Sábado, 09 de Abril de 2016.
O proprietário do Laboratório Labogen, Leonardo Meirelles,
confirmou há pouco ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos
Deputados que três de suas empresas eram usadas para operar pagamentos de
propina operados pelo doleiro Alberto Youssef.
“Ele usava minhas
empresas no Brasil e no exterior tanto para receber quanto para pagar
(propina). E, por conta disso, eu passei a freqüentar o escritório dele quase
diariamente”, disse Meirelles, acrescentando que Alberto Youssef não costumava
comentar a quem eram destinadas as transferências dos recursos.
Meirelles esclareceu que suas empresas eram utilizadas para simular operações
de importação fictícias, com posterior remessa de recursos para o exterior.
“Inclusive, sobre o assunto que estamos tratando aqui hoje, Alberto Youssef me
chamou no escritório dele, informando que teria uma remessa maior, cerca de U$
5 milhões, e haveria a necessidade de fazer um contrato de uma empresa no
exterior com a minha, a RFY importadora e exportadora ltda”, disse Meirelles,
em referência a suposta transferência de recursos ao presidente da Câmara dos
Deputados, Eduardo Cunha.
Segundo ele, o
contrato entre as empresas foi firmado em maio de 2012 e as transferências
ocorreram em junho, outubro e novembro do mesmo ano.
“Apenas quando ele
me comunicou, eu tive conhecimento que a empresa era de propriedade do senhor
Júlio Camargo, porque, como eu disse, o senhor Alberto Youssef, não comentava o
nome dos destinatários”, informou ao colegiado.
Segundo Meirelles,
no dia de 8 de junho de 2012 foi feita a primeira remessa de US$ 2.349.982,74
para a conta da RFY, com sede em Hong Kong.
A suposta relação
das transferências com Eduardo Cunha, segundo Meirelles, foi percebida por ele
somente após as delações premiadas do próprio Alberto Youssef e de Júlio
Camargo, suposto operador do pagamento de propinas ao PMDB por contratos
firmados pela Petrobras.
“Uma semana após a
primeira transferência, almoçando com o Alberto, eu vi o Júlio Camargo saindo
do escritório do Alberto, fomos almoçar e ele comentou informalmente: você nem
sabe a pressão que eu estava sofrendo, graças a Deus eu consegui concretizar
aquela transferência grande, que foi lá pro Rio e que era do investigado aqui,
Eduardo Cunha”, disse Meirelles, ressaltando que não era operador dos
pagamentos e que nunca esteve com Cunha.
Com
IG

