Quinta-feira, 30 de abril-(04) de 2026
Matéria do Portal da Agência Brasil
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| Foto: Reprodução |
Apesar das tensões em torno da guerra no Oriente Médio, o
Banco Central (BC) cortou os juros pela segunda vez seguida. Por unanimidade, o
Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Taxa Selic, juros básicos da
economia, em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano. A decisão era esperada pelo mercado financeiro.
De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao
ano, o maior nível em quase 20 anos. O Copom voltou a cortar os juros na
reunião passada, num cenário de queda da inflação. No entanto, a guerra no
Oriente Médio, que se refletiu no aumento dos preços de combustíveis e de
alimentos, dificulta o trabalho do Copom.
O Copom estará desfalcado porque o mandato dos diretores de
Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Paulo
Pichetti, expirou no fim de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva até
agora não encaminhou as indicações dos substitutos ao Congresso Nacional.
Na reunião deste mês, haverá mais um desfalque. Na
terça-feira (28), o Banco Central anunciou que o diretor de Administração,
Rodrigo Teixeira, se ausentará por causa do falecimento de um parente de
primeiro grau.
Em nota, o Copom não deu pistas sobre a evolução dos
juros. O texto informou que está monitorando a guerra no Oriente Médio e os
efeitos de um possível prolongamento sobre a inflação.
“Nesse momento, as projeções de inflação apresentam
distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a
política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções foi
elevada consideravelmente, em função da falta de clareza sobre a duração dos
conflitos e de seus efeitos sobre os condicionantes dos modelos de projeção
analisados”, destacou o comunicado.
Inflação
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para
manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços
ao Consumidor Amplo (IPCA). A prévia da inflação oficial pelo Índice
Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) acelerou para 0,89% em abril. No acumulado de 12 meses, o
índice acelerou para 4,37%, contra 3,9% em março.
O IPCA cheio de abril só será divulgado em 12 de maio.
Pelo novo sistema
de meta contínua, em vigor desde janeiro de 2025, a meta de inflação que
deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de
3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para
baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%.
No modelo de meta contínua, a meta passa a ser apurada mês a
mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses. Em abril de 2026, a
inflação desde maio de 2025 é comparada com a meta e o intervalo de tolerância.
Em maio de 2026, o procedimento se repete, com apuração a partir de junho de
2025. Dessa forma, a verificação se desloca ao longo do tempo, não ficando mais
restrita ao índice fechado de dezembro de cada ano.
No último Relatório de Política Monetária, divulgado no
fim de março pelo Banco Central, a autoridade monetária elevou, de
3,5% para 3,6%, a previsão do IPCA em 2026, mas a estimativa será
revista, por causa do comportamento do dólar e da inflação. A próxima edição do
documento, que substituiu o antigo Relatório de Inflação, será divulgada no fim
de junho.
As previsões do mercado estão mais pessimistas. De acordo
com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras
divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 4,86%, acima do teto da meta, de 4,5%. Antes do início
da guerra no Oriente Médio, as estimativas do mercado estavam em 3,95%.
Crédito menos caro
A redução da taxa Selic impulsiona a economia. Isso
porque juros mais baixos barateiam o crédito e estimulam a produção e o
consumo. Por outro lado, taxas menores dificultam o controle da
inflação. No último Relatório de Política Monetária, o Banco
Central manteve em
1,6% a previsão de crescimento da economia em 2026.
O mercado projeta crescimento um pouco melhor. Segundo a
última edição do boletim Focus, os analistas econômicos
preveem expansão de 1,85% do PIB em 2026.
A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos
públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de
referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima,
o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque
juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.
Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e
incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para
cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços
estão sob controle e não correm risco de subir.
Por: Agência Brasil

