Quarta-feira, 17 de junho-(06) de 2026
Matéria do Portal Paraíba Já.
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| Foto: Higor Pereira/Eco Construtora |
A construção civil paraibana alcançou pela
primeira vez a marca de R$ 5 bilhões em valor de incorporações, obras e
serviços realizados no estado. O dado consta na Pesquisa Anual da
Indústria da Construção (PAIC) 2024, divulgada na última quarta-feira
pelo IBGE, e representa um crescimento de 16% em relação aos R$
4,31 bilhões registrados no ano anterior.
A maior parte desse volume veio da construção de edifícios,
responsável por R$ 2,9 bilhões, o equivalente a 58,2% de toda a atividade do
setor. As obras de infraestrutura responderam por R$ 1,5 bilhão (30,1%),
enquanto os serviços especializados para construção somaram R$ 590 milhões
(11,7%).
Para o presidente do Sinduscon-JP, Ozaes Mangueira Filho, o
resultado confirma o momento de expansão vivido pela construção civil no estado
e seu impacto sobre a economia. “Trata-se de uma marca histórica para a
construção civil paraibana. Alcançar os R$ 5 bilhões em valor de obras
demonstra a capacidade do setor de atrair investimentos, gerar emprego e
impulsionar o desenvolvimento econômico do estado”, afirma.
Na avaliação do sócio da Eco Construtora, Leonardo
Bronzeado, parte desse crescimento está relacionada ao processo de valorização
imobiliária da Paraíba e às características urbanísticas de João Pessoa. “Eu
pontuo muito essa questão positiva do controle urbanístico de João Pessoa, que
proíbe a construção de espigões na orla. Isso foi muito diferencial. Quem é
daqui até se questiona como os potenciais da cidade não foram descobertos
antes”, diz.
O movimento também aparece na carteira de clientes da
empresa. Segundo Bronzeado, compradores de outros estados vêm ganhando
participação nos negócios da construtora. Entre 2024 e 2029, a Eco terá
entregue ou mantido em construção mais de 500 unidades residenciais e
comerciais distribuídas em sete empreendimentos.
Apesar do avanço, a participação da Paraíba ainda é modesta
no cenário regional. O estado respondeu por 6,1% do valor movimentado pela
construção civil no Nordeste em 2024, a terceira menor participação da região.
No ranking nacional, ficou entre os oito menores volumes registrados pelas
unidades da federação.
Mais empresas
A PAIC também apontou crescimento de aproximadamente 30% no
número de empresas formais da construção civil com cinco ou mais empregados. O
total passou de 831 em 2023 para 1.080 em 2024.
Segundo Ozaes Mangueira, o dado demonstra que o setor
continua atraindo novos investidores e empreendedores. “Esse movimento mostra
que a construção civil paraibana está atraindo novos incorporadores,
impulsionados pelas oportunidades geradas pelo crescimento da demanda.”
Para Bronzeado, o aumento da concorrência já é perceptível.
“Hoje realmente existem muitas construtoras. Toda semana eu tenho que aprender
dois ou três nomes novos que entram no mercado. Um mercado grande atrai novos
entrantes, mas, com o tempo, acaba havendo uma seleção natural.”
O crescimento da atividade também se refletiu no emprego. O
número de trabalhadores ocupados na construção civil formal saltou de 27,6 mil
para 35,4 mil pessoas em um ano, avanço de 28,3%. As empresas do setor pagaram
R$ 902,8 milhões em salários, retiradas e outras remunerações.
A expansão, porém, começa a esbarrar na oferta de
profissionais qualificados. “Está difícil. Realmente preocupa a gente na
construção civil. É um bom desafio, porque mostra que o desemprego está baixo
no setor, mas também reforça a necessidade de investir em tecnologia e
mecanização para conseguir fazer mais com menos”, afirma Bronzeado.
Para os representantes do setor, o ciclo de crescimento
ainda não chegou ao fim. “Os fundamentos que sustentam a construção civil
paraibana continuam sólidos, especialmente o crescimento populacional, a
atração de investimentos e a expansão do turismo”, afirma Ozaes Mangueira.
Por: Paraíba Já

