Sábado, 05 de Dezembro de 2015
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ),
rebateu na noite desta sexta-feira (4), por meio de nota, as críticas da
presidente Dilma Rousseff e associou diretamente a ela o escândalo de corrupção
na Petrobras.
Mais cedo, a petista
havia participado de um evento em Brasília em que afirmou que o impeachment,
autorizado por Cunha, é uma “tentativa de golpe”. Ela também repetiu o mesmo
tom do seu pronunciamento logo após o anúncio da abertura do processo e, em um
ataque indireto ao peemedebista, disse que não possui contas no exterior.
Cunha é alvo de investigação da Procuradoria Geral da República por
suspeita de ter contas bancárias secretas na Suíça.
“Não me sinto atingido pelas palavras da presidente e lamento que o maior
escândalo de corrupção, de desvio de dinheiro público do mundo esteja na maior
empresa do governo dela, dirigida por ela desde 2003, seja como ministra, seja
como presidente do conselho [de administração], ou seja, como presidente da
República”, disse Cunha por meio de nota divulgada à imprensa.
Em discurso no encerramento de uma conferência na área de saúde, Dilma disse
que iria defender o seu mandato com "todos os instrumentos do Estado de
Direito" porque, segundo ela, não fez nada que justificasse o seu
afastamento. Na ocasião, ela reafirmou que as razões que embasam o pedido de
impeachment são "inconsistentes" e repetiu: "Não tenho conta na
Suíça", em referência às contas de Cunha no exterior.
Os dois já haviam trocado farpas nos últimos dias. Ao se pronunciar sobre a
abertura de impeachment, Dilma negou que tivesse havido algum tipo de barganha
entre o governo e Cunha para que ele segurasse o processo em troca dos votos de
petistas no Conselho de Ética, onde ele é alvo de um processo.
No dia seguinte, Cunha convocou uma coletiva de imprensa para dizer que a
presidente Dilma havia mentido ao país e acusou o Palácio do Planalto de
negociar a aprovação da CPMF em troca dos vetos no conselho. O governo reagiu e
o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, também chamou a imprensa para dizer
que quem mentia era Cunha.
G1