Domingo, 29 de março-(03) de 2026
Matéria da Band/Uol.
Um estudo realizado em modelo animal por pesquisadores da Universidade
Federal de São Paulo (Unifesp) demonstrou que a natação
é mais eficaz do que a corrida para induzir o crescimento saudável do coração. Por
consequência, a modalidade aquática promove uma melhora superior na força de
contração do miocárdio.
“Natação e corrida são duas excelentes maneiras
de melhorar
a saúde cardiorrespiratória e de proteger o músculo cardíaco, mas queríamos
saber se uma delas poderia ser ainda mais benéfica que a outra”, afirma Andrey
Jorge Serra, professor da Unifesp e coordenador do estudo apoiado pela Fapesp.
“Descobrimos que, embora ambas aumentem a capacidade respiratória, a natação
vai além, combinando adaptações funcionais e moleculares que tornam o coração
mais forte e eficiente.”
O trabalho, publicado na revista Scientific
Reports, detalha que essa superioridade ocorre porque a natação promove
uma maior modulação dos microRNAs. Essas moléculas regulam a expressão dos RNAs
mensageiros, responsáveis pela síntese de proteínas.
Na natação, essa regulação controla adaptações cruciais,
como o crescimento das células cardíacas, formação de
novos vasos sanguíneos (angiogênese), proteção contra a morte celular e
respostas ao estresse oxidativo. “Embora diversos estudos já tivessem examinado
a expressão de microRNAs regulados pelo treinamento aeróbico em geral, pouco se
sabia sobre os padrões de expressão quando natação e corrida eram comparadas no
mesmo ambiente experimental. Portanto, esse estudo traz a novidade de que
existe uma distinção nos efeitos cardiovasculares entre essas duas
modalidades”, conta Serra.
Intensidade vs. resultados
Para garantir uma comparação justa, os pesquisadores não
avaliaram a velocidade, mas sim a intensidade relativa do esforço (VO2
máximo). Ratos foram divididos em três grupos — sedentários,
corredores e nadadores — em um protocolo de oito semanas.
Os resultados mostraram que, embora ambos os exercícios
tenham aumentado a aptidão física em cerca de 5%, apenas a natação gerou
mudanças estruturais significativas, como o aumento da massa cardíaca e do
ventrículo esquerdo. “A escolha da modalidade pelas pessoas depende muito de
gosto, aptidão e prazer individual. Mas nossos resultados mostram que a natação
pode ter impacto especial em situações de recuperação do miocárdio,
reabilitação cardíaca e, sobretudo, em pesquisas científicas”, explica o professor.
O estudo também analisou as vias de expressão gênica
e de proteínas envolvidas na hipertrofia cardíaca fisiológica. A descoberta
acende um alerta para a comunidade científica, já que muitas pesquisas tratam
as duas modalidades como equivalentes. “Embora não se saiba ainda por que
ocorre essa mudança no nível molecular, do microRNA, conseguimos aprofundar
muito e investigar as vias moleculares que controlam a hipertrofia
fisiológica”, completa o pesquisador.
Por: Band/Uol

