Quarta-feira, 03 de junho-(06) de 2026
Matéria da Agência Brasil.
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Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil |
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e
Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, listou, nesta terça-feira (2),
o impacto financeiro e os setores produtivos que
correm risco caso a proposta do governo dos Estados Unidos de
taxar em 25% os produtos brasileiros venha a ser implementada.
“Os setores mais atingidos seriam os de máquinas e
equipamentos, que têm valor agregado. E traz muito prejuízo, como disse o
vice-presidente Geraldo Alckmin, para emprego, renda e
indústrias”, destacou.
De acordo com o ministro, a decisão tarifária ameaça
diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao
mercado norte-americano.
A lista dos setores mais expostos:
• Máquinas e equipamentos industriais;
• Produtos de plástico;
• Calçados;
• Produtos de madeira, como esquadrias;
• Papel cartão;
• Ferro fundido;
• Peixes e crustáceos.
A declaração do titular do MDIC foi dada em Brasília, ao
lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro da
Fazenda, Dario Durigan, para dar resposta sobre como o governo do
Brasil reagirá ao relatório do Escritório do Representante Comercial
dos Estados Unidos (USTR) emitido nesta segunda-feira (1º), que propõe
a taxação.
Soberania
O ministro Márcio Rosa foi taxativo ao
dizer que não haverá retrocesso em temas relativos à soberania nacional,
por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E por
isso, o Pix não entra na pauta de negociações do Brasil.
“[O Pix] não está na mesa de negociação, não há
hipótese para isso. Nós vamos, sempre que possível, demonstrar não apenas para
o governo norte-americano, mas também para o povo brasileiro, qual é a linha de
esclarecimento e de defesa do Brasil”, disse.
O ministro criticou quem complica o avanço do diálogo
entre Brasília e Washington.
“Toda vez que a gente avança, surge um complicador, alguém
para dificultar o diálogo e, muitas vezes, há uma ameaça de retrocesso”,
declarou.
Márcio Rosa mencionou diretamente o senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ), que teve agenda na Casa Branca na
última semana.
Para o ministro, o movimento do parlamentar para classificar
as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da
Capital (PCC) como terroristas pelos Estados Unidos acaba atrapalhando
os trabalhos realizados pelas autoridades brasileiras.
“Ele acaba por produzir um resultado que contraria a ação
das nossas polícias, por exemplo, da Polícia Federal, que mantém
relação de atuação cooperada e conjugada com as autoridades norte-americanas”,
afirmou.
O ministro salientou que o próprio presidente Lula já
apresentou ao correspondente norte-americano a proposta brasileira de combate à
corrupção.
“É importante que nós fiquemos com muita transparência
esclarecendo o posicionamento do Brasil e na defesa, única e exclusivamente,
dos interesses do povo brasileiro”, declarou.
Articulação
O ministro Márcio Rosa lembrou que o Brasil
mantém canais permanentes de diálogo desde que o
presidente Lula esteve reunido com o presidente
norte-americano Donald Trump.
Desde então, o governo brasileiro teria participado de, pelo
menos, quatro reuniões formais recentes com o USTR,
a última em 28 de maio, além de discussões técnicas realizadas na
manhã da sexta-feira (29).
Por: Agência Brasil

