Terça-feira, 14 de junho de 2016.
Conversa anulada aconteceu na tarde do dia 16 de março deste ano, às
13h32, após o anúncio de que Lula assumiria o cargo de ministro da Casa Civil
da Presidência da República.
Teori Zavascki
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki
decidiu nesta segunda-feira (13) remeter ao juiz da 13ª Vara Federal de
Curitiba, Sérgio Moro, as investigações sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula
da Silva na Operação Lava Jato e anular a gravação, feita durante a operação,
de uma conversa telefônica entre Lula e a presidente afastada Dilma Rousseff.
A conversa anulada aconteceu na tarde do dia 16 de março deste ano, às 13h32,
após o anúncio de que Lula assumiria o cargo de ministro da Casa Civil da
Presidência da República. O diálogo consta no relatório de inteligência da
Polícia Federal, que identificou Lula por suas iniciais (LILS).
Dilma telefona para Lula e diz que enviará a ele o papel do termo de posse.
Leia a íntegra da interceptação telefônica desta conversa:
MORAES: Moraes!
MARIA ALICE: Moraes, boa tarde, é Maria Alice, aqui do gabinete da presidente Dilma.
MORAES: Boa tarde…ô, senhora Maria, pois não!
MARIA ALICE: Ela quer falar com o presidente Lula
MORAES: Eu tô levando o telefone pra ele, então. Só um minuto, vou ver e te passo, tá? Por favor.
MARIA ALICE: Muito obrigada.
MORAES: Tá bom, de nada.
(pequeno intervalo)
MORAES: Só um minuto, senhora Maria Alice.
MARIA ALICE: Tá ok.
LILS: Alô!
MARIA ALICE: Alô, só um momento presidente.
(intervalo – música de ramal)
DILMA: Alô.
LILS: Alô.
DILMA: Lula, deixa eu te falar uma coisa.
LILS: Fala querida. Ahn.
DILMA: Seguinte, eu tô mandando o Bessias junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o Termo de Posse, tá?!
LILS: Uhum. Tá bom, tá bom.
DILMA: Só isso, você espera aí que ele tá indo aí.
LILS: Tá bom, eu tô aqui, eu fico aguardando.
DILMA: Tá?!
LILS: Tá bom.
DILMA: Tchau
LILS: Tchau, querida
Dilma telefona para Lula e diz que enviará a ele o papel do termo de posse.
Leia a íntegra da interceptação telefônica desta conversa:
MORAES: Moraes!
MARIA ALICE: Moraes, boa tarde, é Maria Alice, aqui do gabinete da presidente Dilma.
MORAES: Boa tarde…ô, senhora Maria, pois não!
MARIA ALICE: Ela quer falar com o presidente Lula
MORAES: Eu tô levando o telefone pra ele, então. Só um minuto, vou ver e te passo, tá? Por favor.
MARIA ALICE: Muito obrigada.
MORAES: Tá bom, de nada.
(pequeno intervalo)
MORAES: Só um minuto, senhora Maria Alice.
MARIA ALICE: Tá ok.
LILS: Alô!
MARIA ALICE: Alô, só um momento presidente.
(intervalo – música de ramal)
DILMA: Alô.
LILS: Alô.
DILMA: Lula, deixa eu te falar uma coisa.
LILS: Fala querida. Ahn.
DILMA: Seguinte, eu tô mandando o Bessias junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o Termo de Posse, tá?!
LILS: Uhum. Tá bom, tá bom.
DILMA: Só isso, você espera aí que ele tá indo aí.
LILS: Tá bom, eu tô aqui, eu fico aguardando.
DILMA: Tá?!
LILS: Tá bom.
DILMA: Tchau
LILS: Tchau, querida
Na decisão de anular a gravação da conversa entre Dilma e Lula, o ministro do
STF, responsável pelos processos da Lava Jato no Supremo, entendeu que a escuta
deve ser retirada do processo porque foi gravada pela Polícia Federal após a
decisão de Sérgio Moro que determinou a suspensão do monitoramento. De acordo
com o entendimento de Zavascki, Moro usurpou a competência da Supremo, ao
levantar o sigilo das conversas.
“Foi também precoce e, pelo menos parcialmente equivocada a decisão que
adiantou juízo de validade das interceptações, colhidas, em parte importante,
sem abrigo judicial, quando já havia determinação de interrupção das escutas”,
disse o ministro.
Gravação
A ligação telefônica entre Dilma e Lula foi gravada após a decisão do juiz
Sérgio Moro de determinar a paralisação das escutas pela Polícia Federal.
Na manhã do dia 16 de março, às 11h12, Moro, responsável pelo julgamento dos
processos da Operação Lava Jato na 1ª instância da Justiça Federal, determinou
que a Polícia Federal parasse de realizar as escutas, por entender que as
diligências autorizadas por ele tinham sido cumpridas e não havia mais
necessidade de continuar com o grampo.
Em seguida, às 11h44, Flávia Blanco, funcionária da 13ª Vara Federal, chefiada
por Moro, entrou em contato com o delegado da Polícia Federal Luciano Flores de
Lima, responsável pela investigação, e comunicou a decisão do juiz.
"Certifico que intimei por telefone o delegado de Polícia Federal, dr.
Luciano Flores de Lima, a respeito da decisão proferida no evento 112",
comunicou a servidora.
A conversa telefônica entre o ex-presidente e Dilma foi gravada às 13h32. Nela,
a presidente telefona para Lula e diz que enviará a ele o papel do termo de
posse.
Na ocasião, em nota à imprensa, a Polícia Federal informou que a
interrupção das interceptações foi feita pelas operadoras de telefone. Segundo
a polícia, até o cumprimento da decisão, algumas ligações foram interceptadas.
Por Agência Brasil

