Quarta-feira, 13 de Maio-(05) de 2026
Dois ex-secretários do Estado e mais 6 pessoas são alvos
das apurações
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| Foto: Divulgação. Laerte Cerqueira |
O Ministério Público da Paraíba, através do Grupo Especial
de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), apresentou mais uma denúncia no
âmbito da Operação Indignus, que apurou desvios e irregularidades no Hospital
Padre Zé e entidades ligadas a ele em João Pessoa.
Dessa vez a ação relata possíveis desvios na contratação de
empresas para distribuição de refeições em 5 municípios paraibanos por meio
do Programa 'Prato Cheio' do Governo do Estado.
O MP aponta um montante de R$ 10,3 milhões que teriam
sido desviados.
A denúncia tem como alvos dois ex-titulares da Secretaria de
Desenvolvimento Humano do Estado, responsável pela execução do programa, além
de ex-diretores do hospital Padre Zé, um servidor público e um empresário. São
apontados pelo MP os ex-secretários Tibério Limeira e Pollyanna Werton;
o padre Egídio de Carvalho; as ex-funcionárias do hospital Amanda Duarte,
Jannyne Dantas e Andréa Ribeiro Wanderley; além do servidor Iurikel Souza
Marques e o empresário Kildenn Tadeu de Lucena.
Segundo a denúncia, o suposto esquema teria ocorrido entre
2021 e 2023 e beneficiado um grupo de empresas de um mesmo núcleo familiar,
comandado por Kildenn.
O 'Prato Cheio' previa distribuição de refeições para
pessoas em situação de rua nas cidades de João Pessoa, Campina Grande,
Guarabira, Pombal e Cajazeiras. Ao todo, 16 termos de colaboração teriam
movimentado cerca de R$ 21,6 milhões.
Em João Pessoa, conforme o MP, havia a previsão de
entrega de 4 mil refeições diárias, mas somente 1.570 seriam entregues -
um quantitativo menor relatado por ex-funcionárias do hospital em depoimento,
registrado através de e-mail e facilitado por falta de fiscalização por parte
Estado - de acordo com o documento. Apesar disso, o valor integral dos
convênios era pago.
A denúncia foi protocolada no dia 29 de abril e ainda não
foi recebida pela Justiça.
Como tem como alvos dois ex-secretários do Estado, caberá ao
Órgão Especial do Tribunal de Justiça analisar o seu recebimento, ou
arquivamento. Semana passada o desembargador Márcio Murilo da Cunha Ramos
enviou ao Órgão Especial a primeira denúncia - apresentada no
início de 2025 - envolvendo ex-auxiliares do Governo para análise.
'Devoluções' e propina
Na segunda denúncia o Ministério Público também detalha um
suposto pagamento de propina a pessoas à época ligadas à Secretaria de
Desenvolvimento Humano do Estado, assim como 'devoluções' feitas pelos
fornecedores do 'Prato Cheio' para a direção do Hospital Padre Zé.
Os investigadores citam supostos pagamentos de R$ 50 mil ao
ex-secretário Tibério Limeira e R$ 70 mil à ex-secretária Pollyanna Werton,
além de repasses para um servidor da 'Pasta' do Desenvolvimento Humano e a
ex-diretores do hospital. Os investigadores baseiam os indícios em cadernos de
anotações apreendidos e conversas identificadas por um aplicativo de mensagens.
Nessa segunda ação o MP aponta as práticas de peculato,
falsidade ideológica e corrupção ativa e passiva, a depender da conduta
individual de cada um dos investigados.
O Gaeco pede a reparação de um montante de R$ 30 milhões,
sendo R$ 10,3 milhões referentes aos supostos desvios e R$ 20 milhões por dano
coletivo.
O que dizem os citados
O Blog procurou o ex-secretário de Desenvolvimento Humano do
Estado, Tibério Limeira. Ele afirmou que não foi notificado ainda dessa segunda
denúncia apresentada pelo MP. No início de 2025, quando foi apresentada a
primeira ação, Tibério afirmou ter tranquilidade para provar a sua inocência e
considerou que a peça do MP estaria "montada em supostos documentos
que não guardam a menor confiança".
Já a ex-secretária Pollyanna Werton também disse não ter
sido notificada do procedimento, "nem sua defesa teve acesso aos autos ou
ao inteiro teor da acusação. A ex-secretária esclarece, ainda, que os fatos
aconteceram antes da sua gestão".
"Ressalta, que, durante o período em que esteve à
frente da pasta, todas as providências administrativas e legais cabíveis foram
adotadas para apuração de eventuais irregularidades e responsabilização
individual de possíveis envolvidos, sempre com base nos princípios da
legalidade, transparência e defesa do interesse público. Por fim,
Pollyanna reafirma sua confiança nas instituições, no devido processo legal e
na completa elucidação dos fatos pelas autoridades competentes", diz a
nota enviada ao Blog.
O advogado das ex-diretoras Amanda Duarte e Jannyne Dantas,
Alberdan Coelho, disse ao Blog que também não foi notificado e que só irá se
manifestar após ter acesso ao conteúdo do procedimento.
O Blog não conseguiu contato com as defesas dos demais
citados. O espaço, claro, está sempre aberto a manifestações.
Por: João Paulo Medeiros com Jornal da Paraíba

