Domingo, 12 de junho de 2016.
Dilma e a repórter Mariana Godoy
A presidente eleita Dilma Rousseff afirmou,
em entrevista à jornalista Mariana Godoy, da Rede TV, exibida na noite desta
sexta-feira (10), que seu "maior erro foi ter feito uma aliança com quem
não devia", numa referência ao presidente interino Michel Temer (PMDB),
seu vice nas eleições de 2010 e 2014.
Assim como disse ao 247, a presidente falou sobre a
possibilidade de antecipação das eleições. Segundo ela, não deve ser
"descartada em hipótese alguma" e que, antes disso, é necessária a
recomposição da "normalidade democrática" no país com o fim do
processo de impeachment contra ela.
Dilma reafirmou que o impeachment é um "golpe" e
que há "desvio de poder" no processo.
Segundo ela, esse "desvio de poder" está confirmado
principalmente na divulgação da conversa do ex-presidente da Transpetro Sérgio
Machado com o então ministro do Planejamento, Romero Jucá (PMDB-RR), que
sugeriu uma "mudança" no governo federal para "estancar a
sangria" representada pela Operação Lava Jato.
"Nós estamos lutando para que [as gravações] sejam
incluídas na defesa do impeachment porque elas constituem claras provas do que nós
falamos, do desvio de poder e desvio de finalidade, primeiro na aceitação do
processo de impeachment pelo senhor Eduardo Cunha" disse Dilma.
Dilma também afirmou que o presidente da Câmara afastado
Eduardo Cunha é "de direita, conservador e sem princípios éticos".
"Que ele [Cunha] responda na Justiça pelas contas na
Suíça e por ter negado que ele tinha contas na Suíça", disse Dilma.
Em relação ao governo do presidente interino, Michel Temer,
Dilma criticou medidas implantadas como, por exemplo, a redução de ministérios.
"Não dá para acabar com o Ministério de Ciência,
Tecnologia e Inovação. O futuro do nosso país depende da ciência, da tecnologia
e da inovação [...] Não é assim que se dirige um Estado. Reduzindo ministérios
a economia é mínima, isso se houver economia, se não ficar mais caro",
afirmou.
Durante a entrevista, a presidente afastada voltou a negar
que tinha conhecimento de irregularidades e pagamentos de propinas na compra da
refinaria Pasadena pela Petrobras, nos Estados Unidos, em 2006. Na época, Dilma
era presidente da estatal. Ela criticou as acusações do ex-diretor da Petrobras
Néstor Cerveró que, em depoimento à Lava Jato, afirmou que "ela sabia de
tudo".
"Ele prova? Não. Eu nunca tive amigo da qualidade do
senhor Nestor Cerveró", afirmou Dilma.
Sobre Lula, Dilma disse que há "dois pesos e duas
medidas" quando se trata do ex-presidente. "Quando se trata de vazar
conversa da presidenta da República com qualquer pessoa, no mundo inteiro não
teria discussão: a pessoa que faz isso e revela, vai pra cadeia".
Dilma disse ainda que irá se esforçar para ir à abertura da
Olimpíada no Rio de Janeiro, em agosto. "Nunca alguém mereceu tanto estar
na Olimpíada quanto eu", disse.
Brasil 247

