Sexta-feira, 09 de outubro-(10) de 2026
Publicações escancaram a xenofobia, com mensagens
agressivas e simplistas. Analise foi de mais de 32 milhões de menções, links e
compartilhamentos.
![]() |
| Jornal da Paraíba |
Um levantamento da Ativaweb DataLab identificou que 82,2%
das mais de 32,8 milhões de menções, links e compartilhamentos sobre o voto do
Nordeste nas redes sociais tiveram tom crítico nas primeiras 72 horas após o
primeiro turno das eleições presidenciais de 2026.
O estudo revela que parte das manifestações ultrapassou a
divergência política e reproduziu preconceitos contra a população nordestina.
Publicações escancaram a xenofobia, que é crime, com mensagens agressivas e
explicações simplistas sobre os posicionamentos de milhares de Nordestinos.
Ao todo, foram registradas 27 milhões de manifestações
classificadas como críticas ao comportamento eleitoral da região. Outras 5,8
milhões, equivalentes a 17,8%, foram consideradas neutras ou favoráveis aos
nordestinos.
O monitoramento, realizado em todo o Brasil, analisou
conteúdos publicados no Facebook, Instagram, TikTok, X, YouTube e Kwai. Segundo
a pesquisa, os ataques partiram de usuários de diferentes regiões do país, com
forte presença de perfis do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Intitulado O Nordeste no banco dos réus, o estudo
identificou manifestações que associavam os eleitores nordestinos à pobreza, à
dependência de programas sociais e à falta de conhecimento político. Também
foram encontradas publicações que defendiam a separação do Nordeste do restante
do Brasil.
A pesquisa analisou ainda uma amostra de 535 comentários
de publicações com alto engajamento. Entre os termos ofensivos identificados,
26,9% das ocorrências estavam relacionados à vergonha e à autodepreciação
regional.
Outros 22,1% associavam o Nordeste à pobreza e à
dependência, enquanto 18,3% questionavam a capacidade intelectual dos
eleitores.
Expressões de desumanização e de segregação territorial
representaram, cada uma, 12,5% das ocorrências de termos ofensivos na amostra.
Um dos aspectos destacados pelo levantamento foi a
participação de nordestinos na reprodução das críticas contra a própria região.
Comentários de pessoas que declaravam vergonha de sua origem ou pediam
desculpas pelo comportamento eleitoral do Nordeste chegaram a alcançar dezenas
de milhares de curtidas.
Para Alek Maracajá, CEO da Ativaweb DataLab, o fenômeno
demonstra que o preconceito regional ganhou uma dimensão preocupante no
ambiente digital.
“Quando o Brasil passa a apontar o dedo para uma de suas
regiões, a disputa eleitoral já ultrapassou a política e chegou à dignidade.”
O levantamento também identificou manifestações em defesa
do Nordeste, inclusive de eleitores que discordavam politicamente do resultado
da votação na região, mas condenavam a generalização das ofensas.
Segundo a análise, a hostilidade pode produzir efeitos na
disputa do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Entre eles estão o
fortalecimento da identidade regional e a resistência de eleitores nordestinos
a discursos políticos associados aos ataques.
O estudo alerta ainda que parte das manifestações pode
ultrapassar os limites da liberdade de expressão e configurar discriminação por
procedência nacional, prevista na legislação brasileira. A eventual
responsabilização depende da análise individual de cada caso pelas autoridades
competentes.
A pesquisa foi realizada com dados públicos das
plataformas e utilizou um modelo próprio de classificação de sentimentos da
Ativaweb DataLab. Os 82,2% representam o conjunto de conteúdos classificados
como críticos ao voto nordestino, não significando que todas essas
manifestações continham ataques preconceituosos.
A conclusão do levantamento é que a polarização eleitoral
ampliou um preconceito regional que já havia aparecido em eleições anteriores,
mas que ganhou escala e velocidade nas redes sociais em 2026.
Por: Angélica Nunes e Laerte Cerqueira com Jornal da Paraíba

