Quinta-feira, 14 de Maio-(05) de 2026
Informação foi confirmada nesta quinta-feira (14), ao
JORNAL DA PARAÍBA, pelo diretor do Hospital de Trauma de João Pessoa, Laécio
Bragante.
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| Condomínio onde elevador caiu e deixou feridos processou construtora por falhas, em João Pessoa - Foto: TV Cabo Branco. Gustavo Demétrio |
A mulher de 36 anos que ficou ferida após a queda do elevador de
um prédio residencial no bairro do Altiplano, em João Pessoa, teve diagnóstico
de paraplegia em decorrência de uma lesão na coluna. A informação
foi confirmada nesta quinta-feira (14), ao JORNAL DA PARAÍBA, pelo diretor do
Hospital de Trauma de João Pessoa, Laécio Bragante.
Segundo o diretor, o diagnóstico foi constatado pelo setor
responsável do hospital e a família da paciente foi informada. Ele explicou que
a paraplegia é consequência direta da lesão na coluna sofrida na queda do
elevador, ocorrida quando o equipamento despencou do terceiro andar do
edifício.
Ainda de acordo com Laécio Bragante, a paciente é
estrangeira e a família solicitou a transferência dela para um hospital
particular em João Pessoa.
“ O diagnóstico de paraplégia foi confirmado e
diganosticado através de tomografia e outros exames feitos pelo setor de
neurocirurgia. Apesar da solicitação de transferência, já tem programação
cirúrgica para estabilização da coluna da paciente. Quando há um trauma desse,
é preciso fazer a estabilidade nas vértebras para não haver dano adicional à
medula. Essa cirurgia é feita colocando placas laterais para a coluna ficar
estável, alinhando pelo menos três vértebras”, afirmou o diretor.
Após o acidente, os dois filhos da vítima que também estavam
no elevador; uma de 3 anos e outra de 5; sofreram escoriações, foram levadas ao
Hospital de Trauma e receberam alta na manhã desta quinta-feira (14). Elas
ficaram sob os cuidados de um morador do condomínio, amigo da mulher, e
permanecem no apartamento dela.
Condomínio já havia processado construtora por falhas
estruturais
Antes da queda do elevador, o condomínio já havia acionado a
construtora GGP na Justiça. O processo tramita na 7ª Vara Cível da
Capital e aponta supostos problemas estruturais e falhas recorrentes nos
elevadores.
Um laudo ao qual a Rede Paraíba teve acesso indica a
necessidade de substituição integral dos equipamentos. Na ação, o condomínio
relata travamentos, interrupções, falhas em sistemas de segurança e episódios
anteriores envolvendo elevadores.
Procurada, a construtora disse, em nota, que "a
responsabilidade pela manutenção dos equipamentos de uso comum, incluindo os
sistemas de elevação, recai integralmente sobre o condomínio a partir do
momento em que os moradores passam a fazer uso regular desses
equipamentos" e que "permanece à disposição das autoridades
competentes e da administração condominial para colaborar com as apurações em
curso".
Sobre as alegações do condomínio de falhas estruturais e
sobre o processo na Justiça, a construtora não respondeu até a última
atualização desta reportagem.
No processo movido pelo condomínio, houve a denúncia de
"vícios estruturais nos elevadores" mesmo após a entrega do
empreendimento, ocorrida em setembro de 2023. Entre os problemas relatados
estão incêndio no fosso do elevador do Bloco B, queda abrupta de um elevador no
Bloco D, travamentos, interrupções constantes e falhas em sistemas de
segurança.
Em janeiro de 2025, a Justiça determinou a troca dos
elevadores, mas a construtora recorreu, e o processo segue em andamento.
Laudo apontou falhas em elevadores
O documento, elaborado entre dezembro de 2025 e janeiro de
2026, lista várias inconformidades no elevador do Bloco B, incluindo problemas
considerados de alta prioridade e risco à segurança dos moradores. Neste bloco,
inclusive, houve o desabamento do elevador, que feriu as três pessoas.
Entre os principais problemas encontrados estão a ausência
de sinalização de segurança e de controle de acesso à casa de máquinas do
elevador, falta de extintor de incêndio adequado, inexistência de iluminação de
emergência e falhas no aterramento elétrico do sistema. O laudo também
registrou ausência de ventilação adequada, problemas de organização da
instalação elétrica e ausência de dispositivos de resgate emergencial.
O documento aponta ainda que a máquina de tração do
elevador, “não atende à capacidade de peso de toda a estrutura e não atende às
normas de segurança”. O laudo recomendou a substituição completa do
equipamento. A pendência foi classificada com prioridade “alta”.
O desabamento e os feridos
Um elevador despencou do terceiro andar de um prédio em um
condomínio residencial no bairro do Altiplano, em João Pessoa, no fim da tarde
desta quarta-feira (13). Dentro da cabine estavam uma mulher e duas crianças.
Após a queda, as vítimas ficaram presas no fosso do
elevador. Moradores do condomínio conseguiram abrir a porta da cabine do
elevador e iniciaram o resgate por conta própria, antes da chegada das equipes
de socorro.
Em nota, a administração do condomínio informou que a
prioridade é a assistência à mulher e às duas crianças feridas na queda do
elevador e que o suporte às famílias foi prestado desde o ocorrido. O
condomínio afirmou que registra problemas técnicos nos elevadores desde a
entrega do empreendimento e que, diante da ausência de solução definitiva,
recorreu à Justiça para pedir a substituição dos equipamentos, além de
contestar a versão da construtora e defender a apuração das responsabilidades
pelo caso.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Corpo
de Bombeiros foram acionados para atender a ocorrência. Segundo relatos de
moradores, a mulher foi retirada do elevador apresentando ferimentos e
reclamando de dores pelo corpo, as crianças apresentavam ferimentos leves.
Por: Janinne Vivian com Jornal da Paraíba


