Domingo, 25 de janeiro-(01) de 2025
Em 2025, foram registradas 1,7 mil
mortes após infecção da doença
A vacinação contra a covid-19, iniciada há 5 anos no Brasil, levou
ao fim da pandemia – mas a doença ainda persiste, mesmo que em patamares muito
menores. Por isso, especialistas alertam que é essencial manter a imunização
entre aqueles que não foram vacinados antes ou que têm risco maior de
desenvolver quadros graves da doença.
A cobertura, no entanto, está longe do ideal: em 2025, de cada 10
doses distribuídas pelo Ministério da Saúde aos estados e municípios, menos de
4 foram utilizadas. Foram, ao todo, 21,9 milhões de vacinas, e apenas 8 milhões
aplicadas.
Dados da
plataforma Infogripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que monitora a
ocorrência da chamada síndrome respiratória aguda grave (SRAG), mostram as
consequências dessa baixa cobertura. Em 2025, pelo menos 10.410 pessoas
adoeceram com gravidade após a infecção pelo coronavírus, com cerca de 1,7 mil
mortes. Os números se referem apenas aos casos confirmados
com teste laboratorial e, como alguns registros são inseridos tardiamente no
sistema de vigilância do Ministério da Saúde, os dados de 2025 ainda podem
aumentar.
O coordenador do
Infogripe Leonardo Bastos reforça que o coronavírus continua sendo um dos vírus
respiratórios mais ameaçadores para a saúde.
“A covid não foi
embora. De tempos em tempos a gente tem surtos e avalia constantemente se esses
surtos crescem, se eles podem se transformar em uma epidemia. O que a gente vê
hoje de número de casos e mortes ainda é algo absurdo. Mas, como a gente passou
por um período surreal na pandemia, o que seria considerado alto, acaba sendo
normalizado”, diz.
A pesquisadora da
plataforma,Tatiana Portella complementa que o vírus ainda não demonstrou ter
uma sazonalidade, como a influenza, por exemplo, que costuma apresentar aumento
de casos no inverno.
“A gente pode ter
uma nova onda a qualquer momento com o surgimento de uma nova variante, que
pode ser mais transmissível, infecciosa, e não tem como prever quando que vai
surgir essa nova variante. Por isso que é importante que a população sempre
esteja em dia com a vacinação”, recomenda.
Crianças
Desde 2024, a
vacina contra a covid-19 foi incluída no calendário básico de vacinação de três
grupos: crianças, idosos e gestantes. Além disso, pessoas que fazem parte
de grupos especiais (confira as informações completas abaixo) devem reforçar a
imunização periodicamente. No entanto, cumprir esse calendário tem sido um
desafio no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, 2 milhões de doses
foram aplicadas no público infantil em 2025, mas a pasta não especificou qual o
índice de cobertura atingido com esse total.
O painel público
de vacinação indica que apenas 3,49% do público-alvo menor de 1 ano foi
vacinado em 2025. Em nota, o Ministério informou que “os dados atuais subestimam
a cobertura real: o painel apresenta apenas a aplicação em crianças menores de
um ano, enquanto o público-alvo inclui crianças menores de cinco anos,
gestantes e pessoas com 60 anos ou mais” e que “está desenvolvendo a
consolidação dos dados por coorte etária”.
Mesmo enquanto o
status de emergência sanitária estava em vigor, a cobertura ideal de 90% ficou
longe de ser atingida. A vacinação infantil começou em 2022, e até fevereiro de
2024, apenas 55,9% das crianças na faixa etária de 5 a 11 anos, e 23%
das que tinham 3 e 4 anos tinham sido vacinadas.
Para a diretora da
Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabela Ballalai, a principal causa disso
é a baixa percepção de risco.
“O ser humano é movido pela percepção de risco. O Brasil foi um
dos primeiros países que atingiram uma cobertura maior de 80% para toda a
população adulta. Mas quando a vacina chegou para as crianças, o cenário era
outro, com menos casos, menos mortes e a percepção de risco tinha diminuído. Aí
o antivacinismo começa a fazer efeito. Porque as fake news contra a vacina só
dão certo quando as pessoas não estão vendo o risco”, argumenta.
Mas o risco da
covid existe e é alto. As crianças com menos de 2 anos são o segundo grupo mais
vulnerável às complicações pela covid-19, atrás apenas dos idosos. Segundo
dados da plataforma Infogripe, de 2020 a 2025, quase 20,5 mil casos de Síndrome
Respiratória Aguda Grave foram registrados nessa faixa etária, com 801 mortes.
Mesmo no ano passado, em que a doença estava teoricamente controlada, foram 55
mortes e 2.440 internações.
As crianças também
podem desenvolver uma complicação rara associada à covid-19 chamada de Síndrome
Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), que provoca a morte em cerca
de 7% dos casos. De 2020 a 2023, o Brasil registrou cerca de 2,1 mil casos de
SIM-P, com 142 óbitos. Além disso, um estudo com quase 14 milhões de
crianças e adolescentes na Inglaterra mostrou também maior incidência de
doenças cardiovasculares como miocardite e tromboembolismo após a infecção pela
Covid-19.
Por outro lado, a
eficiência da vacina também foi comprovada.
O acompanhamento de 640
crianças e adolescentes vacinados com a coronavac em São Paulo, mostrou que
apenas 56 delas foram infectadas pela covid depois da vacinação e nenhuma com
gravidade. As vacinas infantis também já se provaram seguras. Em
2022 e 2023, o Brasil aplicou mais de 6 milhões de doses da vacina contra a
covid-19 em crianças, com poucas notificações de eventos adversos e a grande
maioria leves, segundo o monitoramento do Ministério da Saúde.
A diretora da
Sociedade Brasileira de Imunizações ressalta a importância dos profissionais de
saúde para aumentar as coberturas vacinais. Isabela Ballalai defende que é
preciso melhorar a formação médica, e que os profissionais já atuantes devem se
manter atualizados conforme as melhores evidências da ciência, e recomendar a
vacinação às famílias.
“Infelizmente nós
temos médicos renomados, que sempre defenderam as vacinas, agora dizendo que
nem todas as vacinas. Por trás disso há muitos interesses, políticos,
financeiros, de vários tipos. E entre um médico que você já conhece e alguém
que você ainda não conhece, em quem você vai confiar? Mas nós que defendemos as
vacinas temos todas as evidências científicas pra provar o que a gente diz”
Quem deve se vacinar contra a covid-19?
Bebês:
– 1ª dose aos 6
meses
– 2ª dose aos 7
meses
– 3ª dose aos 9
meses, apenas para as crianças que tiverem recebido a vacina da Pfizer.
Crianças imunocomprometidas:
– 1ª dose aos 6
meses
– 2ª dose aos 7
meses
– 3ª dose aos 9
meses, independente do imunizante
– Dose de reforço
a cada 6 meses
Crianças indígenas, ribeirinhas, quilombolas ou com comorbidades:
– Esquema básico
semelhante ao das crianças em geral
– Dose de reforço
anual.
Crianças com menos de 5 anos que ainda não foram vacinadas ou que
não receberam todas as doses devem completar o esquema básico
Gestantes:
– Uma dose a cada
gravidez.
Puérperas (até 45 dias após o parto):
– Uma dose, caso
não tenham tomado durante a gravidez.
Idosos, a partir dos 60 anos:
– Uma dose a cada
6 meses.
Pessoas imunocomprometidas:
– Uma dose a cada
6 meses.
Pessoas vivendo em instituições de longa permanência, indígenas
que vivem ou não em terra indígena, ribeirinhos, quilombolas, trabalhadores da
saúde, pessoas com deficiência permanente, pessoas com comorbidades, pessoas
privadas de liberdade, funcionários do sistema de privação de liberdade,
pessoas em situação de rua e trabalhadores dos Correios:
– Uma dose por ano.
Pessoas entre 5 e 59 anos, que não se encaixam nos grupos prioritários
mas nunca foram vacinadas contra a covid-19:
– Uma dose.
Por: Agência Brasil

