Sábado, 03 de janeiro-(01) de 2026
Autoridades do país afirmaram que pode levar dias para nomear
todas as vítimas do fogo, que também deixou mais de 100 feridos, muitos em
estado grave
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| (Reprodução) |
A primeira vítima do incêndio que matou mais de 40 pessoas em um bar na Suíça foi
identificada nesta sexta (2) como Emanuele Galeppin, um italiano de 16 anos. O
jovem era um golfista que morava em Dubai.
Investigadores iniciaram a tarefa de
identificar os corpos carbonizados do incidente em uma festa de Ano-Novo na
estação de esqui suíça de Crans-Montana. Já são 47 mortes confirmadas.
Os ferimentos por queimaduras foram tão
graves na maioria dos jovens frequentadores do bar Le Constellation que as
autoridades do país afirmaram que pode levar dias para nomear todas as vítimas
do fogo, que também deixou mais de 100 feridos, muitos em estado grave.
Pais de jovens desaparecidos fizeram
apelos desesperados por notícias de seus filhos, enquanto embaixadas
estrangeiras corriam para verificar se seus cidadãos estavam entre as vítimas
de uma das piores tragédias da Suíça moderna. Segundo o Itamaraty, não há
brasileiros na lista.
“Estou procurando meu filho há 30
horas. A espera é insuportável”, disse Laetitia, mãe do desaparecido Arthur, 16
, ao canal BFM TV, afirmando estar desesperada para saber se ele está vivo ou
morto, e onde. “Se ele está no hospital, não sei qual. Se está no necrotério,
não sei qual. Se meu filho está vivo, ele está sozinho no hospital, e eu não
posso ficar ao lado dele.”
As autoridades alertaram que nomear as
vítimas ou confirmar o número exato de mortes levará tempo, pois muitos corpos
estão gravemente queimados. “Todo esse trabalho é necessário porque as
informações são tão terríveis e sensíveis que nada pode ser dito às famílias
sem 100% de certeza”, afirmou Mathias Reynard, chefe de governo do cantão
(equivalente a um estado brasileiro) de Valais. Especialistas usam amostras
dentárias e de DNA para as identificações, segundo ele.
A origem do incêndio ainda é incerta.
Autoridades suíças indicam que parece ter sido um acidente, não um ataque.
Relatos de sobreviventes e vídeos em redes sociais sugerem que o teto do porão
do bar pode ter pegado fogo quando velas de faíscas se aproximaram demais.
Resort frequentado por celebridades e
por profissionais dos esportes de inverno, Crans-Montana é sede habitual da
Copa do Mundo de Esqui. O ator britânico Roger Moore, que encarnou James Bond
nos filmes da franquia 007, viveu no local, hoje com 10 mil habitantes.
“Podia ter sido a gente”, disse Emma,
18, de Genebra, do lado de fora do bar isolado. “Havia uma fila enorme, então
decidimos não entrar na virada do ano. Tivemos tanta sorte. Mesmo vivos e bem,
estamos em choque. É um trauma até para nós. Vejo os desaparecidos e são todos
da nossa idade.”
Atrás do cordão policial, os corpos de
algumas vítimas ainda estavam no bar, disseram as autoridades, prometendo
trabalhar 24 horas por dia para identificar todos os que sucumbiram ao fogo.
Elisa Sousa, 17, disse que ia estar no
bar no momento do incêndio, mas acabou passando a noite em uma reunião
familiar. “E, sinceramente, vou ter que agradecer minha mãe cem vezes por não
me deixar ir”, afirmou na vigília pelas vítimas. “Porque só Deus sabe onde eu
estaria agora.”
Itália e França estão entre os países
que confirmaram desaparecidos, e o ministro das Relações Exteriores italiano,
Antonio Tajani, visitará Crans-Montana nesta sexta, segundo o embaixador
italiano na Suíça, Gian Lorenzo Cornado. A Austrália informou que um de seus
cidadãos ficou ferido.
Dos 112 feridos, todos menos cinco já
foram identificados, disse Cornado. Seis italianos continuam desaparecidos, e
13 estão hospitalizados; três foram repatriados na quinta e mais três na
sexta-feira.
O incêndio foi lembrado no Brasil pela
semelhança com a tragédia da boate Kiss, em 2013, em Santa Maria (RS), quando
242 pessoas morreram após o uso de artefatos pirotécnicos em show no local
incendiar o teto, cujo material contribuiu para alastrar o fogo rapidamente e
exalou fumaça tóxica.
Por: Folhapress

