Sábado, 11 de julho-(07) de 2026
A trajetória de Miriam Adrielly mostra como uma escolha
feita aos 15 anos mudou sua relação com os estudos: com apoio da família,
acesso a um computador e preparação online, a estudante avançou em uma
competição nacional de matemática até conquistar medalhas na escola pública.
A trajetória de Miriam Adrielly mostra como uma escolha
feita aos 15 anos mudou sua relação com os estudos: com apoio da família,
acesso a um computador e preparação online, a estudante avançou em uma
competição nacional de matemática até conquistar medalhas na escola pública.
Ela escolheu estudar.
No lugar da festa tradicional de 15 anos, com salão, vestido
e convidados, uma adolescente do interior da Paraíba fez um pedido diferente à
família. Queria um notebook e um curso online. Não era capricho, nem moda. Era
uma tentativa concreta de estudar melhor para a OBMEP, a Olimpíada Brasileira
de Matemática das Escolas Públicas.
A escolha parecia pequena para quem olhava de fora. Mas,
para Miriam Adrielly Silva de Brito, então aluna do 9º ano da escola pública,
aquele presente tinha outro peso. Era a ferramenta que poderia aproximá-la de
um objetivo que já havia começado a mudar sua rotina: conquistar uma medalha em
uma das maiores competições estudantis do país.
O aniversário que virou ponto de virada
Adrielly completou 15 anos em 21 de setembro de 2022.
Segundo o IMPA, instituto responsável pela OBMEP, os pais perguntaram se ela
queria uma festa ou uma viagem. A resposta surpreendeu: ela preferiu investir
nos estudos.
Mesmo assim, a família preparou uma comemoração surpresa
para cerca de 15 familiares. O tema não foi princesa, celebridade ou balada.
Foi a própria OBMEP, com bolo personalizado e clima de incentivo.
Por trás daquela cena simples havia uma decisão incomum. A
estudante havia recebido menção honrosa na 16ª edição da olimpíada e percebeu
que podia ir além. O resultado não era uma medalha, mas serviu como sinal. Ela
entendeu que, com preparação, poderia disputar de verdade.
Quando a matemática saiu do improviso
Antes, Adrielly contou ao IMPA que passou para a segunda
fase sem saber exatamente o tamanho da OBMEP. Depois da menção honrosa, a
relação com a matemática mudou.
Em 2022, a preparação ganhou método. Ela passou a estudar
provas antigas, acompanhar o curso online e enfrentar o banco de questões. Não
era uma rotina glamourosa. Era repetição, tentativa, erro e persistência.
A dificuldade não estava apenas no conteúdo. Estudar para
uma olimpíada científica exige tempo, orientação e acesso a materiais. Para
muitos alunos da escola pública, essa distância começa antes mesmo da prova.
Falta computador, falta internet de qualidade, falta alguém dizendo que aquela
disputa também é para eles.
No caso de Adrielly, o notebook virou uma ponte. O curso
online virou direção. E a decisão da família transformou o aniversário em
investimento.
O bronze veio primeiro
O esforço apareceu na 17ª OBMEP. Adrielly conquistou medalha
de bronze, resultado confirmado na lista oficial de premiados da olimpíada.
Naquele ano, a competição havia alcançado 18,1 milhões de alunos na primeira
fase, segundo o IMPA.
O número ajuda a entender o tamanho da conquista. Não se
tratava de uma prova pequena, restrita a poucas escolas. A OBMEP chegou a mais
de 54 mil instituições e a quase todos os municípios brasileiros naquela
edição.
Para uma estudante de Conceição, no interior da Paraíba,
aparecer entre os medalhistas nacionais significava mais do que um certificado.
Era a prova de que a escolha feita no aniversário tinha produzido consequência
real.
A história não parou na primeira medalha
O detalhe mais forte dessa trajetória veio depois. Adrielly
não ficou apenas no bronze.
Na 18ª OBMEP, já como estudante da EEEFM Maestro José
Siqueira, em Conceição, ela apareceu na lista oficial com medalha de prata. Na
19ª edição, voltou a conquistar prata, também registrada na premiação nacional.
O percurso ganhou novo peso na 20ª OBMEP 2025. A lista
oficial de premiados de escolas públicas registrou Miriam Adrielly Silva de
Brito com medalha de ouro.
A sequência mostra uma transformação rara: menção honrosa,
bronze, prata, prata e ouro. Não foi um resultado isolado, nem uma história de
sorte. Foi continuidade.
Um presente simples expôs uma oportunidade maior
A história de Adrielly chama atenção porque começa com uma escolha comum na vida de muitas famílias: como marcar os 15 anos de uma filha. Mas o desfecho revela algo maior.
A história de Adrielly chama atenção porque começa com uma escolha comum na vida de muitas famílias: como marcar os 15 anos de uma filha. Mas o desfecho revela algo maior.
Quando uma estudante de escola pública troca uma festa por
uma ferramenta de estudo e consegue avançar em uma olimpíada nacional, o caso
deixa de ser apenas uma curiosidade bonita. Ele mostra o impacto que acesso,
incentivo familiar e oportunidade podem ter quando chegam no momento certo.
O notebook não fez a medalha sozinho. O curso não substituiu
o esforço. Mas ambos abriram caminho para que uma adolescente do interior da
Paraíba transformasse uma decisão de aniversário em uma trajetória de bronze,
prata e ouro.
Por: CPG Click Petróleo e Gás


