Domingo, 12 de julho-(07) de 2026
Matéria da Secom/JP.
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Foto: Secom/JP |
O acesso cada vez mais precoce a smartphones, tablets e
televisores tem acendido um alerta crucial na saúde pública. A Secretaria
Municipal de Saúde (SMS) chama a atenção de pais e responsáveis para o
perigo invisível do tempo excessivo de exposição das crianças às telas.
Embora a tecnologia seja uma realidade inevitável no
cotidiano, o bombardeio contínuo de estímulos digitais e a falta de limites
comprometem diretamente marcos fundamentais do crescimento físico, mental e
emocional na infância.
O alerta feito pela Secretaria Municipal de Saúde acompanha
uma preocupação nacional. O Ministério da Saúde, baseando-se nos
indicadores mais recentes da pesquisa TIC Kids Online Brasil, estudo
nacional realizado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br),
alerta que o início do contato com o ambiente digital na primeira infância mais
que dobrou no país nos últimos anos, onde o percentual de crianças que acessam
a rede pela primeira vez até os 6 anos de idade saltou de 11% para 23%.
O Ministério também chama a atenção para a elevada taxa de
conectividade na adolescência: 93% dos jovens entre 9 e 17 anos utilizam a
internet no país. Desse total, o smartphone se consolida como a principal
ferramenta de navegação, sendo o meio de acesso de 98% desse público.
Mais do que a conectividade, o que preocupa os profissionais
de saúde é o comportamento dependente gerado pelo excesso de tempo de
exposição. Ainda de acordo com os dados mais recentes endossados pelo
Ministério da Saúde, 24% dos jovens brasileiros relatam que tentam passar menos
tempo na internet, mas não conseguem, enquanto 22% admitem que já deixam de
passar tempo com a família, amigos ou estudando por conta do uso excessivo das
telas.
De acordo com especialistas, no aspecto cognitivo, esse
hábito pode gerar atrasos significativos no desenvolvimento da fala e reduzir a
capacidade de concentração e o foco dos pequenos.
O psicólogo do Centro de Atenção Psicossocial Infantil
(Capsi) Cirandar, da Prefeitura de João Pessoa, Vimário Lacerda, explica que a
infância e a adolescência constituem períodos fundamentais para a construção da
identidade, do emocional, das habilidades sociais e da capacidade de
autorregulação.
“A exposição excessiva às telas e às redes sociais pode
favorecer o aumento da ansiedade, dificuldades de concentração, alterações no
sono, redução das interações presenciais e comparações constantes com padrões
irreais de sucesso e beleza, potencializando sentimentos de inadequação, baixa
autoestima e sofrimento psíquico. O desafio não está apenas no tempo de
exposição, mas principalmente na qualidade das experiências vivenciadas no
ambiente digital. O acesso a conteúdos inadequados, a exposição ao cyberbullying,
à violência, à desinformação e à pressão por aceitação social são fatores que
exigem vigilância, diálogo e acompanhamento constante por parte dos familiares,
das escolas e dos profissionais que atuam na proteção da infância e da
adolescência”, alerta o psicólogo.
Impor esses limites em uma rotina acelerada tem sido uma das
principais dificuldades das famílias. A cirurgiã-dentista Carolina França de
Melo sentiu isso na pele com os filhos Vítor, de 16 anos, e Gabriela, de 11.
Ela conta que decidiu mudar os hábitos em casa após notar o impacto negativo do
ambiente digital no comportamento e na rotina dos jovens.
“A minha filha Gabriela nem celular tem ainda, mas ganhou um
tablet recentemente e percebi uma mudança grande. Ela chega da escola e vai
direto para a cama assistir vídeos, demora para fazer as tarefas escolares e já
não quer sair de casa. Já o Vítor, outro dia, estava estudando com o computador
na frente, o tablet no colo e o celular ao lado. Fiquei pensando como alguém
consegue se concentrar assim. Depois disso, passamos a controlar mais o tempo
de uso e a criar regras para o digital dentro de casa. Ainda não é fácil e
exige muita persistência, mas acredito também que esse exemplo precisa começar
principalmente por nós, adultos. Afinal, o equilíbrio no uso das telas é um
desafio diário para toda a família”, relata a mãe.
Além dos prejuízos emocionais, a saúde física é severamente
afetada pelo comportamento sedentário. O tempo prolongado de inatividade eleva
o risco de obesidade infantil e desencadeia problemas de postura. A luz azul
emitida pelos aparelhos, especialmente à noite, interfere diretamente na
produção de melatonina, o hormônio do sono, resultando em noites mal dormidas.
“Torna-se indispensável fortalecer uma cultura de educação
digital, promovendo o uso consciente e equilibrado da tecnologia. Ensinar
crianças e adolescentes a utilizarem a internet com responsabilidade é uma
tarefa compartilhada entre família, escola e sociedade. Mais do que controlar o
tempo de tela, é essencial conhecer os conteúdos acessados, dialogar sobre as
experiências vividas no ambiente virtual e estabelecer limites coerentes. A
presença dos adultos continua sendo o principal fator de proteção para o
desenvolvimento saudável, pois nenhuma tecnologia substitui a segurança
emocional construída por meio da convivência, do afeto e da escuta nas relações
familiares”, reforça o psicólogo.
A principal recomendação para as famílias é buscar o
equilíbrio, substituindo o tempo digital por interações reais, como
brincadeiras ao ar livre e leitura de livros. A SMS lembra que as Unidades
Básicas de Saúde (UBS) do Município contam com equipes multidisciplinares
preparadas para acompanhar o desenvolvimento das crianças e oferecer suporte e
orientação preventiva aos pais.
Por: Secom/JP

