Terça-feira, 14 de julho-(07) de 2026
Matéria do g1PB
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Foto: Divulgação/Hospital Napoleão Laureano |
Ana Paula Ribeiro, de 26 anos, teve a união oficializada
com o companheiro após voluntários e profissionais do Hospital Napoleão
Laureano organizarem uma cerimônia em poucos dias
Internada para tratar um câncer em estágio avançado,
a jovem Ana Paula Ribeiro, de 26 anos, conseguiu realizar um dos
maiores sonhos antes de morrer: casar com o companheiro, Felipe Alves,
de 32 anos. A cerimônia aconteceu dentro do Hospital Napoleão
Laureano, em João Pessoa, e foi organizada por voluntários e profissionais
da unidade.
O casamento foi realizado na sexta-feira (3), depois que o
estado de saúde de Ana Paula se agravou. Dois dias depois, no domingo (5), ela
morreu no quarto onde estava internada, deixando duas filhas e a lembrança de
um momento marcado por emoção entre familiares, amigos e pessoas que
acompanharam sua trajetória.
Ana Paula e Felipe estavam juntos havia oito anos.
O casal já planejava oficializar a união, mas esperava que ela se recuperasse
do tratamento contra um linfoma não Hodgkin de células T,
descoberto após o nascimento da filha mais nova, que tinha apenas três meses.
Segundo Felipe, o diagnóstico mudou os planos da família.
Mesmo assim, o desejo de Ana Paula de se casar permaneceu.
“Ela disse que tinha o sonho de casar comigo, mas eu pedi
que ela esperasse ficar boa para casarmos na igreja. Infelizmente não deu
tempo”, contou o marido.
Com a piora no quadro de saúde, o casal decidiu antecipar a
cerimônia. A partir daí, uma mobilização começou para transformar o sonho em
realidade.
Mobilização de voluntários
A iniciativa teve apoio da voluntária Maria de
Lourdes, conhecida como “Bom Te Ver” ou “Lurdinha”, que atua há cerca de 20
anos como palhaça voluntária em hospitais e eventos.
Ela contou que conheceu Ana Paula durante uma visita à
enfermaria de hematologia. Na ocasião, a paciente enfrentava um momento difícil
por causa da queda dos cabelos provocada pelo tratamento.
Lurdinha ajudou Ana Paula com um corte de cabelo e doação de
turbantes. Durante a conversa, descobriu que a jovem tinha o sonho de se casar
usando um vestido de noiva.
A partir desse momento, começou uma mobilização para
conseguir todos os detalhes da cerimônia. Em poucos dias, voluntários
arrecadaram vestido de noiva, alianças, acessórios, bolo, música e
outros itens para a celebração.
“Paulinha falou que queria chegar em casa casada e eu
prometi que ia me esforçar”, relatou a voluntária.
A organização também contou com o apoio da direção do
hospital e das equipes responsáveis pela assistência à paciente, garantindo que
o casamento fosse realizado dentro das condições necessárias para preservar a
saúde de Ana Paula.
Últimos momentos ao lado do marido
Durante a cerimônia, Ana Paula se vestiu de noiva, trocou
alianças com Felipe e recebeu homenagens de todos que participaram.
Segundo o marido, aquele foi um momento de muita felicidade
para a paciente.
“Ela ficou muito feliz. Teve música, ela se vestiu de noiva,
colocou a aliança em meu dedo e eu coloquei no dedo dela. Foi tudo muito
bonito”, disse Felipe.
Dois dias depois, Ana Paula faleceu ao lado do companheiro.
De acordo com Felipe, antes de partir, ela deixou uma mensagem de amor e pediu
que ele cuidasse das filhas.
“Ela me disse que já estava tão cansada. Disse que me amava
e que estaria sempre ao meu lado. Pediu que eu cuidasse das crianças e partiu”,
contou.
Para a voluntária Lurdinha, a realização do casamento
representa o propósito do trabalho desenvolvido há duas décadas: levar
acolhimento e momentos de alegria para pacientes em situações delicadas.
“Escutar Paulinha dizer ‘estou tão feliz’ foi para isso que
o projeto foi criado”, afirmou.
Por:* g1pb

