Domingo, 06 de setembro-(09) de 2026
Desde o século 16, regiões eram representadas menores do
que são
No mapa-múndi, a África, a América do Sul e o Sul da Ásia
foram representados, desde o século 16, menores do que são. Nessa sexta (4), a
Assembleia Geral das Nações Unidas decidiu corrigir a distorção ao examinar a
proposta intitulada “Corrija o mapa”, liderada pelo Togo e outros países
africanos.
Ao todo, representantes de 164 países votaram a favor da
mudança. Apenas os Estados Unidos foram contrários. Houve seis abstenções. A
proposta altera a representação cartográfica global para “mostrar de forma mais
justa algumas regiões do mundo”, como explica a ONU.
Ao discursar antes da votação, o ministro das Relações
Estrangeiras de Togo, Robert Dussey, disse que a aprovação envia a mensagem de
que a Assembleia Geral acredita na “verdade científica”.
Ainda, de acordo com ele, a decisão reforça a equidade de
representação e a dignidade dos povos. Para ele, não se trata apenas de
corrigir um mapa e sim de corrigir a percepção.
Distorção
Segundo o argumento, a projeção de Mercator, concebida em
1.569 para fins de navegação, foi amplamente usada em materiais educacionais,
midiáticos, digitais e oficiais.
No entanto, a distorção fez com que as massas de terra ao
Norte e ao Sul da linha do Equador fossem ampliadas. Essa representação fez com
que se perpetuasse “uma visão desequilibrada do mundo”, apontaram os africanos.
O texto ainda afirma que a correção dessas distorções
cartográficas de dimensões continentais vai proporcionar “justiça cognitiva e
reparação memorial” para fomentar a compreensão mútua entre os povos.
Precisão
Os representantes da União Africana apresentaram o modelo
de “Terra Igual” como a projeção cartográfica que representaria com mais
precisão as dimensões de todos os continentes. A ONU espera que a aprovação da
resolução encoraje a adoção desse modelo por governos, organizações
internacionais e outras entidades.
Ainda nos argumentos da União Africana, os mapas
constituem uma ferramenta educacional, científica e cultural fundamental que
“molda a percepção do mundo e o imaginário coletivo dos povos”.
Segundo o texto, as distorções têm impactos cognitivos,
educacionais, culturais, geopolíticos e socioeconômicos e constituem “vieses
históricos, cuja correção promoverá reconhecimento, justiça e desenvolvimento”.
A ONU argumentou que o Pacto para o Futuro, aprovado
pelos Estados-Membros em 2024, enfatizou a necessidade de eliminar os vestígios
de desigualdades históricas e estruturais e de erradicar todas as formas de
discriminação.
Por: Agência Brasil

