Terça-feira, 31 de março-(03) de 2026
Matéria do Portal Paraíba.com.br
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Presidente Lula em última reunião ministerial de 2025 na Granja do Torto em Brasília — (Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República) |
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou, na manhã
desta terça-feira (31), que 18 dos 38 ministros do governo deixarão seus cargos
para disputar as eleições de outubro. Segundo ele, as mudanças são necessárias
porque os aliados assumirão “tarefas mais relevantes” nos próximos meses.
Durante a mesma reunião ministerial, Lula também confirmou que Geraldo Alckmin
será novamente candidato a vice em sua chapa à reeleição.
A desincompatibilização seis meses antes do pleito, até 4 de
abril, é uma exigência da legislação eleitoral.
“Eles sairão porque terão responsabilidades mais importantes
nos próximos meses. É um direito legítimo concorrer a uma eleição,
independentemente do cargo”, afirmou Lula na abertura do encontro.
De acordo com o presidente, parte das substituições será
efetivada ainda durante a reunião, enquanto outras ocorrerão ao longo dos
próximos dias. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, por exemplo, deixará o
posto após participar de uma agenda com Lula em Salvador.
“Hoje, pelo menos 14 companheiros deixam o governo, além de
outros quatro que devem anunciar a saída em breve. E possivelmente mais alguns
depois”, acrescentou.
A maior parte das trocas deverá ocorrer dentro das próprias
equipes, com secretários-executivos assumindo os ministérios. O modelo já foi
adotado na Fazenda, onde Dario Durigan substituiu Fernando Haddad, com o
objetivo de garantir a continuidade das ações em andamento.
“Decidi não nomear novos ministros. A estrutura já funciona
há mais de três anos e não queremos reiniciar processos. Há muitos projetos a
serem concluídos até 31 de dezembro, e quem permanecer terá essa
responsabilidade”, explicou.
Lula também elogiou seus auxiliares, embora tenha
reconhecido que o cenário do país ainda está distante do ideal.
“Tenho certeza de que todos poderão se orgulhar do trabalho
realizado e da contribuição para a retomada da normalidade no país. Ainda não é
a situação ideal que desejamos, mas é muito melhor do que encontramos,
infinitamente superior”, concluiu.
As mudanças
Com as substituições, o governo passará a ser composto em
grande parte por nomes de menor expressão política e rostos menos conhecidos. A
maioria dos ministérios será comandada pelos atuais secretários executivos.
Fazem parte desse grupo, por exemplo, a pasta da Educação, que deve ter
Leonardo Barchini no lugar do ex-governador do Ceará Camilo Santana, e dos
Transportes, com a promoção de George Santoro, para a vaga do
ex-governador de Alagoas Renan Filho.
Na Fazenda, onde Fernando Haddad antecipou a sua saída, a
promoção do secretário executivo já ocorreu com a nomeação de Dario Durigan. O
mesmo modelo de promoção do número 2 acontecerá na Casa Civil, ministério
responsável por coordenar as ações do governo. Miriam Belchior, que foi
ministra do Planejamento no governo Dilma Rousseff, assumirá o lugar de Rui
Costa, que concorrerá ao Senado pela Bahia.
Lula também usará as trocas para promover acomodações
políticas. No cobiçado Ministério da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), que
sairá para concorrer ao Senado pelo Mato Grosso, será substituído por André de
Paula (PSD), atual titular da pasta da Pesca. A mudança é um gesto do Planalto
à bancada do PSD na Câmara, já que André de Paula é deputado federal
licenciado.
O presidente ainda aproveitará para testar um nome visto
como proeminente dentro do governo em um posto de primeiro escalão. O
economista Bruno Moretti, que atualmente está à frente da Secretaria Especial
de Análise Governamental, vinculada à Casa Civil, assumirá o Ministério do
Planejamento em lugar de Simone Tebet.
Também vão sair os ministros Jader Filho (Cidades), Paulo
Teixeira (Desenvolvimento Agrário), Anielle Franco (Igualdade Racial), Silvio
Costa Filha (Portos e Aeroportos), André Fufuca (Esportes), Marina Silva (Meio
Ambiente), Waldez Goes (Desenvolvimento Regional), Macaé Evaristo (Direitos
Humanos) e Sônia Guajajara (Povo Indígenas).
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann,
também vai deixar o cargo para concorrer ao Senado pelo Paraná. O seu
substituto, porém, ainda segue indefinido. O plano era nomear o secretário do
Conselho do Desenvolvimento Econômico Social, o Conselhão, Olavo Noleto, mas
Lula decidiu optar por um político com mais experiência. Há possibilidade de o
cargo ser ocupado interinamente até a escolha do substituto de Gleisi.
Além dos nomes certos, ainda podem deixar o governo Márcio
França, Luciana Santos (Ciência e Tecnologia) e Wolney Queiroz (Previdência).
Por: Portal Paraíba.com.br

