Quinta-feira, 22 de janeiro-(01) de 2026
Matéria do Portal Paraíba Já
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| Will Bank — Foto: Divulgação |
A liquidação extrajudicial do Will Bank,
decretada pelo Banco Central nesta
quarta-feira (21), interrompe o funcionamento da instituição financeira e levanta
dúvidas entre correntistas e investidores sobre o destino de seus
recursos.
A medida marca o desfecho de um processo
iniciado após a liquidação do Banco Master, controlador do banco digital,
e segue os procedimentos previstos para a retirada organizada de uma
instituição do Sistema Financeiro Nacional.
Na prática, clientes relatam dificuldades
operacionais: embora ainda seja possível acessar o aplicativo e visualizar
limites disponíveis, transações não estão sendo concluídas, com compras e
transferências via PIX indisponíveis.
A seguir, o g1 explica o que
acontece com quem mantinha conta ou aplicações no Will Bank.
O que muda para quem
tinha conta no Will Bank?
Com a liquidação extrajudicial, as
atividades do Will Bank são interrompidas. Isso significa que contas
correntes, contas de pagamento e demais serviços deixam de operar normalmente.
De acordo com as regras do BC, os valores mantidos
por clientes passam a integrar o processo de liquidação e serão pagos
conforme as garantias existentes e a ordem legal de preferência entre credores.
O liquidante nomeado será o responsável por apurar
os valores devidos e conduzir os pagamentos possíveis.
Quem tinha dinheiro
em conta corrente ou aplicações simples está protegido?
Sim, dentro dos limites previstos.
O Banco Central informa que, em casos de
intervenção ou liquidação de bancos, os depositantes contam com a proteção
do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre até R$ 250 mil por
pessoa, considerando o conjunto de depósitos e produtos elegíveis
mantidos na instituição.
Essa garantia se aplica aos clientes do Will Bank
que se enquadram nas regras do fundo, respeitado o limite estabelecido.
E quem investiu em
CDBs emitidos pelo Will Bank?
Os Certificados de Depósito Bancário
(CDBs) emitidos por bancos também estão entre os produtos cobertos pelo
Fundo Garantidor de Créditos, dentro do limite de até R$ 250 mil por
pessoa.
Assim, investidores do Will Bank que possuíam CDBs
elegíveis devem ter seus recursos protegidos até esse teto,
conforme as regras gerais do FGC, aplicadas ao caso da instituição liquidada.
Existe diferença
entre ser correntista e ser investidor no processo de liquidação?
Do ponto de vista da proteção oferecida, a
principal diferença está no tipo de produto contratado. O Banco Central destaca
que a garantia dos recursos depende do tipo de instituição e do produto
financeiro.
No caso do Will Bank, por se tratar de uma
instituição financeira, tanto depósitos em conta quanto investimentos como
CDBs podem contar com a cobertura do FGC, desde que respeitadas as condições do
fundo.
Valores que excedam o limite garantido entram no
processo de liquidação como créditos a serem pagos conforme a disponibilidade
de recursos.
O que acontece com
os cartões de crédito após a liquidação?
Quando um banco entra em liquidação extrajudicial,
suas atividades são interrompidas e a instituição é retirada do Sistema
Financeiro Nacional de forma organizada pelo BC.
Isso inclui a suspensão de serviços
operacionais, como a emissão e processamento de cartões de crédito.
Na prática, o cartão deixa de funcionar
normalmente após a decretação da liquidação, pois a instituição que o emitia
não está mais em operação.
A fatura do cartão
que já foi gerada, precisa ser paga?
Embora não haja orientação específica do BC para o
caso de cartões de crédito em liquidação, a regra geral no sistema financeiro
brasileiro é que as obrigações contratuais existentes continuam válidas
até que sejam quitadas ou resolvidas por vias legais.
Em situações de liquidação de bancos, não
existe qualquer norma que isente automaticamente o cliente do pagamento de sua
dívida de cartão de crédito apenas porque o banco foi liquidado.
Ou seja, se havia saldo devedor na fatura do cartão
emitido pela instituição que foi liquidada, a dívida não deixa de
existir por causa da liquidação.
Posso ser cobrado
ou negativado por não pagar a fatura?
Mesmo com a liquidação da instituição financeira, as
dívidas já assumidas pelos clientes não são automaticamente anuladas. Isso
significa que valores em aberto no cartão de crédito continuam
existindo e podem ser cobrados normalmente.
Se a fatura não for paga, o cliente pode enfrentar
as mesmas consequências de qualquer atraso, como a incidência de juros e a
inclusão do nome em cadastros de inadimplentes.
Isso ocorre porque o cartão de crédito
funciona como um empréstimo de curto prazo: o banco paga a compra no
momento da transação e o cliente se compromete a quitar esse valor depois.
Até o momento, não há regra do Banco Central que
determine o cancelamento dessas dívidas apenas porque a instituição foi
liquidada. A medida atinge o funcionamento do banco, mas não extingue,
por si só, os compromissos financeiros assumidos pelos clientes.
O Will Bank já estava sob algum tipo de
intervenção antes da liquidação?
Sim. Antes da
liquidação extrajudicial, o Will Bank operava sob o Regime Especial de
Administração Temporária (Raet). Nesse modelo, o Banco Central substitui os
dirigentes da instituição por um conselho diretor ou gestor indicado, mas
permite a continuidade das atividades normais.
Segundo o
próprio BC, o objetivo do Raet é evitar que a situação financeira se
deteriore ainda mais e preservar os interesses dos clientes.
No caso do Will
Bank, o regime foi adotado após a liquidação do Banco Master e tinha como uma
das possibilidades a venda da instituição a um novo investidor, o que acabou
não se concretizando.
O que levou à decisão final pela liquidação?
Segundo o BC, a
liquidação foi decretada após a constatação de que a situação econômica do Will
Bank estava comprometida e de que a instituição não conseguia mais honrar suas
dívidas.
O banco vinha
sob administração temporária, mas a tentativa de venda para um novo investidor
não avançou.
Além disso,
houve acúmulo de obrigações não pagas, o que inviabilizou a continuidade das
operações e levou à adoção da medida mais severa prevista nos regimes de
resolução.
Por: Paraíba Já com créditos do g1

