Sexta-feira, 21 de Agosto de 2015
Evanildes e o irmão coletam papelão em Coité
(Foto: Raimundo Mascarenhas/Calila Notícias)
(Foto: Raimundo Mascarenhas/Calila Notícias)
“O que uma mãe não faria por um
filho?”, questiona Evanildes Maria da Silveira, de 48 anos. Dedicada, iniciou
há cinco anos um trabalho de coleta de papelão pelas ruas e empresas do
município de Conceição do Coité, a 200 quilômetros de Salvador. Os materiais
recolhidos são comercializados para reciclagem. O dinheiro obtido é usado para
manter os estudos do filho, um jovem de 22 anos que cursa medicina na cidade de
Aracaju, capital de Sergipe.
Evanildes
trabalha como merendeira em uma escola pública de Coité. Funcionária
terceirizada, enfrenta constantes atrasos nos salários. Ela diz que já chegou a
ficar seis meses sem remunerações. “Por conta disso, a dificuldade é maior. Com
meu filho estudando, eu precisava me programar”, explica. Por meio do conselho
de uma colega de trabalho, que já atuava em reciclagem, foi às ruas atrás de um
complemento na renda. “Não é muita coisa, mas já é uma ajudinha”, conta sobre
os esforços.
O filho
de dona Evanildes conseguiu bolsa integral em uma universidade privada de
Aracaju, por meio do Programa Universidade para Todos (Prouni). Apesar de não
ter custos com mensalidades, tem de arcar com os materiais de estudo, além de
aluguel e manutenção pessoal.
A mãe
detalha que a Prefeitura Municipal de Coité concede uma ajuda de custo no valor
de R$ 300, por meio do Programa de Apoio ao Estudante (PAE). Entretanto, o
valor não é suficiente para todas as despesas. Por isso, Evanildes dobrou as
mangas e foi às ruas.
“Faço
com muito orgulho. Não tenho vergonha por isso. Houve pessoas que viraram a
cara, mas não há do que eu me envergonhe”, atesta. O trabalho ocorre de domingo
a domingo. Com a ajuda da mãe, o filho já completou dez semestres do curso de
medicina e tem com previsão de formatura o segundo semestre de 2016
Tio do estudante, José Carlos da
Silveira, de 59 anos, também ajuda nos trabalhos de coleta, mesmo com uma
deficiência em uma das pernas. “Fazemos para dar uma ajuda na manutenção. Puxo
a carrocinha com o peso de domingo a domingo. Para mim, tem sido uma grande
fase de fisioterapia”, diz.
José
Carlos detalha, que ao lado da irmã, coleta mais de duas toneladas de papelão
por mês. “Fazemos com grande satisfação. Ele [o sobrinho] é um menino
inteligente e admirado por todos. A cidade toda tem uma coisa boa para contar
sobre ele”, afirma orgulhoso.
Cinco
anos após o início das coletas, dona Evanildes confessa que, por diversas
vezes, pensou que não conseguiria manter o filho no curso. “Até agora mesmo,
ainda não é nada fácil. O desejo de toda mãe é ajudar. Fico na expectativa de
que ele tenha um grande futuro. Não tenho vergonha de contar isso. Que nossa
história motive outros”, diz.
G1


