Segunda-feira, 21 de Setembro de 2015
Referência em parto de alto risco, no Instituto Cândida Vargas (ICV)
nascem mensalmente cerca de 700 crianças. Muitos dos partos realizados na
maternidade contam com o auxílio das doulas, acompanhantes treinadas, que além
do apoio emocional, fornecem às partuirentes, informações sobre o desenrolar no
trabalho de parto, intervenções e procedimentos necessários de forma que as
mulheres participem das decisões acerca das condutas a serem tomadas nesse
período.
Neste sábado (19), após a aprovação da Câmara Municipal de João Pessoa,
na última quarta-feira (16), do projeto de lei que obriga os hospitais a
aceitarem a presença de doulas, nasceram de forma natural e humanizada, trigêmeos
que receberam durante o pré-parto os cuidados e orientações das profissionais.
“A paciente já se encontrava internada há mais de uma semana sendo
assistida por uma equipe multiprofissional da maternidade e pelas doulas que
atuam como voluntárias na instituição, tendo em vista que os bebês eram
pré-maturos. Sábado, a mãe começou a sentir as contrações e levando em
consideração à saúde da mãe e dos bebês, a equipe optou em fazer um parto
normal, que é o mais biológico e natural” explicou o médico obstetra
e diretor técnico da área de Obstetrícia do ICV, Juarez Augusto.
Ainda, de acordo com o diretor técnico da Obstetrícia, o nascimento de
forma natural dos três bebês contou com a experiência e capacitação em partos
de alto risco dos médicos da maternidade. “Para o nascimento do terceiro bebê
que apresentava anômala, foi preciso manobras de versão interna e externa. O
sucesso nesses procedimentos é que dão o reconhecimento à instituição pelo
Ministério da Saúde em parto de alto risco e redução no número de cesárias, no
que diz respeito à saúde da mulher”, informou.
“O Instituto Cândida Vargas atua dentro de uma política pública,
juntamente com o Ministério da Saúde para estimular o parto normal, tendo em
vista os benefícios trazidos e para minimizar os riscos de uma cesária.
Atualmente 54% dos partos na maternidade são naturais e as doulas já agregam
muito valor ao trabalho que é realizado junto à equipe multiprofissional
durante o período da gestação, com as orientações e aconselhamentos, como
também no momento do nascimento dos bebês”, completou o médico Juarez Augusto.
A mãe dos trigêmeos, que já passou por outros dois partos normais, há 14
e 17 anos, falou da assistência recebida no hospital antes, durante e após o
parto. “Vim de Sertãozinho para João Pessoa porque sabia que aqui teria um
cuidado adequado para um parto dessa natureza, de risco. Tudo indicava que
seria um parto cesário, mas logo cedo chegaram às contrações e a dilatação e os
médicos viram que eu tinha condições de ter normal. Graças a Deus e ao
profissionalismo da equipe estamos todos bem e com saúde, o mais importante”,
disse a dona de Casa Shirlei Cláudia Monteiro da Rocha.
Julia, que nasceu com 1.400 quilos, Sheila, com 1.700; e Guilherme com
1.900 irão permanecer na maternidade em observação. “Vamos continuar em
observação e eles recebendo os cuidados necessários, já que são bem pequeninos.
Logo voltaremos para casa e eu nunca vou me esquecer desse dia, em que os três
conseguiram vir para meus braços de forma natural”, completou a mãe.
ICV
No Instituto, aproximadamente 60% dos
atendimentos de urgência são realizados em pacientes residentes em João Pessoa,
enquanto o restante são casos de urgência de pacientes de outros municípios e
Estados vizinhos. Já do total de mulheres internadas na maternidade, 52% são de
outras cidades e Estados.
Realizando cerca de 700 partos por mês, a maternidade do ICV funciona 24
horas por dia, durante todo o ano. O local dispõe de uma estrutura adequada
para atender grávidas em toda a sua totalidade, incluindo três alojamentos para
gestantes, UTIs maternas e Neonatais, Unidade de Cuidados Intermediários (UCI),
enfermarias, salas de partos e bloco cirúrgico. O Instituto está localizado na
Avenida Coremas, s/n, Jaguaribe.
Projeto de Lei
O projeto de lei aprovado
recentemente na Câmara estabelece que as maternidades públicas e privadas na
Capital paraibana devem aceitar a presença das doulas para acompanhar as
mulheres, caso seja solicitada pelas gestantes, durante as consultas, exames
pré-natal, parto e pós-parto. O projeto institui ainda que as doulas poderão
acompanhar a gestante no local do parto, seja ele normal ou casario, sem excluir
a presença de algum parente escolhido pela gestante para participar acompanhar
também o momento do parto.
Capacitação
A Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP), por meio da Secretaria
Extraordinária de Políticas Públicas para as Mulheres (SEPPM) tem realizado
Curso de Formação de Doulas. O curso tem duração de sete meses, sendo que
um mês é voltado exclusivamente para as aulas teóricas, onde são abordados
temas como: o trabalho de uma doula; voluntariado; ética profissional;
dinâmicas do parto; aleitamento materno e práticas integrativas (exercícios
preparativos para o trabalho de parto).
As aulas práticas duram seis meses e são realizadas no Instituto Cândida
Vargas (ICV). As alunas, que são supervisionadas, trabalham diretamente com as
mães e a equipe multiprofissional da unidade hospitalar.
Doulas
Palavra que vem do grego e significa
“mulher que serve”. Essas profissionais trabalham no suporte físico e emocional
de outras mulheres antes, durante e após o parto. Após o curso, elas poderão
contribuir para o trabalho de humanização do parto desenvolvido pela PMJP,
através do trabalho voluntário do ICV.
As doulas formadas pela SEPPM já acompanham cerca de 600 mulheres no
ICV, e esse trabalho de humanização do parto é perceptível através dos números,
pois entre 2013 e 2014, os partos normais realizados na Maternidade Cândida
Vargas passaram de 51,8% para 54,12%. A presença das doulas também representa
uma redução em 20% na duração do trabalho de parto, diminuição de 60% nos
pedidos de anestesia e redução de 40% no uso de oxitocina e do fórceps.
Secom JP

