Domingo, 04 de setembro-09 de 2022
Cardiologista Valério Vasconcelos
aponta riscos de arritmias, picos de hipertensão e infarto
Bebida normalmente é consumida em momentos de
diversão ou para aumentar desempenho no trabalho (Foto: Pixabay)
Os brasileiros estão consumindo mais energéticos.
Levantamento da Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas
Não Alcoólicas (Abir) revela que, entre 2010 e 2020, o consumo desse tipo de
bebida passou de 300 mililitros por habitante ao ano para 710 mililitros no
mesmo período. Mas será que energéticos fazem mal à saúde?
Para o pesquisador e cardiologista Valério Vasconcelos, muita
gente consome energéticos, mas sem saber que tal produto oferece riscos à
saúde. Consumida, especialmente, para momentos de diversão na vida social ou
para aumentar o desempenho no trabalho, a bebida pode prejudicar o coração e afetar
a qualidade do sono devido ao alto teor de cafeína e outras substâncias.
“Quem paga mais caro é o coração. A cafeína leva o sistema nervoso
simpático a liberar hormônios estimulantes, como adrenalina e noradrenalina.
Isso propicia o aumento da frequência cardíaca e o estreitamento dos vasos
sanguíneos, fazendo subir a pressão. Em pessoas com problemas nas artérias —
muitas vezes silenciosos —, o efeito eventualmente serve como estopim para
causar um infarto ou derrame cerebral”, afirma Valério Vasconcelos.
As principais
complicações cardiovasculares decorrentes do uso em excesso da bebida, informa
o médico, são as arritmias (aumento desordenado da frequência cardíaca) e os
picos hipertensivos. Em casos extremos, os energéticos podem causar infarto agudo
do miocárdio (ataque cardíaco). Há ainda casos de dissecção coronária
espontânea, quando a artéria do coração se lacera, e vasoespasmo coronariano,
que é o fechamento da artéria do coração.
Conforme o
cardiologista, que é autor do livro “O coração gosta de coisas boas”, se não
bastassem os riscos do consumo isolado do produto, o cenário fica ainda mais
preocupante quando o energético é acompanhado de bebida alcoólica. Resultado: a
mistura pode se tornar uma “bomba relógio” no sistema cardiovascular.
“Caso a pessoa
já tenha uma doença cardíaca, como arritmias e doença arterial coronária
(placas de gordura nas artérias do coração), o cuidado deve ser redobrado. O
álcool por si só acelera os batimentos e faz subir a pressão arterial — e com o
energético, os efeitos são potencializados”, explica o cardiologista. E ele faz
outro alerta. “Há mais um agravante: de modo geral, a combinação permite,
inclusive, que o indivíduo tolere uma quantidade de álcool muito maior do que o
normal”, diz.
Valério
Vasconcelos lembra que vários estudos abordam os riscos de energéticos para a
saúde do coração. “Pesquisas mostram que o consumo dessas bebidas com alto teor
de cafeína pode levar a uma condição cardíaca potencialmente grave conhecida
como fibrilação atrial (FA),um tipo de batimento cardíaco irregular (arritmia)
que ocorre nas câmaras superiores do coração. Se não for tratada, a FA pode
causar palpitações cardíacas, coágulos sanguíneos, derrame e até insuficiência
cardíaca em casos extremos”, pontua. Além da cafeína, as bebidas energéticas
geralmente contêm outros ingredientes, como taurina (um tipo de aminoácido) e
ervas que aumentam os efeitos da cafeína e desencadeiam reações adversas no
coração.
Por: Portal Correio

