Quinta-feira, 27 de agosto-(08) de 2026
Matéria do Portal Paraíba.com.br
O tabagismo atinge 19% dos brasileiros entre 16 e 24
anos, faixa etária que apresenta o maior consumo proporcional de cigarros
tradicionais e eletrônicos no País. O dado integra um levantamento realizado
pelo instituto Nexus e pelo A.C. Camargo Cancer Center e
alerta especialistas para a retomada do hábito entre os jovens.
A proporção registrada nessa faixa etária supera os índices
observados em todos os demais grupos pesquisados. O resultado preocupa
especialistas em saúde pública, especialmente diante da reversão da
tendência histórica de redução do consumo de tabaco entre as novas gerações.
Vapes ampliam o apelo entre os jovens
Historicamente alcançados por campanhas educativas e
advertências sanitárias, os jovens voltaram a aderir ao consumo de nicotina
por meio dos dispositivos eletrônicos, conhecidos popularmente como vapes.
A indústria utiliza aditivos aromáticos e sabores de
menta e frutas para mascarar o gosto do tabaco. Dessa forma, os
produtos ampliam o apelo comercial entre o público jovem.
O médico oncologista Helano Freitas, do A.C. Camargo
Cancer Center, avalia que os dispositivos eletrônicos não funcionam como
uma ferramenta de transição para abandonar o tabaco.
Segundo o especialista, o aparelho atua, na prática, como
uma porta de entrada para a dependência de nicotina.
Uso pode começar em festas e evoluir para dependência
De acordo com o levantamento, muitos usuários iniciam o
consumo em eventos sociais e festas, como uma forma de socialização
com amigos.
Com o aumento da frequência e a sobrecarga de trabalho,
porém, o consumo pode passar a ser diário. Nesse cenário, o cigarro passa a ser
utilizado como uma válvula de escape para o estresse, consolidando
a dependência química.
Fumantes têm percepção positiva sobre a própria saúde
O levantamento também identifica uma diferença entre o
hábito de fumar e a percepção dos próprios usuários sobre sua condição física.
Entre os entrevistados que continuam fumando, 63%
classificam a própria saúde como boa ou ótima.
Apesar dessa percepção, o consumo contínuo de substâncias
tóxicas aumenta expressivamente as chances de desenvolvimento de tumores
malignos.
Entre os órgãos afetados estão:
• Pulmão
• Boca
• Garganta
• Estômago
O tabagismo também agrava diagnósticos de enfisema
pulmonar, bronquite crônica e acidente vascular cerebral (AVC).
Especialistas defendem novas estratégias de prevenção
Diante do cenário, especialistas médicos defendem uma reformulação
urgente das diretrizes preventivas do Ministério da Saúde.
A proposta é desenvolver estratégias que dialoguem
diretamente com o público jovem e combatam a dependência ainda na adolescência.
O objetivo é reduzir a dependência de nicotina antes
que ela se consolide e, consequentemente, evitar o avanço de doenças
crônicas no futuro.
Por: Portal Paraíba.com


