Segunda-feira, 22 de junho-(06) de 2026
Plataforma que já foi alvo de CPI e ostenta patrocínios
de peso impõe cortes sem negociação prévia, segundo relatos
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Neymar é patrocinado pela Blaze | Crédito: Foto: Divulgação/ Instagram @neymarjr |
No último dia 29 de maio, a
Blaze, uma das maiores plataformas de aposta do país, anunciou que cortará
o Vale Refeição (VR) dos trabalhadores. No comunicado enviado às equipes, a
empresa, que tem sede em Curaçao, na região do Caribe, mas que mantém um
escritório em São Paulo, justificou a medida alegando que o “ambiente político
e eleitoral” do país “traz preocupação e apreensão”.
“Estamos vivendo um momento desafiador para os operadores de apostas regulados
no Brasil”, afirma a Blaze no documento enviado aos trabalhadores. “O
crescimento descontrolado de plataformas ilegais e sem mecanismos adequados de
controle vem impactando diretamente as empresas que atuam dentro da
regulamentação, gerando empregos, arrecadação e segurança para consumidores e
colaboradores”, explica a empresa, que continua argumentando pelo corte no
benefício.
“Os
recentes aumentos tributários, somados à ampliação de custos operacionais e
regulatórios, vêm comprometendo parte do planejamento originalmente
estruturado. A insegurança jurídica gerada por manifestações de agentes
públicos e candidatos, com promessas de aumento de imposto e até bloqueios ao
setor, potencializada pelo atual ambiente político e eleitoral, também traz
preocupação e apreensão”, finaliza.
Em 2025, a Blaze faturou U$$ 115 milhões (aproximadamente
R$ 600 milhões), de acordo com a projeção do Gross Gaming Revenue (GGR), que é
o índice que calcula o faturamento das plataformas de apostas, cujos parâmetros
de cálculo foram estabelecidos pela Secretaria de Prêmios e Apostas do
Ministério da Fazenda (MF) no dia 31 de janeiro de 2025.
A Blaze mantém quase 200 trabalhadores contratados em todo o território
nacional. Cerca de 150 tiveram o benefício retirado. Todos trabalhavam em
modelo remoto e recebiam o VR. Com a mudança, apenas os funcionários que
trabalham presencialmente passaram a receber.
Além do corte do benefício, a empresa solicitou que os que vivem em São Paulo
abandonassem o modelo remoto e passassem a trabalhar na sede da empresa. Cerca
de 30 pessoas não concordaram e teriam sido demitidas, de acordo com
trabalhadores escutados pela reportagem.
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| Comunicado da Blaze aos trabalhadores | Crédito: Foto: Divulgação |
“Houve coação e, por mais que busquem qualquer
justificativa, foram desligados por não concordar com o autoritarismo da
empresa, que queria nos forçar a trabalhar presencial”, conta um trabalhador
que conversou com a reportagem do Brasil de Fato em condição de
anonimato.
Para o advogado trabalhista Douglas Matos, “qualquer
alteração no contrato de trabalho, em especial aquelas atreladas à alimentação,
deve ser analisada com bastante sensibilidade, especialmente porque o
empregador deve estar atento a duas situações essenciais: análise se a
alteração no contrato pode ser vista como lesiva (o art. 468 da CLT veda
qualquer mudança nesse sentido) e se a medida poderá resultar na judicialização
em massa, sendo essa última de custos muitas vezes incalculáveis para o
empregador e de demora para reparação ao trabalhador.”
O especialista lembra que “a negociação coletiva, por
meio de acordo coletivo de trabalho direto entre sindicato e empregador, pode
ser uma ferramenta útil a fim de garantir a segurança de todos os lados”.
Outro lado
Em nota enviada à reportagem, a Blaze disse que a
informação de que trabalhadores foram demitidos por se recusarem a trabalhar
presencialmente “não procede”.
Na nota, a empresa explicou o motivo dos cortes no VR dos trabalhadores.
“Ressaltamos que a Foggo (Blaze) adota políticas internas rigorosas, pautadas
pela responsabilidade e transparência. Toda e qualquer medida relativa à gestão
de pessoas e à política de benefícios é fundamentada em critérios estritamente
técnicos, operacionais e legais, sempre em estrita observância ao marco
regulatório vigente e à garantia dos direitos dos trabalhadores”, afirma a
empresa.
Os trabalhadores afirmam que não foram escutados e que
não houve espaço para que negociações fossem formuladas, com a finalidade de
buscar um acordo. A Blaze nega. “Reafirmamos nosso compromisso com a
integridade, o bem-estar e a segurança jurídica de nossos colaboradores,
mantendo-nos abertos ao diálogo fundamentado dentro dos parâmetros legais.
Logo, em caso de esclarecimentos adicionais ou novos, continuamos à disposição
para apoiar e trazer uma visão realista”, afirmou a empresa.
Celebridades
A Blaze é uma das principais plataformas de apostas do
Brasil. A empresa já foi acusada de não pagar apostas aos vencedores do “jogo
do aviãozinho”, desenvolvido por ela. Em agosto de 2023, representantes da
marca chegaram a ser convocados para prestar depoimento na CPI das Pirâmides
Financeiras, por conta do suposto calote em clientes.
Para garantir visibilidade, a Blaze trabalha com uma
estrutura de marketing digital ancorada na imagem de subcelebridades com
penetração nas redes sociais, como o cantor MC Daniel, as
influenciadoras Virginia Fonseca e Juju Salimeni, além de Bianca
Biancardi, esposa de Neymar.
O jogador é o principal nome patrocinado pela Blaze.
Quando foi convocado para a Copa do Mundo, Neymar publicou uma publicidade da
empresa antes mesmo de divulgar um vídeo celebrando a convocação com sua
família.
Por: Editado Luís Indriunas para o Brasil de Fato


