contra André Mendonça.
O pedido foi encaminhado nessa quinta-feira (3), no âmbito do inquérito das
fake news.
Segundo a reportagem da Band, Moraes determinou o envio
imediato de documentos e relatórios que apontariam irregularidades na atuação
do colega.
Na avaliação de Moraes, o material apresenta indícios
de crimes de responsabilidade, abuso de autoridade e improbidade
administrativa. Ele também determinou a retirada integral do sigilo dos
autos.
As suspeitas envolvem a condução das operações Sem
Desconto e Compliance Zero, que investigam, respectivamente, fraudes contra
aposentados e pensionistas do INSS e irregularidades financeiras relacionadas
ao Banco Master.
As acusações apresentadas no pedido ainda dependem de
apuração e não representam uma conclusão sobre a responsabilidade de Mendonça.
Fachin solicita esclarecimentos
Após receber os documentos, Fachin determinou a abertura de
um procedimento para colher informações de autoridades do Supremo, do
Ministério Público e da Polícia Federal.
As manifestações deverão ser apresentadas por escrito no
prazo de cinco dias úteis.
Até a publicação da reportagem da Band, Mendonça não havia
se manifestado sobre o pedido de investigação apresentado por Moraes.
Na terça-feira (1º), Mendonça havia retirado o sigilo de um
relatório da PF com mensagens envolvendo Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do
Banco Master, preso desde março.
Moraes questiona acesso antecipado a provas
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Moraes aponta supostas irregularidades de Mendonça e pede apuração Foto: Antonio Augusto/STF |
Um dos pontos do pedido trata do acesso de Mendonça ao
material bruto extraído de dispositivos eletrônicos, antes da triagem e da
análise técnica da Polícia Federal.
Segundo Moraes, o colega exigiu os arquivos em formato
compatível com a ferramenta de perícia digital IPED.
Para o ministro, essa atuação teria ultrapassado o controle
judicial de legalidade e permitido a exploração direta das provas pelo
julgador, com riscos à cadeia de custódia.
Os relatórios também apontariam falhas na guarda de
informações sensíveis da Operação Sem Desconto.
Conforme os documentos citados, discos rígidos ficaram sob
responsabilidade de uma única servidora, em sua mesa, sem registros de
auditoria ou controle de protocolo.
Os relatórios relacionam essa situação ao vazamento de uma
imagem extraída do celular do senador Weverton Rocha.
Documentos citam negociações de delação
Outro questionamento envolve a suposta participação de
Mendonça em negociações de acordos de colaboração premiada.
Segundo os documentos, o ministro teria solicitado
informações recorrentes sobre as tratativas e mantido contato direto com
advogados de possíveis colaboradores.
Em um dos episódios, Mendonça teria manifestado disposição
para conceder benefícios não previstos em lei ao investigado Maurício
Camisotti, alegando desconfiança em relação à Procuradoria-Geral da República.
Conforme o relato apresentado, a PF recusou a orientação. A
corporação teria alertado para riscos de anulação do acordo e de
responsabilização da instituição.
Suposto direcionamento de investigações
Moraes também sustenta que houve direcionamento das
apurações contra ele e contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre,
por motivações pessoais e políticas.
Segundo os relatórios, Mendonça demonstrou interesse na
abertura de uma investigação formal contra Moraes e pediu repetidamente que a
equipe policial apresentasse solicitações nesse sentido.
O ministro também teria questionado quais informações sobre
Moraes constavam nos dados extraídos do celular de Vorcaro.
Ainda conforme os documentos, Mendonça teria convocado
investigadores ao gabinete e entregue uma decisão impressa, sem assinatura, com
diligências contra o colega, sem comunicar o ato à PGR.
A PF apontou uma diferença entre essa conduta e a postura
atribuída a Mendonça diante de referências aos ministros Dias Toffoli e Nunes
Marques.
Relatórios mencionam presidente do Senado
No caso de Alcolumbre, os documentos o descrevem como um
suposto “alvo estratégico”.
Segundo a avaliação apresentada pela PF, o interesse estaria
relacionado à influência do senador sobre a tramitação de pedidos de
impeachment de ministros do Supremo.
Os relatórios também mencionam um conflito anterior, quando
Alcolumbre dificultou a aprovação da indicação de Mendonça ao STF.
Ao encaminhar o material, Moraes afirmou que a presença de
indícios envolvendo um integrante da Corte exigia a remessa à Presidência.
Caberá a Fachin analisar a documentação e definir as
providências cabíveis.
Por: Portal Arapuan


