Terça-feira, 16 de junho-(06) de 2026
Após o desempenho na estreia da Copa, Romário defende
mudanças na equipe e sugere a entrada de mais jogadores jovens em campo.
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| Foto: Reprodução/Instagram |
O início frustrante da seleção brasileira na Copa do Mundo
tem múltiplos fatores, mas, para Romário, um deles é determinante.
Segundo o ex-jogador, alguns dos principais nomes convocados
por Carlo Ancelotti não conseguem reproduzir na seleção o mesmo futebol que
apresentam em seus clubes. “Nem um pouco”, afirmou.
Para o campeão mundial de 1994, a explicação passa pela
atitude em campo, muito aquém da esperada, sobretudo, no primeiro tempo do
empate por 1 a 1 com Marrocos, no sábado (13).
“Falta atitude nesses caras quando eles vestem a camisa
da seleção brasileira”, disse Romário em entrevista à reportagem, em Nova
York, de onde acompanha a seleção e cumpre compromissos comerciais.
O Baixinho cita Vinicius Júnior como exemplo de oscilação
entre clube e seleção, embora com a ressalva de sua expectativa em relação à
evolução do atacante do Real Madrid.
“O Vini que a gente quer é aquele Vini que jogou contra o
Marrocos”, afirmou.
O ex-atacante também demonstrou confiança de que outros
nomes possam reagir durante o Mundial.
Entre eles, citou Raphinha como um jogador capaz de dar um
“estalo” com a camisa da seleção. “Eu acredito que ele vai mudar a
atitude dentro do jogo.”
Aos 60 anos, Romário ainda exibe um corpo de atleta. Se
estivesse no vestiário do MetLife Stadium, em Nova Jersey, durante o intervalo
da partida contra os marroquinos, diz que teria assumido um papel de liderança
capaz justamente de dar esse “estalo” nos jogadores.
“Eu sou um cara de trocar muita ideia. Eu demonstraria
toda a minha revolta com o grupo e comigo também, se eu estivesse dentro do
jogo, porque ninguém jogou nada”, afirmou.
No elenco atual, porém, ele não vê ninguém com capacidade de
liderança para cobrar o grupo.
“Não vejo liderança nesse time do Brasil. As pessoas
falam que o Marquinhos pode ser líder, o Casemiro pode ser líder. Cara, não
vejo isso não”, reclamou. “Pelo menos dentro do campo não me passam
nem um pouco [de confiança].”
A ausência de lideranças no elenco não faz Romário
transferir a responsabilidade para Carlo Ancelotti.
Na visão do ex-atacante, o treinador tem sua importância,
mas são os jogadores os principais responsáveis pelo desempenho da seleção.
Para ele, apesar do currículo vitorioso do italiano, ele não pode ser tratado
como mais importante do que os atletas.
“Se é assim, a gente está mal, realmente”,
afirmou. “O treinador não faz gol. E o treinador bom, na minha opinião,
é aquele que não atrapalha. Por mais que ele tenha sua relevância, seu tamanho,
seu peso, quem ganha jogo são os jogadores.”
Nem por isso Romário poupou o italiano. O ex-jogador
classificou como precipitada a decisão da CBF de renovar o contrato de
Ancelotti antes do fim da Copa.
“Uma atitude muito ruim. Eu não renovaria antes de
terminar a Copa do Mundo”, afirmou. “Vamos imaginar, é claro
que não vai acontecer, o Brasil é eliminado na primeira fase. Como que o
Ancelotti vai ficar na seleção?”
Embora reconheça que o cenário citado é muito improvável, “até
alguns terceiros vão passar”, como ele mesmo lembra, Romário também
demonstra insatisfação com algumas colocações do italiano em relação à seleção
brasileira.
Ele ficou especialmente indignado quando o treinador afirmou
que a seleção precisava ter medo, como um ingrediente necessário para quem
busca o sucesso.
“A seleção não pode ter medo de ninguém, não existe ter
medo de ninguém. Se você entra com medo de algum adversário, tu já entra
perdido”, afirmou. “É claro que existem alguns adversários que tu
tem que respeitar, mas medo [de] nenhum.”
Para o ex-jogador, os adversários é que deveriam voltar a
sentir medo da seleção brasileira. “Mas isso acabou. Não só o Marrocos.
Hoje você pode vencer o Brasil jogando futebol do jeito que o Marrocos jogou.”
MUDANÇAS NO TIME
Diante do desempenho da estreia, Romário defende alterações
na equipe para a sequência da Copa. Entre as mudanças, gostaria de ver mais
juventude em campo.
“Eu colocaria o Endrick ou o Rayan”, afirmou. “Os
dois são fazedores de gol. Um é mais forte e o outro é mais técnico, mas os
dois sabem fazer gol.”
O ex-atacante também defendeu a utilização de Neymar, caso o
camisa 10 esteja em condições clínicas de atuar na sexta-feira (19), contra o
Haiti.
Apesar das críticas ao desempenho da seleção, Romário
acredita que uma campanha vitoriosa na América do Norte ainda teria capacidade
de mobilizar o país.
“A Copa do Mundo tem esse poder no nosso país”, afirmou. “Faz
com que o brasileiro possa esquecer um pouco essas coisas que vêm acontecendo
negativamente e sorrir.”
O ex-atacante, porém, vê uma distância crescente entre a
seleção e a torcida. Para ele, a geração atual não compreende o alcance de uma
conquista mundial para além do futebol.
“A seleção brasileira não consegue conectar com o povo.
Esse é um problema sério. Essa conexão não acontece”, afirmou. “Eles
não conseguem entender que uma vitória em uma Copa do Mundo tem uma relevância
muito além do futebol.”
Enquanto acompanha a seleção na Copa do Mundo, Romário
seguirá exercendo o mandato de senador.
Durante o Mundial, ele tem atuado como comentarista em
algumas partidas do torneio. Segundo seu gabinete, a atividade privada é
compatível com as funções legislativas. “Basta ver o número de
senadores e deputados que exercem outras funções em paralelo ao mandato.”
Até a final do Mundial, em 19 de julho, o Senado não tem
sessões deliberativas presenciais previstas, o que facilita a participação
remota nas atividades da Casa.
Por: LUCIANO TRINDADE / Folhapress

