Quinta-feira, 17 de setembro-(09) de 2026
Candidato a governador também falou sobre a proposta de
uma renda mínima de R$ 7,5 mil para os brasileiros, redução da jornada de
trabalho para 30 horas
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Camilo é candidato a governador da PB (Foto: Reprodução) |
Fim da Polícia Militar, população armada e calote da
população contra os bancos. Foram esses os principais pontos abordados por
Camilo Duarte, candidato do PCO ao governo da Paraíba. Camilo foi o terceiro
entrevistado da rodada de entrevistas com os candidatos ao governo do Estado no
programa Correio Debate, da Rede Correio SAT. A entrevista aconteceu nesta
quarta-feira (16).
Durante a conversa, Camilo Duarte também falou sobre a
proposta de uma renda mínima de R$ 7,5 mil para os brasileiros, redução da
jornada de trabalho para 30 horas semanais e adoção da liberdade de expressão
irrestrita.
Confira abaixo os principais pontos abordados de acordo
com os temas:
Proposta sobre o calote na dívida dos trabalhadores com
os bancos e renda mínima
Nosso ponto principal é a defesa da extinção da dívida
pública. Não reconhecemos essa dívida. É uma dívida política, não é uma questão
puramente econômica. No exercício anterior, foram R$ 1,8 trilhões para
pagamento de juros e amortização da dívida.
O Dieese diz que o salário mínimo tem que ser R$ 7,5 mil.
Se você pegasse e desse R$ 7,5 mil para cada brasileiro ainda sobrava R$ 200
bilhões. Isso é o orçamento da educação e aproximadamente o da saúde. Se desse
uma renda mínima de R$ 7,5 mil a cada brasileiro ainda sobrava isso.
O que a gente defende é que o cidadão tenha o mínimo do
mínimo. Se ele não está trabalhando o Estado teria que dar o aporte. A
princípio teria que ser quem está desempregado.
O Bolsa Família inicialmente era R$ 300. Ele dobrou com
Bolsonaro por uma questão eleitoral. Mesmo assim é um valor irrisório.
Se o próprio Dieese, que é um órgão do Estado, diz que o
salário mínimo para um família sobreviver é R$ 7,5 mil, como vai dar para uma
família sobreviver com R$ 600?
Se as condições de trabalho e remunerações forem dignas,
ela [as pessoas] vão querer trabalhar. O problema é que você morre de
trabalhar.
No governo FHC, no Brasil morria em torno de 500 pessoas
por dia de fome. Quando Lula assumiu a realidade mudou, mas não há perspectiva
para o trabalhar. Você não morre de fome, mas morre de trabalhar e não tem
nenhuma evolução. As condições de vida não mudam. É difícil estimular uma
pessoa a trabalhar se ela não tem perspectivas.
O mínimo deveria ser o básico, as necessidades básicas
atendidas.
Proposta para redução de dívidas dos paraibanos
Você pode propor, mas não deve fazer promessas. Não há
como a população ter suas necessidades atendidas se não houver mobilização. Um
governo que se coloque do lado da população teria que ter obrigação de dizer
‘olha, tem problema de habitação vamos ver o que está aqui, vamos estatizar’.
Se tem problema fundiário na agricultura, vamos dividir a terra e chamar a
população para estar cumprindo isso.
O PCO, Camilo ou qualquer outro candidato que vier
prometer está fazendo demagogia.
Segurança pública
O cenário atual é de guerra civil. Nas mortes violentas,
se não estou enganado, 90% envolvem a polícia, em um estado que a pena de morte
não existe. Já vivemos uma guerra civil e a população está sendo assassinada.
Uma população desarmada não tem autonomia. O que gera
violência não é a arma. Arma é um instrumento. O que gera violência é a
desigualdade social. Enquanto houver desigualdade social haverá violência.
Violência é uma questão social.
O crime organizado, tráfico de drogas, está relacionado a
um negócio e um negócio de alto risco e alto lucro. Quando maior o risco, maior
o lucro. Enquanto as drogas forem proibidas, não houver controle estatal, vai
haver esse nicho, vai haver o risco, o lucro exorbitante. Por isso, apesar de
ser contra o uso das drogas, a gente defende a legalização.
Mesma coisa é a questão da polícia. Qualquer força
policial que esteja separada da população vai se opor a ela em algum momento.
Acreditamos que qualquer força policial tem que estar associada ao domínio
popular. É uma questão política.
Nossa realidade é: quem é do meio criminoso está armado.
Uma parte expressiva da população, a classe média, está armada. A
extrema-direita está armada. O trabalhador é que não. Quem é criminoso vai ter
a arma dele e vai se impor pela força.
A polícia em geral não existe para defender o cidadão em
si, existe para ser o braço do Estado, para impor o domínio da violência pelo
Estado.
Um país inteiro armado é um país que tem autonomia. Um
país em que o Supremo, um juiz, faz o que quer e o Judiciário passa por cima da
Constituição e usurpa poderes do Executivo e Legislativo é uma anarquia.
Já vivemos em uma anarquia. Quem tem dinheiro no Brasil
tem segurança privada, já está armado. Quem não tem dinheiro está desarmado e à
mercê de quem tem dinheiro.
A mobilização da população é uma necessidade e a questão
de ser armado ou não tem haver com resistência da oposição.
Fim da escala 6×1 e adoção de uma redução de jornada
A grande discussão é que tem que haver uma redução da
jornada de trabalho sem redução de salários. Há 20 anos atrás, quando começou o
movimento da CUT, já tinha um estudo que seis horas diárias atenderia muito
bem, 30 horas semanais.
Então, hoje, com a tecnologia que a gente tem e avanço na
produção acredito que menos do que isso seria o necessário, atenderia a
demanda. A grande questão é política.
Hoje, os bancos tiram de todo o setor produtivo nacional
e quem paga isso é a classe trabalhadora. Ele vai lá e tira do menor.
Bancos e corrupção
O Banco do Brasil e a Caixa não são estatais em si. É
feito a Petrobras, são economia mista. Qual a finalidade deles? Eles estão
proporcionando lucro aos acionistas.
O país mais corrupto, de longe, é os Estados Unidos. A
gente acha que o Brasil é corrupto porque a gente não tem a dimensão da
realidade externa.
Qual o maior caso de corrupção, tirando o de Alexandre de
Moraes, que é R$ 200 bilhões. Nenhum chega perto disso, nem de longe. Não tem
nenhum da ordem de bilhão. Corrupção maior é a dos bancos, a do imperialismo e
do grande capital. O Brasil está muito longe disso.
Liberdade de expressão
Hoje, no Brasil, o que não falta são leis. Tem uma infinidade de leis mortas. Qualquer política que vá no sentido de dar mais poder ao Estado é uma política ruim. A lei serve para limitar o poder do Estado contra a população. Quando você faz com que essa lei endureça o regime, quem vai pagar é a população, independente do que for. Quem vai pagar é o lado mais frágil, é a classe trabalhadora.
Hoje, no Brasil, o que não falta são leis. Tem uma infinidade de leis mortas. Qualquer política que vá no sentido de dar mais poder ao Estado é uma política ruim. A lei serve para limitar o poder do Estado contra a população. Quando você faz com que essa lei endureça o regime, quem vai pagar é a população, independente do que for. Quem vai pagar é o lado mais frágil, é a classe trabalhadora.
A lei Felca. O que deixa as crianças vulneráveis é a
ausência dos pais, o fato dos pais trabalharem várias horas por dia e não terem
estrutura para atender as crianças. Não há estrutural estatal e estrutura dos
pais. É o abandono com a juventude que deixa ela vulnerável.
A lei Felca não toca em nada disso. Ela não aumenta a
segurança, não muda a situação objetiva da criança. Ela serve para reprimir
ainda mais.
A questão da censura. Somos contrários à censura.
Defendemos o livre debate. Se você tem uma posição, exponha, critica. Se fala
alguma coisa vai ser desmoralizado por essa coisa se estiver errada. Ela
(pessoa) tem que ter liberdade para falar e pagar politicamente pelo que fala.
Há 20 anos atrás o PT defendia liberdade de expressão em
absoluto, defendia voto impresso, defendia os pontos de armamento da população.
A extrema-direita atual faz demagogia com isso. É uma pauta da esquerda.
Os próximos entrevistados pelo Correio Debate serão:
Dia 17/9 – Cícero Lucena (MDB);
Dia 18/9 – Lucas Ribeiro (Progressistas;
Dia 21/9 – Yuri Ezequiel (UP).
Por: Portal Correio

