Domingo, 16 de agosto-(08) de 2026
A técnica de cultivo sem o uso da terra foi utilizada por
um grupo de produtores para o plantio de mais de 40 hortaliças.
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| Produção de hortaliças no Curimataú da Paraíba // Foto: Reprodução TV Paraíba.. Jornal da Paraíba |
Um grupo de produtores tem se destacado pela produção de
hortaliças e frutas por meio da hidroponia no município de Nova Floresta, no
Curimataú do estado. A técnica é utilizada para o cultivo de plantas sem o uso
da terra.
Na hidroponia, as raízes das plantas ficam submersas em uma
mistura aquosa, com todos os nutrientes necessários para o seu desenvolvimento.
Na propriedade do agricultor Antônio Ambrósio, a técnica
ajudou a diversificar a produção. A área tem quatro hectares e cresceu ao longo
dos anos com a renda obtida pela venda de raízes.
“Quem hoje vê tudo verdinho, nem imagina como começou.
Quando eu estava naquele período, era milho, feijão e mandioca. Os meninos
começaram a estudar lá para a areia, para a bananeira, eles saíam. Aí quando
chegava o sábado, eles vinham vender na feira aqui em Nova Floresta e eu ficava
por aí regando, cuidando”, contou.
Com o passar dos anos, o negócio cresceu e a família passou
a investir em novas formas de produção, como a hidroponia.
“Neste sistema de cultivo de hidroponia, seja ele no
alface, seja ele no brócolis ou seja ele aqui no caso do morango. É a
ferramenta para a gente conseguir produzir com qualidade dentro do semiárido. A
gente equilibra todos os nutrientes”, explicou o técnico agrícola Stênio
Dantas.
O sistema utiliza um dessalinizador para tratar a água
naturalmente salgada da região. Depois, os nutrientes são equilibrados antes
que a água chegue às plantas. Assim, é possível cultivar espécies mais
sensíveis.
Atualmente, a propriedade cultiva cerca de 40 tipos de
hortaliças, como alface, cheiro-verde, brócolis e couve-flor. A plantação de
couve-flor e brócolis da família é a primeira do estado realizada por meio da
técnica de hidroponia.
Produção de flores comestíveis e morangos
Apesar do pioneirismo dos agricultores, a produção tem
enfrentado dificuldades pelo encarecimento do processo de plantio
agroecológico. Por conta da dificuldade, os produtores passaram a investir
também no mercado de flores comestíveis e já dispõem de mais de 30 espécies na
propriedade.
“Como a flor ia ter pouco concorrente, a gente manda para
Natal, Mossoró, João Pessoa, Campina Grande, e esse é um mercado aberto para o
comércio de flores. As flores aqui já estão todas no ponto de colheita e sempre
tem mercado", detalhou o técnico agrícola Guima Mendes.
Além das hortaliças e flores, a propriedade também produz
morangos. O cultivo leva em conta o clima de Nova Floresta, que é seco, mas tem
temperaturas mais baixas durante a noite.
A produção conta com 12 mil pés, que resultam na produção de
40 quilos da fruta por semana. O processo de manutenção é realizado por três
pessoas, responsáveis por cuidar, colher e embalar a fruta.
“Quando a gente traz isso para dentro do semiárido,
quando a gente traz isso para o Nordeste, para a sociedade como um todo, tem um
respaldo social e econômico muito importante. Porque eu estou produzindo dentro
da minha microrregião, eu estou gerando emprego dentro da minha região”,
reforçou Stênio Dantas.
O empreendimento também atrai turistas. A propriedade recebe
visitantes mediante o pagamento de uma taxa que varia de R$ 20 a R$ 90. Durante
o passeio, eles podem conhecer o processo de produção e experimentar morangos
diretamente do pé.
Depois de acompanhar todo o desenvolvimento da propriedade,
Antônio refletiu sobre o crescimento da produção, que é motivo de orgulho para
todos que acompanharam essa trajetória desde o início.
“Eu nunca pensei que possuía um recurso assim, de ter
tanta fartura aqui, como nós temos agora. É coentro, é alface, é brócolis, é
morango. Os meus meninos não comiam morango, porque eu não podia comprar,
né? Hoje, até as galinhas comem”, concluiu.
Por: Jornal da Paraíba


