Terça-feira, 09 de junho-(06) de 2026
Brasil registra mais de 1,1 milhão de crianças com obesidade
e entra em alerta para 2030.
![]() |
| Paraíba tem mais de 111 mil crianças de até 9 anos de idade com obesidade |
A obesidade infantil é um desafio crescente
de saúde pública no Brasil e no mundo, com índices em alta e necessidade de
prevenção desde os primeiros anos de vida.
De acordo com os dados do Atlas Global da Obesidade
e da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil
pode chegar a ser, até 2030, o 5º país no mundo com mais crianças e
adolescentes obesos. O estudo também relata que, se não forem tomadas ações
reais, as chances de mudar essa situação são de apenas 2%.
O crescimento da obesidade infantil também já é visível nos
dados nacionais. Conforme dados do Panorama de Obesidade Infantil e
Adolescente, com base nas informações do Sistema de Vigilância Alimentar e
Nutricional (SISVAN), de 2025, do Ministério da Saúde, no Brasil
foram registradas 1.171.916 crianças com obesidade e 783.017 com obesidade
grave.
Isso representa 8,94% das crianças de 0 a 9 anos com
obesidade, o que equivale a 9 em cada 100, e 5,97% com obesidade grave, ou
cerca de 6 em cada 100 nessa mesma faixa etária.
Os dados de 2025 do Sistema de Vigilância Alimentar e
Nutricional (SISVAN) – consultados em 28 de maio de 2026 – mostram que,
na Paraíba, crianças de 0 a 9 anos apresentam 36% de excesso de
peso (incluindo sobrepeso, obesidade e obesidade grave), o que equivale a 36 em
cada 100 crianças nessa faixa etária. No mesmo recorte, foram registrados
111.221 casos de excesso de peso infantil no estado.
“Os dados revelam que a obesidade infantil deixou de ser uma
situação isolada e se tornou um importante desafio para a saúde pública. Além
de ter consequências nos primeiros anos de vida, o excesso de peso na infância
pode aumentar significativamente o risco de doenças crônicas na adolescência e
na vida adulta, o que reforça a importância da prevenção e do acompanhamento
precoce”, destaca a pediatra e membro da Organização Nacional de Acreditação
(ONA), dra. Mariana Grigoletto.
Risco e prevenção de obesidade
No mesmo período, conforme o SISVAN, 8.230.705 crianças
apresentavam peso adequado (eutrofia), representando 62,80% do total — cerca de
63 em cada 100 crianças. Embora a maioria esteja dentro da faixa adequada, o
dado também acende um alerta: aproximadamente 37% das crianças avaliadas
apresentam algum grau de alteração nutricional, incluindo excesso de peso,
obesidade ou obesidade grave, reforçando a necessidade de estratégias
preventivas desde a infância.
As principais consequências são: aumento do risco
para doenças crônicas como diabetes tipo 2, hipertensão arterial e problemas
cardiovasculares; impactos psicológicos como baixa autoestima e maior exposição
a situações de bullying.
“É fundamental que as crianças sejam acompanhadas por um
pediatra. Quando identificamos alterações no peso e nos hábitos da criança logo
no início, podemos intervir antes que a situação piore. Com as orientações
certas, é possível evitar que a obesidade aconteça na vida adulta e diminuir os
riscos de doenças relacionadas, tornando uma vida mais saudável ao longo do
tempo”, ressalta dra. Mariana.
Para prevenir a obesidade infantil, a adoção de hábitos
saudáveis no dia a dia é fundamental. Segundo a pediatra, manter uma
alimentação balanceada, com maior consumo de alimentos in natura ou
minimamente processados, como frutas, legumes e verduras, além de diminuir o
consumo de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas, é uma das
principais recomendações para a prevenção da doença.
A médica ainda destaca que é fundamental praticar atividades
físicas regularmente e limitar o tempo em frente às telas, como celulares, TVs
e outros aparelhos eletrônicos.
“Formar hábitos saudáveis desde cedo é um fator decisivo
para evitar o desenvolvimento da obesidade e de outras doenças associadas.
Embora a predisposição genética também possa influenciar no desenvolvimento da
condição, os hábitos de vida e o ambiente em que a criança está inserida têm
papel fundamental na prevenção e no controle da obesidade infantil”,
complementa a dra. Mariana.
Avanço de hábitos alimentares não saudáveis entre
crianças
As alterações no padrão alimentar durante a infância têm
refletido nos indicadores de saúde e nutrição do país. Informações do SISVAN ressaltam
como esses costumes estão se alterando nos primeiros anos de vida,
especialmente em relação à qualidade da alimentação.
Conforme os indicadores apresentados, as crianças consomem
cada vez mais alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas à medida que
crescem. Isso mostra que os hábitos alimentares não saudáveis se intensificam
ao longo da infância.
“Na prática clínica, observamos que a obesidade infantil
raramente acontece de forma isolada. Ela está diretamente relacionada aos
hábitos alimentares, à rotina familiar e ao ambiente em que a criança vive.
Pequenas mudanças consistentes no dia a dia, especialmente nos primeiros anos
de vida, têm potencial de gerar um impacto duradouro na saúde física e
emocional da criança”, finaliza a dra. Mariana Grigoletto.
Por: ClickPB



