Domingo, 29 de março-(03) de 2026
Sintomas iniciais discretos adiam busca por atendimento,
e hospitais de referência seguem atendendo centenas de pacientes por ano.
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Mortes por tuberculose chegam a quase 120 casos em 2025, na
Paraíba. Foto: Arquivo |
A tuberculose causou a morte de mais de uma centena de
pessoas na Paraíba em 2025. Foram 119 casos registrados no ano passado, segundo
a Secretaria de Estado da Saúde (SES). No mesmo período, 1.581 casos da doença
foram notificados.
Em 2022, início do período analisado, a Paraíba registrou
108 mortes por tuberculose. Esse total passou para 116 em 2023, chegou a 117 em
2024 e atingiu 119 em 2025.
No mesmo intervalo, os casos notificados cresceram de 1.385
para 1.581, uma alta de aproximadamente 14%.
Hospital referência concentra 8 atendimentos por dia
O Hospital Clementino Fraga, unidade de referência estadual
para o diagnóstico e tratamento da tuberculose, registrou 3.113 atendimentos
realizados por pneumologistas em 2025. A quantidade corresponde a uma média de
oito atendimentos por dia.
Em 2026, até o momento, 135 pessoas procuraram a unidade com
suspeita da doença. Em 2024, o hospital contabilizou 3.502 atendimentos,
enquanto em 2023 foram 3.217. Já em 2026, até o momento, 135 pessoas procuraram
a unidade com suspeita da doença.
Segundo a SES, a maioria das notificações envolve homens. Em
2025, foram 1.110 casos entre o sexo masculino e 471 entre mulheres, padrão
observado também nos anos anteriores.
As faixas etárias com mais registros são de 20 a 34 anos, 35
a 49 anos e 50 a 54 anos. João Pessoa, Campina Grande, Santa Rita e Bayeux
concentram o maior número de casos no estado.
Sinais iniciais atrasam à busca imediata por atendimento
De acordo com a pneumologista Gerlânia Simplício, a
tuberculose pode apresentar sintomas que não são prontamente associados à
doença, o que adia a procura por atendimento médico.
“Os sintomas principais são tosse por mais de três
semanas, febre, sudorese, perda de peso, falta de ar e hemoptócitos [escarro
com sangue] . Por ter uma tosse por mais de três semanas, as pessoas retardam
mais a procura pelos serviços de saúde para realizar os exames que comprovam a
doença. Muitos pensam que é só uma virose ou uma gripe mal curada”, disse.
A médica explica que essa demora favorece tanto o
agravamento do quadro quanto a transmissão da doença. Segundo ela, é comum que
pacientes cheguem ao serviço de saúde já com sequelas.
Sobre a vacinação, Gerlânia explica que a BCG é aplicada em
bebês ao nascer e tem como função principal reduzir o risco de formas graves da
tuberculose. Dados da SESindicam cobertura de 104,88% em 2024 e de 106,64% em
2025, percentual acima da média nacional (90%).
No mais, a médica explica que a vacina não impede a
infecção, mas reduz o risco de formas graves. Ela destaca que, por isso, mesmo
com a vacinação em dia na infância, a doença segue circulando, principalmente
entre adultos.
“A BCG atua como prevenção nas formas graves da
tuberculose, como a de disseminação hematogênica e a tuberculose do sistema
nervoso central, a meningite por tuberculose”, explica.
A médica reforça ainda que a proteção da BCG é mais
importante nos primeiros anos de vida e que o controle da doença depende,
sobretudo, do diagnóstico precoce e do tratamento adequado dos casos.
Por: Janinne Vivian com Jornal da Paraíba

