Domingo, 12 de junho de 2016.
A regra sempre foi
clara na Brasileirinhas: Apenas hits do sertanejo, letras de duplo sentido do
funk e blockbusters do cinema servem como inspiração para os roteiros de filmes
do gênero pornográficos. A razão era simples: "Assuntos como política não
excitam ninguém", costumava dizer Clayton Nunes, proprietário da produtora
de filmes pornôs. E quem poderia dizer o contrário?
Mas foi justamente ao
abrir as pernas para um assunto até então brochante que a Brasileirinhas bateu
seu recorde. "Operação Leva Jato" usa o pano de fundo da corrupção
para a sacanagem e se tornou o maior lançamento da produtora nos últimos seis
anos.
Se antes filmes como
"Ai, Se Eu Te pego", "69 Tons de Pica" e "Velozes e
Foderosas" e "Arrombando a Porta dos Fundos" eram vistos por 70
mil pessoas, "Leva Jato" dobrou a meta: São 180 mil visualizações por
dia – um marco em um momento em que a produtora ainda busca se reposicionar no
mercado com a queda da comercialização de DVD's.
"Operação Leva
Jato" não poderia ter sido lançado em momento mais propício: "Foi bem
no dia que [Michel] Temer assumiu o lugar de uma presidenta empichada por um
crime que vários outros presidentes cometeram, mas que não tiveram o mesmo
destino", explica Clayton. O produtor, no entanto, se adianta e diz que
mesmo assim não defende Dilma Rousseff. "Ela foi a pior administradora que
este país já teve".
O lema da produtora
agora é relaxar, gozar e... se conscientizar. "Espero que este filme faça
até quem não goste de política pensar: 'Caramba, se fizeram até filme pornô com
isto acho que realmente é preciso saber direito o que está acontecendo'. Sinto
que o brasileiro precisa ser mais politizado."
House
of putariaAficionado por política, Clayton resolveu experimentar tocar no tema
logo após encarar uma maratona da série "House of Cards". Ao mesmo
tempo, acompanhava os desdobramentos da operação da Polícia Federal em
Brasília. A sequência de escândalos e denúncias fez com que o produtor, com
todo o respeito aos profissionais do ramo, resumisse assim o clima vigente no
país: "Uma putaria".
"Foi aí que
finalmente me senti a vontade para mostrar que a situação já passou dos
limites, e que precisávamos ridicularizar essa situação ao extremo",
explica, ao UOL.
No fiapo de história,
tem deputado que levanta a bandeira dos direitos das profissionais do sexo, e
um senador, conhecido em Brasília como "Robin hood", que paga as
moças com o tal do "jato".
Em outra cena, a
atriz Britney Bitch faz a acompanhante de luxo de um deputado e é paga com
dinheiro desviado. Big Macky, no papel do parlamentar, esbanja grana até na
cueca. A acompanhante se contorce só de tocar nas notas.
"Eu achava que o
tema não estimularia os espectadores, mas até quem não gosta de pornô quis dar
uma olhada e isto foi muito legal", comemora o dono da Brasileirinhas.
Com o novo filão
desbravado – e mais potente do que referências a Anitta---, a ideia é continuar
com o tema. "Tem o 'nervosinho' a 'avião', o 'caranguejo', o 'escritor', o
'lindinho'", observa, citando os apelidos dos políticos listados nas
planilhas da Odebrecht. "Com os fatos comprovados e mais gente na cadeia,
vamos nos aprofundar mais no tema. Qualquer um desses envolvidos são
personagens de pornô."
Daria até para
colocar um personagem real nas histórias. "Para os nossos filmes, só se fosse
o Tiririca", brinca. "Dá para fazer filme um filme pornô sobre
corrupção todo mês e não vai faltar pauta."
180 Graus

