Domingo, 24 de Maio-(05) de 2026
Matéria do ParaibaOnline.com.br com Agência Brasil
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Foto: ICMBIO/divulgação |
Oito em cada dez pessoas (85%) já notam interferências das
mudanças climáticas em seu cotidiano, sendo que quase metade (46%) julga esse
impacto intenso. O dado foi obtido por equipes do Aurora Lab e
da More in Common, em pesquisa sobre a transição de energias sujas para limpas,
obtida com exclusividade pela Agência Brasil e que será
lançada na próxima quarta-feira (27), em São Paulo.
Como resultado das mudanças climáticas, as principais
reclamações dos 2.630 participantes ouvidos foram:
• Ter que arcar com um custo maior de vida – 53%;
• Problemas de saúde física – 45%;
• Obstáculos ao acesso a seu local de trabalho – 40%;
• Adoecimento mental – 32%;
• Perda de renda – 17%;
• Perda de emprego – 10%.
A proporção de brasileiros que confia que o governo deve ser
a principal figura a garantir a proteção de trabalhadoras e trabalhadores nesse
contexto é de sete a cada dez (67%). Outros indicados a essa função são
empregadores (7%) e grupos auto-organizados, como os de direitos
socioambientais (menos de 6%).
A preferência pelo Estado como o agente mais adequado para
apresentar soluções de mitigação e outras medidas pertinentes surpreendeu os
pesquisadores.
“Também é um dado muito preocupante, porque ele tira ou não
coloca a responsabilidade em cima dos empregadores. Cada vez mais a gente vai
ter eventos climáticos extremos e eles têm um papel muito importante em
garantir a proteção dos trabalhadores no processo de transição também”,
complementa a diretora-executiva do Aurora Lab, Gabriela Vuolo.
O levantamento ainda demonstra elevada consciência (93%) de
que os modelos de produção e consumo da sociedade precisam ser transformados
para se enfrentar a crise climática. No total, 74% concordam totalmente com tal
afirmação.
Uma parcela de 67% acredita que essas mudanças trarão bons
frutos para a classe trabalhadora, em termos de abertura de vagas. Somente 10%
discordam disso e pensam que terão o efeito contrário, de redução dos postos de
trabalho.
As entrevistas também sondaram a avaliação das pessoas sobre
a ligação entre a transição e a configuração social do país. A maioria (45%)
acredita que a passagem para outros estágios energéticos promoverá redução das
desigualdades sociais, contra 40% que acreditam que haverá uma manutenção ou,
então, um aumento das desigualdades (23% acham que vão aumentar + 17% que não
vão mudar).
Segundo Gabriela Vuolo, parte dos respondentes imagina que
até mesmo os salários poderão aumentar.
De acordo com a pesquisa, mesmo em uma era de disseminação
de fake news, os brasileiros ainda confiam no que a ciência diz. Universidades
e cientistas são a fonte com mais credibilidade para 69% dos entrevistados,
enquanto as redes sociais são o principal meio de informação de 65% deles,
quando o assunto é clima.
A pesquisa Clima, Trabalho e Transição Justa será
compartilhada no encontro “Quem move o Brasil? Debates sobre Trabalho, Energia
e Desenvolvimento”.
As entrevistas realizadas para a análise contaram com a
participação de pessoas com 16 anos de idade ou mais, de nove capitais: Belém,
Brasília, Fortaleza, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e
São Paulo. O questionário foi aplicado entre maio e setembro de 2025.
Por: ParaibaOnline.com.br com Agência Brasil

